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Futebol

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Corinthians: culpar Memphis por Seedorf é covardia

Se o holandês foi indicado pelo atacante, cabe a quem conduz o futebol corintiano avaliar a escolha, em vez de transformar uma sugestão em álibi

11 out 2026 - 15h36
(atualizado às 15h36)
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Resumo
Responsabilizar Memphis Depay por uma eventual contratação de Clarence Seedorf como técnico do Corinthians é uma covardia da diretoria. Embora o atacante possa sugerir nomes, a obrigação de analisar o currículo, negociar e aprovar a chegada do treinador cabe exclusivamente aos executivos e ao presidente. Usar a indicação do atleta como escudo diante de críticas é uma tentativa dos dirigentes de fugir da própria responsabilidade institucional, buscando culpados antes mesmo dos resultados.

A contratação de Clarence Seedorf pelo Corinthians mal entrou em discussão e já há quem tente pendurar a conta no pescoço de Memphis Depay. Se o holandês foi indicado pelo atacante, como aconteceu com Zakaria Labyad, o problema não está em quem sugeriu o nome, mas em quem decidiu transformar a ideia em contratação.

Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Foto: Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte / RTI Esporte

Parece elementar. No Corinthians, aparentemente, precisa ser explicado.

Memphis não é executivo de futebol, não ocupa a presidência e não tem obrigação de transformar palpites em contratações acertadas. Pode sugerir treinadores, recomendar jogadores e defender suas preferências. Faz parte do ambiente do futebol. O que não faz sentido é tratá-lo como autor de uma decisão que depende de negociação, avaliação técnica e aprovação institucional.

Quem negocia é o executivo. Quem assina é o presidente. Ou será que os cargos servem apenas para distribuir cartões de visita e aparecer nas fotografias quando chega alguém com sobrenome internacional?

A cartolagem brasileira tem talento para esse malabarismo. Na hora de anunciar uma contratação, os dirigentes se apresentam como arquitetos do projeto. Quando a escolha desperta desconfiança, surgem as insinuações sobre influências externas. O jogador indicou, o empresário sugeriu, alguém pressionou. De repente, quem tinha a caneta parece não ter participado do negócio.

É a velha política do futebol: reivindicar os méritos antes dos resultados e procurar um culpado antes mesmo de o trabalho começar.

Dirigente não pode ser poderoso só na fotografia

Se Seedorf foi uma indicação de Memphis, cabia aos responsáveis pelo futebol corintiano examinar o currículo do holandês como treinador. A carreira extraordinária como jogador não garante competência à beira do campo. Seus resultados anteriores precisavam ser analisados, assim como sua capacidade de trabalhar sob a pressão que envolve o Corinthians.

Se a aposta foi considerada válida, que seja sustentada. Se der errado, será preciso explicar os critérios utilizados. Transformar Memphis em escudo, porém, é tentar converter uma sugestão em álibi para uma decisão oficial.

Torcedores pressionam, jornalistas opinam, conselheiros cobram e empresários oferecem alternativas. Jogadores também têm voz. Nada disso dispensa quem ocupa cargos de comando de fazer o próprio trabalho.

O Corinthians não precisa de cartolas à procura de desculpas antes mesmo de o treinador começar a trabalhar. Precisa de gente capaz de avaliar uma contratação sem se esconder atrás de quem sugeriu o nome.

Memphis pode indicar até o treinador do Real Madrid. Se o Corinthians contratar, a escolha é do clube. O resto é conversa de quem quer mandar como dirigente e escapar como inocente.

(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.

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