De 94 a 98: pouco mudou entre anos que quase deram bi ao Brasil
- Israel Stroh
"Em time que ganha não se mexe". No máximo, um detalhe na comissão técnica, não mais que isso. Foi assim que o Brasil deixou a Copa do Mundo de 94 e chegou até a da França, quatro anos mais tarde. Por uma partida, a final mais polêmica de todos os Mundiais, a tática não deu certo.
A Seleção Brasileira viveu uma lua de mel depois do título nos Estados Unidos. Os comandados por Zagallo, que era auxiliar técnico e substituiu Carlos Alberto Parreira após o tetra, perderam pela primeira vez em 96, invencibilidade de um ano e meio pós-Copa.
As mudanças foram feitas aos poucos. Taffarel seguiu absoluto com a camisa 1, assim como Dunga, Aldair e Bebeto. Ronaldo foi se tornando o dono da número 9, espaço que demoraria para perder, mas que deixou um buraco na partida mais importante, diante da França, por uma possível convulsão. O vice-campeonato não é um mau resultado, mesmo assim rendeu críticas. Para muitos, foi um time sem renovação e que, sem Ronaldo, ficou sem alternativas.
"Era uma boa equipe. Houve erros, descuidos, como nesse ano. Falaram que era um time velho, mas houve mudanças junto com a continuidade do trabalho de 94. E faltou muito pouco para o título. Creio que não esperavam que a França iria se superar como aconteceu naquele ano, naquela partida", lembra Zetti, campeão em 94 e presente no início da "era Zagallo".
O que aconteceu 16 anos atrás, no entanto, deve ser o oposto do que se espera. Atual auxiliar, Jorginho está descartado no comando, que deve ser assumido por Luiz Felipe Scolari, Leonardo ou Mano Menezes. Juan, Maicon, Gilberto Silva, Luís Fabiano e Elano não devem disputar uma nova Copa do Mundo, mas Zetti espera que as mudanças não sejam radicais.
"Não acho que precise mudar tudo. O Kaká, o Robinho e mais alguns jogadores podem jogar mais uma Copa. Acho que as outras seleções começaram a buscar o individualismo e aí ficou mais equilibrado", comenta Zetti, que pediu calma na definição do novo treinador.
"Foi uma Seleção organizada, até com cobrança exagerada lá dentro para que as coisas não saíssem do controle. O novo técnico deve ser definido com calma, porque é uma escolha que não tem volta. Os treinadores mais cotados estão nos clubes, podem não querer sair agora. O jeito é procurar um treinador disposto a assumir até o final do ano e deixar isso claro desde cedo".
Confira as mudanças na escalação do Brasil entre 94 e 98:
Brasil 0 x 0 Itália. Final da Copa do Mundo: Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; Dunga, Mauro Silva, Mazinho e Zinho; Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Brasil 2 x 0 Iugoslávia. Primeiro jogo da Era Zagallo: Zetti, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; César Sampaio, Dunga, Marques e Zinho; Ronaldo e Viola. Técnico: Zagallo.
Brasil 2 x 1 Escócia. Estreia na Copa do Mundo da França: Taffarel, Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Rivaldo e Giovanni; Ronaldo e Bebeto. Técnico: Zagallo.
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