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Estaduais

Saiba detalhes na vida de um jogador sem empresário

26 mar 2010 - 16h54
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Dassler Marques

Há muitos chavões no futebol e um deles diz que é impossível um jogador não ter empresário. Será mesmo? O Terra falou com as duas partes para saber se essa relação é tão indispensável assim. Ainda que não haja uma conclusão objetiva para a pergunta, a impressão é que sim.

Encontrar jogadores que não têm empresário, inicialmente, já foi uma tarefa complicada. A reportagem contatou pelo menos cinco empresas que fazem assessoria de atletas e, segundo os representantes, não havia um só cliente que não tivesse um agente.

Praticamente todos os jogadores que não têm um representante em contrato, fazem consultas a advogados, empresários amigos ou algum familiar próximo. O corintiano Dentinho, por exemplo, trabalha com o auxílio de José Ferreira, que o acompanha desde a infância, embora não tenha credenciais.

O zagueiro Miranda, que briga por uma vaga na Copa do Mundo, está no São Paulo desde 2006 e não conseguiu uma proposta tentadora da Europa, apesar de atuar com a camisa verde-amarela.

Destaque na Polônia, Bruno Coutinho, com passagens pelo Grêmio, cita problemas que teve com o empresário Jorge Baidek, responsável por levá-lo para a Europa. Coutinho hoje diz não ter representante, mas não dá um passo sem consultar Mário Pierkarsky, polonês que defendeu o Atlético-PR na década de 90 e hoje é empresário de atletas.

"Ele me trouxe para cá e depois sumiu, nunca deu a atenção necessária. Pegou a comissão, não deu minha parte, tivemos um contato ridículo por duas vezes...foi uma experiência muito ruim", conta o jogador. "O Pierkarsky é amigo mesmo, já ajudou a renovar meu contrato duas vezes". Segundo Coutinho, ele recebe sondagens de clubes alemães, mas para aceitar é preciso assinar procuração para um empresário.

O santista Roberto Brum, que integra a lista dos que andam com as próprias pernas, cita vantagens e desvantagens. "O conhecimento deles facilita uma situação, mas você precisa dar parte do seu salário e outros empresários não negociam com você. Um clube pode até não te contratar porque não gosta do seu empresário", cita.

Em geral, segundo Brum, as decisões são tomadas por ele próprio. "Eu tenho conhecimento como são feitos os contratos. No meu caso negocio sozinho, estudo o contrato...se tiver alguma dúvida, eu consulto um advogado, mas senão faço sozinho".

Para evitar desgaste

Para Wagner Ribeiro, o agente é fundamental para o relacionamento entre clubes e jogadores e muitas vezes evita um desgaste. "O empresário faz a representação para preservar o jogador. Se ele próprio vai falar de aumento salarial com o clube, ou até um parente, os dirigentes chamam de mercenário. Um empresário faz friamente como um profissional", opina Wagner Ribeiro, que trabalhou com Kaká e Robinho e hoje é responsável pelo santista Neymar.

Companheiro de profissão de Wagner, Reinaldo Pitta traça um raciocínio diferente e, talvez estrategicamente, tira o peso de sua classe. "Se ele tem qualidade, independe do empresário. O empresário pode ter credibilidade e indicar para o Barcelona, mas se o jogador não tem qualidade não vai durar dois meses", diz o ex-agente de Ronaldo.

É ingênuo pensar, entretanto, que um agente não facilita transferências. "Jogador do nível do Neymar, do Robinho, não precisa de empresário para se transferir, mas você consegue maiores salários dentro do clube. Se o Dentinho está até hoje no Corinthians e não tem empresário, está explicado. Se tivesse já estaria na Europa", diz Wagner Ribeiro.

A profissão agente Fifa

Segundo o site da entidade máxima do futebol mundial, o Brasil é o terceiro país do mundo com mais agentes Fifa: são 327 registrados. Mais que isso, só a Itália, com 600 empresários, e a Espanha, com 550.

Gilmar Rinaldi é o agente de Washington
Gilmar Rinaldi é o agente de Washington
Foto: Gazeta Press
Fonte: Terra
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