Som das vuvuzelas começa a perturbar ouvidos na Copa
- Mark Kiszla
Como há muito temiam os norte-americanos apreciadores do hambúrguer, o futebol por fim conseguiu enlouquecer completamente o mundo. Em seu esforço por causar ruído em todo o planeta, a Copa do Mundo está atacando um mundo indefeso com uma arma chamada vuvuzela. E ouvidos estão sangrando do Alabama a Amsterdã.
E o mundo está gritando de volta: Ei, vamos calar essa coisa!
A vuvuzela parece uma inofensiva corneta plástica. Um simples brinquedo, à primeira vista. Mas mais de 500 mil vuvuzelas estão disponíveis na África do Sul, e, mais rápido do que você conseguiria dizer "Didier Drogba", os organizadores do torneio se viram obrigados a enfrentar uma ruidosa praga que perturba todos os jogos e cada uma das transmissões televisivas.
"É quase como se a África do Sul tivesse sido invadida por um milhão de abelhas", disse Ian Darke, narrador esportivo de televisão, no domingo. O som do jogo parecia estar sendo transmitido do lado escuro de Marte, e a ação em campo submergia sob o rugido incansável das vuvuzelas, capazes de rachar as orelhas dos ouvintes com um volume de 125 decibéis.
Para as pessoas que não sabem como falar o idioma do futebol, a pronúncia correta é vu-vu-ZÉ-la. E é como se fosse um instrumento sonoro de destruição em massa. A vuvuzela representa a maior ameaça de perda permanente de audição em um estádio desde que Roseanne Barr foi proibida de cantar o hino nacional dos Estados Unidos na abertura de jogos.
As coloridas cornetas plásticas custam apenas US$ 3, têm o comprimento de uma tromba de elefante e ameaçam ensurdecer o maior evento esportivo do planeta.
"Pedimos que os espectadores não usem as vuvuzelas durante os hinos nacionais ou quando os locutores dos estádios estão fazendo seus anúncios", disse Danny Jordaan a jornalistas na África do Sul, admitindo que o comitê organizador da Copa do Mundo, que ele preside, considerou a possibilidade de proibir as cornetas. "Sei que é uma questão difícil. Estamos tentando administrá-la da melhor maneira possível".
De onde terá surgido essa bizarra fascinação dos torcedores de futebol pelas cornetas?
Embora a origem exata da palavra esteja envolta em mistério, alguns intrépidos etimologistas identificam raízes no idioma zulu e acreditam que, se traduzida de maneira liberal, vuvuzela quer dizer "surdo de cansaço".
Agora, mesmo que ao risco de ver confiscado o meu direito natural de pedir refeições superzise no McDonald's, permitam-me confessar que sou aquele raro norte-americano que realmente ama o futebol, apaixonadamente.
Os jogos decididos por um a zero não me incomodam. Aprecio até mesmo, em certa medida, a bizarra tradição dos torcedores mais fanáticos de acender fachos sinalizadores nas arquibancadas para celebrar gols. Mas a vuvuzela está transformando um belo esporte em algo semelhante a arranhar isopor com as unhas.
Não quero dizer com isso que a engenhosidade norte-americana não mereça sua parte da culpa por desenvolver maneiras insensatas de produzir barulho em estádios de esportes. Precisamos aceitar a culpa pelos sininhos cowbell, pelo thunderstick e pela imortal ola, na qual todo mundo e sua tia espera sua vez de se levantar e mostrar ao mundo que precisaria perder alguns quilos.
Mas enquanto assistíamos ao empate dos Estados Unidos contra a velha e ranzinza Inglaterra, por um a um, em nossos televisores, quantos milhões de telespectadores norte-americanos terão mostrado reações imediatas iguais às do ciclista Lance Armstrong?
"O que são essas buzinas no estádio?", ele perguntou no Twitter. Depois de ser informado sobre a fonte de poluição sonora, ele comentou: "Não quero ofender a turma da vuvuzela, mas, cara, eles estão exagerando".
Os torcedores de futebol não são conhecidos por cantar? Como podem atestar astros do rock, a exemplo de Paul McCartney e Bono Vox, não existe continente capaz de cantar com o mesmo talento da África.
Seria assim tão difícil criar cestas para recolher as vuvuzelas do lado de fora dos estádios da Copa? Se os norte-americanos têm de deixar suas garrafas de cerveja gelada fora do estádio ao entrarem para assistir aos jogos de futebol americano da NFL, os torcedores de futebol certamente poderiam ser treinados a largar as vuvuzelas na porta.
Acabem com esse barulho. Por favor.
Pelo amor de Deus, e por tudo que o futebol tem de sagrado, ponham fim à tortura incessante desse ruído sem sentido.
Será que estamos sendo apenas norte-americanos chatos por reclamar? Ei, não façam que enviemos Will Ferrell, que ganhou fama em "Saturday Night Live" e interpretou um pai infernal de jogador de futebol em "Kicking & Screaming", a Johannesburgo, para resolver essa situação.
Por que vocês sabem que som poderia ser mais irritante que o de uma vuvuzela no estádio?
O de sininhos.
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