Saiba mais sobre Booth e o tabu de brancos no futebol local
- Dassler Marques
As atuações de destaque que Matthew Booth teve durante a Copa das Confederações, quando sua África do Sul deu imenso trabalho a Brasil e Espanha, ficando com o quarto lugar, lhe tornaram definitivamente uma personalidade local.
Foi um dos três nativos convidados para o sorteio da Copa do Mundo e o único a calçar chuteiras - fruto da ovação constante que recebeu das vuvuzelas durante a competição. Os gritos de "Boooooooth", tradicionais dos sul-africanos, se assemelham a uma vaia, mas eram verdadeiramente reverência ao jogador.
O detalhe é que a população negra, reconhecida por adorar o futebol no país, é que preenchia as arquibancadas. Tradicionalmente na África do Sul, os brancos preferem o rúgbi.
"Eles (brancos) também gostam de jogar futebol e se você olha para a Liga Sul-Africana também verá vários jogadores brancos. O problema é que muitos fãs só assistem ao futebol europeu e não vêm assistir ao futebol local", pontua Booth, que prefere usar aspas para classificar a cor de pele. Ele cita Fernandez, Pattion e Carnell como outros brancos que podem jogar a Copa do Mundo.
O casamento entre negros e brancos, proibido durante longo período na África do Sul, jamais inibiu Booth. Ele é casado desde 2006 com a bela modelo Sonia Bonneventia, antiga miss África do Sul.
Tensão racial
Na última semana, dois trabalhadores rurais sul-africanos espancaram Eugene Ney Terre'Blanche até a morte. Famoso líder neonazista no país, Eugene não pagou os salários da dupla, ambos seus empregados.
O fato, que agitou a terra da próxima Copa e deu margem até a um movimento de boicote, ocorreu em seguida a um ataque à mulher branca Anika Tikkie Smith, que teve as mãos decepadas.