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Na casa do rival: a derrota do Brasil vista em um bar belga

6 jul 2018 18h08
| atualizado às 20h25
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Gritos de gol e "chope, chope, chope" formaram a trilha sonora de restaurante Chez Vous, recanto belga localizado em Moema, na zona sul de São Paulo, na tarde desta sexta-feira. O espaço ofereceu uma rodada de chope de graça a todos os presentes a cada gol da seleção "endiabrada".

Em uma partida que terminou em 2 a 1 e eliminou a Seleção Brasileira da Copa do Mundo da Rússia, o bar recebeu cerca de 40 belgas e descendentes, misturados a algumas camisas da amarelinha. Os poucos torcedores brasileiros presentes decidiram assistir ao jogo ali porque já eram fregueses. "Sou cliente aqui, é pertinho da minha casa. Eu adoro a culinária deles e resolvi vir, o chope é muito bom - pelo menos eu estou aproveitando as cervejas de graça, mesmo torcendo pro adversário deles", disse Junior Garcia, rindo nervosamente. Ele ainda pediu a entrada de Firmino e chegou a ser atendido pelo técnico Tite, mas não foi o suficiente para que a Seleção revertesse o placar.

Outros brasileiros presentes, no entanto, estavam ali por outros motivos, como Juliane Devaux. "Meu marido é belga, nos conhecemos quando fiz intercâmbio lá. Já são 13 anos juntos", disse apontando para o companheiro, Olivier, imerso em um mar de amigos belgas vestidos a caráter. "Hoje meu coração está dividido, mas queria, no fundinho, que o Brasil passasse sim".

Com o coração dividido também estava o dono do recinto, Lionel Sturnack. Com a camisa da Bélgica e bom português, foi às alturas com o primeiro gol dos Diabos Vermelhos. "Estou feliz, isso é demais. Agora estou torcendo para a Bélgica, claro, mas se o Brasil fizer gol, torcerei para o Brasil. Minha mulher é brasileira, temos uma filha juntos…Mas, por enquanto, é Bélgica", afirmou.

Lukaku, Courtois, De Bruyne e Hazard eram ovacionados a cada vez que tocavam a bola. Quando um contra-ataque era armado, todos se levantavam na área externa do restaurante e gritavam os nomes dos jogadores, da mesma forma que a cada queda de Neymar, camisa 10 e grande craque da Seleção, sinais de simulação de que ele tinha se jogado eram incansavelmente repetidos. Até chegar o gol verde e amarelo.

Diferente de praticamente 90% dos clientes, os garçons e colaboradores da cozinha eram brasileiros. Portanto, o tento de Renato Augusto fez com que a maioria batesse panelas e abrisse um sorriso no rosto, pedindo o mesmo "chope, chope, chope" dos belgas. A promoção, porém, não se estendia a isso.

Os comandados de Tite tentaram, mas a eficiência belga não permitiu que o placar fosse ampliado. Eufóricos, levantando copos e cantando partes do hino nacional da Bélgica, nenhum deles mostrou se importar com o próximo adversário, a França. Pelo contrário, ganhar do Brasil pareceu ser ainda mais importante.

"Sobre a França, é questão para outro momento. Agora, precisamos comemorar… Ganhar do Brasil, para nós, é inacreditável… É como ganhar a Copa", revelou um deles, enquanto consolava a namorada com a camisa do Brasil.

*Especial para a Gazeta Esportiva.

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