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Flerte com mãe de atleta teria motivado morte de dirigente

Vinícius Henrique Corsini confessou ter matado o ex-presidente do Nacional de Rolândia-PR, José Danilson de Oliveira, a facadas

17 set 2020
16h51
atualizado em 18/9/2020 às 19h22
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O assassinato do ex-presidente do Nacional de Rolândia-PR, José Danilson de Oliveira, de 58 anos, teria motivação passional. De acordo com o delegado plantonista da 22ª Sub Divisão de Polícia de Rolândia, Marcos Rubira, que atendeu o caso, o jogador de futebol Vinícius Henrique Corsini, 20 anos, confessou o crime e afirmou que o fez porque a vítima estaria "flertando" com sua mãe.

José Danilson de Oliveira, de 58 anos, acabou morrendo após receber facadas no pescoço e nas pernas
José Danilson de Oliveira, de 58 anos, acabou morrendo após receber facadas no pescoço e nas pernas
Foto: Divulgação/ Nacional Atlético Clube / Estadão Conteúdo

"O José Danilson teria 'dado em cima' da mãe do Vinícius, o que o teria despertado um sentimento muito negativo no autor. Ele foi ao mercado comprar carne para fazer um churrasco e comprou também uma faca. Foi então à empresa da vítima, aguardou ela chegar ao carro para ir embora e ali teria efetuado as facadas nas regiões do pescoço e das pernas", descreveu o delegado.

Corsini tentou fugir, mas foi contido por testemunhas e preso em flagrante. Ele já teve a prisão preventiva pedida pelo delegado Marcos Rubira, que tem dez dias para concluir o inquérito policial. Segundo o delegado, Corsini tem duas passagens pela polícia, sendo uma por roubo e outra por porte de drogas para consumo próprio.

"Serão ouvidos outras pessoas como a mãe do Vinícius e membros do Nacional para apurar se é essa a real motivação ou se tem algo mais", apontou. O delegado afirmou ainda que o suspeito disse estar arrependido e que não se lembra de nada em relação ao momento do ataque.

O crime ocorreu no fim da tarde de quarta-feira, 16, em frente à empresa de Danilson, no centro de Rolândia-PR. Após uma discussão, ele foi atingido por golpes de faca na região do pescoço e das pernas. Depois de ser esfaqueado, ele ainda conseguiu correr para dentro da empresa e pedir socorro. Chegou a ser transferido para o Hospital do Coração, na vizinha Londrina, para uma cirurgia de emergência, mas não resistiu aos ferimentos.

Danilson era uma das figuras mais populares da pequena Rolândia, cidade de 67 mil habitantes, localizada no Norte do Paraná, a 395 km de Curitiba. Além de ter comandando o Nacional Atlético Clube por décadas, ele também foi vereador por quatro mandatos e vice-prefeito da cidade. Danilson se preparava, agora, para tentar voltar à Câmara de Vereadores, onde também foi presidente.

Diretor da Casa, Reginaldo Burhoff conviveu com a vítima durante toda a passagem dela por lá e não lembra de episódios de inimizades nesta época. "Ele sempre foi uma pessoa dedicada, muito sério em sua conduta. Uma pessoa muito focada e sempre com um grande círculo de amizades. Nos pegou de surpresa essa situação", comentou.

Sebastião Alves de Lima, irmão de Danilson, contou que a família está arrasada e tentando entender o que aconteceu. "Foi um choque para nós e para a cidade. Ele era uma pessoa muito querida e era empresário desse rapaz (Corsini). Sempre foi uma pessoa correta e não acreditamos nas versões que vêm sendo ditas", pontuou Sebastião que é agricultor e responsável por gerenciar os negócios de Danilson na área agrícola.

Ele conta que os pais e separaram muito cedo e que, por ser o mais velho dos cinco filhos, Danilson teria assumido o posto de chefe da família. Era também o grande companheiro da mãe, dona Benedita Aparecida de Oliveira Ramos de Lima, de 77 anos. "Onde ele ia, levava ela. A visitava todo dia, comprava as comidas que ela gostava. Agora, a gente vai se apegar em Deus, esperar que a justiça seja feita e que esse rapaz pague pelo que fez", desabafou, Sebastião, que conversa com o irmão por um aplicativo de mensagens bem no momento do ataque.

Segundo ele, Danilson não havia recebido nenhuma ameaça antes do crime. Corsini é filho do ex-atleta Nelinho, que era amigo de Danilson e dava aulas de educação física. Conforme amigos próximos, o ex-dirigente costumava ajudar o jogador tanto na carreira como na vida pessoal.

Em janeiro de 2020, ele entregou a gestão do clube a um grupo de empresários de São Paulo. Mesmo assim, participava ativamente do dia a dia. Segundo o gerente de futebol do Nacional, João Batista da Silva, um dos pedidos do ex-presidente era o de justamente ajudar e ter paciência com Corsini. "Em fevereiro, o Vinícius pediu desligamento do clube, alegando que não estava mais feliz, que não queria mais jogar futebol e que iria arrumar um emprego. Acabamos rescindindo o contrato dele, mas foi tudo numa boa. Lembro que o Danilson pediu para a gente insistir com ele porque via potencial no Vinícius.

"O pai dele, o Nelinho, era muito próximo do clube, era quem nos ajudava na logística, com os gandulas", afirmou João Batista. O Nacional estreia na Série D do Campeonato Brasileiro neste sábado, 19, contra a Ferroviária, em Araraquara. A diretoria do clube afirmou que o jogo não será adiado porque Danilson não tinha mais cargo efetivo na equipe e também pela falta de datas, já que o time de Rolândia disputará simultaneamente a Segunda Divisão do Campeonato Paranaense. Em nota, a defesa de Vinicius Henrique Corsini afirmou que "a morte foi uma fatalidade".

Os advogados informaram ainda que o fato de o inquérito estar ainda na fase inicial impede a defesa de trazer detalhes técnicos. Eles também negam que a motivação do crime teria sido problemas relacionados a contratos, a demissão do clube nem outro fator que teria relação com a profissão. José Danilson Alves de Oliveira deixou a esposa Ivone e as filhas Mariana, de 13 anos, e Valentina, de 9.

Estadão
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