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Entenda os efeitos da altitude durante um jogo de futebol

Com menos oxigênio, atletas podem sofrer diversos problemas; confira quais e as estratégias utilizadas para lidar com a situação

5 mar 2020
17h13
atualizado às 17h52
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Jogadores passando mal à beira do campo e pedindo para serem substituídos; os atletas utilizam cilindros de oxigênio no banco de reservas e no vestiário durante o intervalo. São duas cenas comuns em jogos na altitude. O efeitos são sentidos geralmente em altitudes de 2.400 metros acima do nível do mar. Este tipo de situação ocorre pelo ar ser mais rarefeito e, consequentemente, ter menos pressão atmosférica. Assim, menos oxigênio chega aos pulmões, gerando uma falta do elemento no organismo (situação conhecida como hipóxia). Desta forma, a capacidade aeróbica do corpo humano diminui, pois o oxigênio é necessário para gerar energia para as células e órgãos.

Os efeitos incluem sonolência, dor muscular, fadiga muscular e mental, cefaléia, náusea e euforia, podendo afetar tanto o organismo quanto as faculdades mentais do atleta antes e durante uma partida de futebol. É importante lembrar que um jogo de futebol alterna momentos de grande esforço físico com outros de pouco esforço, exigindo bastante dos sistemas cardiovascular, pulmonar e muscular esquelético.

Em 2007, a Fifa chegou a banir jogos acima de 2.500m de altitude, por potenciais riscos à saúde e por considerar que atletas de times que jogam regularmente nessa altura teriam uma vantagem, já que o corpo passa por um processo natural de adaptação. A Conmebol entrou com reclamação representando as federações de Bolívia, Equador, Peru e Colômbia. Alegou que a proibição era discriminatória para muitas equipes sul-americanas que têm estádios em altitudes maiores e assim a regra foi revogada em 2008.

Outro efeito é que a resistência do ar também fica menor, o que faz a bola viajar mais rápido, o que pode enganar os jogadores de linha ao dar ou receber um passe e, principalmente, os goleiros ao fazer uma defesa ou cortar um cruzamento.

ADAPTAÇÃO

Há dois tipos diferentes de estratégias que permitem atletas de diferentes esportes competirem sem sentir tanto os efeitos da altitude. A primeira delas é viajar a um local de grande altitude de duas a três semanas de antecedência e treinar com intensidade reduzida para algo entre 60% a 70% do normal nos primeiros dias para depois aumentar a carga. Costuma ser mais utilizada nos esportes olímpicos.

No futebol, como esse período de tempo é inviável pelos calendários dos clubes, costuma-se utilizar a estratégia 'fly-in, fly-out', ou seja, chegar o mais perto possível da hora da partida e ir embora logo depois. Estudos com atletas bolivianos demonstraram que, nas primeiras seis horas, os jogadores que jogam sempre na altitude e os que atuam em terras baixas sofriam os impactos da mesma forma ao longo de um exercício intenso prolongado. Após isso, os que não estavam acostumados sofriam muito mais as consequências.

Esta última foi a estratégia adotada pelo São Paulo para a partida de sua estreia na Libertadores 2020. No torneio, o tricolor também terá de lidar com a altitude quando for enfrentar a LDU em Quito, no Equador (2.850 metros acima do nível do mar). Outros times brasileiros passarão pelo problema na fase de grupos do torneio continental: o Flamengo enfrentará o equatoriano Independiente del Valle em Quito; o Athletico-PR joga contra os bolivianos do Jorge Wilstermann em Cochabamba (2.560 metros) e o Palmeiras encara o Bolívar em La Paz (3.640 metros).

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