Coritiba: história de ascensão e declínio no Brasileirão 2013
O Coritiba começou o Campeonato Brasileiro de 2013 a todo vapor. A equipe, à época comandada pelo treinador Marquinhos Santos, foi campeã paranaense e trouxe de volta o ídolo Alex, que tomou conta da camisa 10, transformou-se em capitão e comandou a equipe durante todo o primeiro semestre de 2013. Com um meio de campo sólido e saídas rápidas em contra-ataque, o Coxa chegou a ser líder do Brasileirão e passou, aos poucos, a ser considerado postulante a uma vaga na Libertadores, quiçá ao título. Entretanto, o caldo entornou, e com uma sequência de resultados ruins - que hoje parece interminável aos torcedores -, o Coxa já tem como realidade a briga contra o rebaixamento.
APOGEU
Era um futebol plástico, envolvente, à moda antiga. Tinha um camisa 10 clássico, que pensava para o time. Com exibições de qualidade, o Coritiba começou a ganhar a confiança do torcedor, que não comemora um título nacional desde 1985, e bateu na trave nos dois últimos anos, com os vices da Copa do Brasil. "Agora vai" era o pensamento que parecia dominar as arquibancadas do Couto Pereira.
Depois da vitória heroica contra a Ponte Preta, em um jogo de várias viradas, que terminou em 5 a 3 para o time do Alto da Glória, o Coxa assumiu a liderança do Brasileirão, na décima rodada. A torcida abraçava o time, que correspondia em campo, e transformava a capital paranaense em um verdadeiro alçapão para seus adversários. A vitória na rodada seguinte, contra o arquirrival Atlético-PR, apenas reforçou o sentimento.
O maestro Alex comandava o Coxa (Foto: Arquivo LANCE!)Aos dez minutos do primeiro tempo, Deivid se antecipou após cruzamento de Victor Ferraz e tocou para o fundo das redes, sem chances para o goleiro Dida. Com este gol, o Alviverde garantia uma vitória importante sobre o Grêmio, em plena Arena adversária, e ficava a apenas um ponto dos líderes Cruzeiro e Botafogo. Com este resultado expressivo, a equipe paranaense era taxada pelos especialistas como candidata ao título, na décima segunda rodada. Ledo engano. Esta seria a última conquista de peso até aqui.
DESANDOU
Os jogadores que davam show no gramado passaram a ser presenças constantes no departamento médico, que ficou recheado. Logo após a vitória sobre o Tricolor gaúcho, na partida contra o Vasco, o Coxa perdeu sua invencibilidade em casa e viu seu craque maior, Alex, contrair uma lesão que o deixou três semanas afastado dos jogos.
Com o time titular praticamente todo fora de combate, a solução encontrada por Marquinhos Santos foi investir na base. Os jovens, entretanto, não corresponderam às expectativas depositadas pelo treinador, e a postura tática do time, que antes parecia feita sob medida, desandou.
Desde a vitória contra o Grêmio foram realizadas 13 partidas pelo Brasileiro. Sete derrotas, cinco empates e apenas uma vitória contra o São Paulo, no Couto Pereira. A harmonia entre time e torcida ficou abalada.
À BEIRA DO ABISMO
A derrota vexatória contra o Itagüí (COL) pela Sul-Americana, em pleno Couto Pereira, custou a Marquinhos Santos seu cargo como treinador do Coxa, mas ele não estava sozinho na barca. O superintendente de futebol, Felipe Ximenes, também teve seu vínculo rompido.
O Alviverde correu atrás de Celso Roth para comandar a equipe, nada feito. Caio Júnior, o plano B, também não fechou contrato. Às pressas, a diretoria do Coxa trouxe Péricles Chamusca, que estreou na última quarta-feira - e as perspectivas não são as melhores. O novo comandante presenciou seu time deixar cair um tabu que durava há 15 anos: os paranaenses foram derrotados pelo Flamengo no Couto Pereira, fato que não acontecia desde 1998.
Torcida do Coxa pixou os muros do Couto Pereira (Foto: Reprodução/ Esporte Banda B)
Na décima quinta posição e apenas seis pontos acima da zona de degola, o Coritiba precisa de uma reação imediata para não repetir o rebaixamento de 2009. Para quem chegou a ser cogitado como candidato ao título, pode-se dizer que a crise bateu à porta no Alto da Glória com uma velocidade assustadora. Domingo tem clássico contra o Atlético-PR - uma vitória pode significar a redenção, mas a derrota pode desestabilizar de vez a equipe do Couto Pereira.