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Drogas, crimes e pobreza: por que ex-jogadores vivem um calvário?

16 set 2011 - 15h57
(atualizado às 18h19)
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Dassler Marques
Rodrigo Marin

As páginas dos jornais não eram exatamente novidade para Zé Elias, mas na editoria policial foi a primeira vez que ele apareceu. Preso por não pagamento de pensão alimentícia em julho, Zé engrossou uma lista recente de ex-jogadores envolvidos em noticiários negativos. Edmundo, por exemplo, também passou noite na cadeia em função de um episódio antigo. Sócrates, ainda em estado delicado de saúde, passa por complicações em função do excesso com bebidas.

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A série de problemas com diferentes características reacende um tema pouco abordado no dia a dia do futebol profissional: até que ponto atletas são preparados para o pós-carreira? Por que eles têm tantas dificuldades para encontrar uma nova profissão? Como caminhar da fama ao anonimato sem tantos percalços? A falta de respostas para essas perguntas ajuda a explicar o porquê dessa espécie de calvário que alguns atravessam.

"A principal dificuldade é você exercer outra atividade. O futebol sempre exige prioridade e dedicação total. Quando você para, o tempo ocioso prejudica muito", argumenta Reinaldo, o maior ídolo da história do Atlético-MG. Por uma época nos anos 90, ele escolheu ocupar o tempo ocioso com as drogas, e chegou a ser preso. Hoje, tem uma vida tranquila.

Em entrevista à Revista Placar, Walter Casagrande Júnior, comentarista da TV Globo, chegou a definir seus problemas com as drogas como busca por um novo tipo de adrenalina. Hospitalizado em 2009, Casagrande esteve entre a vida e a morte, mas também conseguiu renascer. Na visão de Kátia Rúbio, professora da USP especializada em psicologia do esporte, o que falta é se preparar para a aposentadoria.

"A carreira do atleta envolve competição, concentração e treinamento. O sujeito tem uma vida regrada e isso não é comum a todas as pessoas. Aos 30 anos, quando todos estão começando a vida, ele já está terminando. É preciso se impor e reorganizar tudo isso. No final da carreira, não é só uma mudança de profissão, mas de identidade. É preciso se separar do personagem que foi até então para ser um cidadão comum", avalia Kátia.

Reinaldo, hoje aos 54 anos, acredita que o envolvimento da psicologia no dia a dia dos clubes poderia amenizar os dramas pós-carreira que atravessam alguns jogadores. "O atleta precisa de apoio não só depois que para, porque você pode jogar mal porque brigou com a mulher ou por problemas familiares. Mas, sobretudo no encerramento da carreira", define.

Hoje um empresário de sucesso do ramo imobiliário, no Brasil e na Espanha, o tetracampeão mundial Mauro Silva defende que é difícil para o jogador se adaptar a uma nova realidade. "Não tem uma preparação. Você se envolve desde criança com uma atividade e não tem formação acadêmica. É correr atrás, estudar e se esquecer de quem já foi". Mauro lembra que artistas de todo o tipo passam por isso. "Não quero dar lição de moral a ninguém. Isso ocorre com cantores e atores", exemplifica.

A dificuldade em administrar os recursos, segundo o próprio Zé Elias, foi o contribuiu para sua situação se agravasse. Com carreira consistente por clubes grandes, ele foi preso em razão da pensão alimentícia e alegou falta de dinheiro para pagar sua ex-mulher. "Tem atleta que para de jogar aos 30 anos e nunca pegou um avião sozinho. A vida é toda controlada e o preço é alto. Ele tem que cuidar da conta no banco, do supermercado, e não está preparado", acredita Kátia Rúbio.

Para ela, a figura do gestor de carreiras poderia ganhar espaço entre os jogadores. "O empresário só quer dinheiro e o clube quer tudo e mais um pouco. Mas falta quem gerencie a vida do cara, alguém que impõe limites e que ajude ele a se situar", acredita a psicóloga. "Minha imagem foi arranhada, mas graças a Deus superei. O povo te dá outra oportunidade", agradece Reinaldo, que ingressou na vida política. Nem sempre é assim. Nem sempre há uma segunda chance.

Zé Elias deixa cadeia
Zé Elias deixa cadeia
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Fonte: Terra
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