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E se tem uma mosca ou chuva passando? Caravina explica tecnologia em gol polêmico anulado da Croácia

Seleção eslava empatou jogo com Portugal nos acréscimos e levava para a prorrogação, mas arbitragem detectou toque muito suave de Matanovic

3 jul 2026 - 16h13
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A polêmica anulação do que seria o gol de empate da Croácia contra Portugal na segunda fase da Copa do Mundo de 2026 segue repercutindo. Aos 52 minutos da partida da última quinta-feira, 2, um toque na cabeça de Matanovic, perceptível apenas pelo chip na bola, foi o responsável por frear o sonho das oitavas de final dos eslavos. Paulo Caravina, comentarista de arbitragem do Estadão, explica como 'nada' escapa do dispositivo.

Quando o replay do lance foi ao ar na transmissão e no telão do BMO Field, em Toronto, a Fifa divulgou um gráfico parecido com de um eletrocardiograma, mas que serve para detectar esses contatos. Na hora que a bola passa pelo atacante, surge uma pequena curva, que o árbitro Espen Eskås utilizou para confirmar o cancelamento do gol.

Em seguida, há um desvio do português Renato Veiga, mas o norueguês, com a ajuda do VAR, interpretou que este toque não habilitou a jogada, já que o zagueiro da seleção portuguesa não configurou um toque deliberado.

"Eles usam duas imagens. Uma imagem do frame a frame, que é a imagem aparecendo" explica Paulo Caravina sobre como o lance foi analisado. "Eles observam se aumenta o nível da linha na hora que passa a bola e ficam indo e voltando para ver se aumenta o nível na hora que passa a bola ali, e aí a gente vê esse aumento", continua.

Dessa maneira, surge a dúvida se outros toques sensíveis, como o de uma mosca ou gota de chuva, poderiam 'confundir' o equipamento. Não é o caso, para o comentarista. "Se tem uma mosca passando, uma chuva, acredito que esse momento que passa ali e aumenta, creio que dê para captar mesmo se tiver chovendo", afirmou, sobre o toque de Matanovic.

Trionda, a bola da Copa do Mundo 2026, tem chip que detecta até o mais leve dos toques de um jogador.
Trionda, a bola da Copa do Mundo 2026, tem chip que detecta até o mais leve dos toques de um jogador.
Foto: Divulgação/Adidas / Estadão

Outra discussão é a de se a resvalada de Renato Veiga configuraria um novo lance e, assim, com a bola vindo do defensor, se não cancelaria o impedimento. "O desvio por parte do ataque habilita ou inabilita. A gente tem que contar a partir dali, pois o desvio da defesa não habilta e nem inabilita", detalha Caravina.

O que diz a Fifa sobre o gol anulado da Croácia contra Portugal

De acordo com a International Football Association Board (Ifab), o órgão responsável pelas regras da Fifa, "não se considerará que um jogador em posição de impedimento obteve vantagem quando receber a bola de um adversário que tocou deliberadamente nela, incluindo com um toque de mão deliberado, a menos de que se trate de uma defesa deliberada do adversário".

Ainda segundo a Ifab, um toque deliberado na bola (à exceção do toque de mão deliberado na bola) ocorre quando um jogador tem o controle da bola e a possibilidade de:

  • passar a bola para um companheiro de equipe;
  • obter a posse da bola;
  • afastar a bola (por exemplo, chutando ou cabecenado a bola).

Desta forma, a decisão de Espen Eskås está respaldada pelo que diz a regra.

Polêmicas à parte, a Croácia foi eliminada e Portugal, com Cristiano Ronaldo, garantiu sua vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo para enfrentar a Espanha. O duelo europeu reedita a final da Nations League de 2025, em que os portugueses se deram melhor. Confira o chaveamento.

Estadão
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