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Copa América

A outra Copa América: as chilenas são duras no jogo, pero...

Lance de "pegação" não é muito com elas, preocupadas com "o que vão pensar de mim". Mas isso não quer dizer que você não vai se dar bem

23 jun 2015 - 13h53
(atualizado às 16h10)
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Quem é que não lembra daquele movimento machista do sul do Brasil, que causou revolta nas mais feministas, principalmente nas redes sociais, de que as brasileiras estariam “passando o rodo” nos gringos durante a Copa do Mundo? Guardadas as devidas proporções, até porque se trata de um torneio continental, é um pouco do que passam as chilenas nesta Copa América, com a diferença de que, mais tímidas, elas resistem mais ao quesito "pegação" do que as "rivais" peruanas e colombianas. Estas sim, mais atuantes “no mundo do crime”.

Há duas semanas em terras chilenas, com passagem por Temuco e voo marcado para Concepción, tendo se concentrado a maior parte da cobertura na capital Santiago, a reportagem do Terra conversou com muitas chilenas, todas solteiras. E também com peruanas e colombianas sem previsão de matrimônio, para saber se elas estão aproveitando a "onda boleira" no Chile - afinal, assim como aconteceu no Mundial 2014, não adianta pensar que vai chover mulher na horta, amigos chilenos, porque em geral quem viaja para ver in loco torneio de futebol é homem mesmo. Com algumas exceções, claro.

Chilenas são mais tímidas
Chilenas são mais tímidas
Foto: Raul Sifuentes / Getty Images

Os personagens estão com nomes fictícios porque, se já foi duro quebrar a resistência das chilenas diante da timidez que elas admitem ter, imagina então dar nome, sobrenome, profissão etc. Maciçamente católico, o povo do Chile tem bastante difundido o conceito da mulher “cartucha”, a gíria local que designa a chilena como carola, educada em colégio dos mesmos preceitos.

"Homem no Chile fica chocado quando mulher gosta de futebol, sabe discutir isso com ele", conta Roberta Firmina, 33 anos, engenheira de uma multinacional japonesa com sede em Santiago. "Eu adoro tênis, por exemplo. Tinha um namorado que simplesmente não suportava eu ficar falando sobre isso com os amigos dele. Mulher bem sucedida, então, nossa, deixa o cara louco. O homem chileno gosta em geral de mulher que ajuda no orçamento, beleza, mas que não seja tão independente assim”, completa ainda.

Assim mata o estagiário! Musa do Peru se exibe antes de jogo:

Adepta dos aplicativos de relacionamento, ela diz que “bombaram brasileiros no meu Tinder”, e que “me sinto fora da curva, difícil achar homem que me aceite do jeito que eu sou aqui no Chile”. Perguntada se prefere, então, encontros mais "a dois" do que sair em uma balada para conhecer gente, confessa que sim: “mais fácil para mim. Mas não teria problema também. Acho que é porque estou mais velha mesmo e gosto de encontros. Se é estrangeiro, mais fácil, porque eu não tenho problema de levar para a casa no primeiro encontro”.

Sexo no primeiro encontro, em geral, é tabu para as chilenas. Mas, assim como em todos os povos do planeta, claro que acontece. “Principalmente por essa questão do proibido”, explica Daniela Alves, 32 anos, consultora de marketing de uma importante empresa chilena. “Você já reparou como as chilenas, em geral, andam em grupos nas discotecas?”, perguntou para a reportagem, que depois de alguns segundos pensando, acena positivo - de fato, se não são um time de futebol, estão em geral em quatro, cinco mulheres.

“Assim a gente fica mais tranquila para se soltar, para dançar, rebolar. Dá uma segurança maior porque a amiga ao lado está fazendo a mesma coisa”, admite Daniela. “Não quer dizer que a gente não vai beijar, e até transar. Mas a gente se preocupa mesmo com o que os outros vão pensar, com o que o homem vai pensar. Não é toda chilena que sai ficando com os caras. É preciso ter paciência com a gente”, complementa.

Chilenas competem com estrangeiras durante Copa América
Chilenas competem com estrangeiras durante Copa América
Foto: Alex Reyes / Getty Images

As pistas de dança do Chile, claro, ou mesmo os bares, estão longe de ser uma catequese. Você vê gente se pegando, sim. Mas em algumas ocasiões é preciso ter paciência e bom papo - além de resistir bravamente se a mulher se insinuar para você, mas não deixar que você a agarre e a beije de primeira. Um jornalista brasileiro em Temuco, por exemplo, que obviamente não quer ter o nome revelado, disse que na balada do hotel onde a Seleção Brasileira ficou concentrada, dançou com uma temuquense a noite toda e só foi “marcar gol” aos 45 minutos do segundo tempo (4h da manhã). “Já estava bêbado”, diz.

Na balada Las Urracas, em Santiago (foto abaixo), um grupo de garotas em torno de 25 anos fazia uma despedida de solteira para uma delas. Em roda, aos poucos, foram deixando com que outros homens se aproximassem até que uma delas, enfim, se soltou e beijou um brasileiro que já “trabalhava ali há um bom tempo”. Parece que foi a senha para que as outras “chutassem o pau da barraca” e fossem ser feliz na vida - do grupo que deveria ter umas, sei lá, nove mulheres, contei em um momento umas quatro que beijaram na boca. Beijaram na boca. Logo depois, foram todas embora. Juntas.

Las Urracas, balada forte de Santiago, recebeu muitos "gringos" brasileiros e de outros países da América do Sul no último final de semana
Las Urracas, balada forte de Santiago, recebeu muitos "gringos" brasileiros e de outros países da América do Sul no último final de semana
Foto: André Naddeo / Terra

“A gente não tem muito essa de ficar com mais de um cara por noite”, revela Miranda Luiz, 27 anos, analista de recursos humanos. “Só aconteceu comigo uma vez. As peruanas e colombianas são mais tranquilas nisso”, conta ainda. Ou seja, se as chilenas, como finaliza Miranda, “criam listas no Facebook para filtrar o que as famílias podem ver ou não na sua timeline”, as vizinhas já são mais tranquilas.

“Repara nessa bunda”, aponta a peruana, de Lima, Felipa Luiza, enquanto uma morena alta, de bumbum (aparentemente) durinho, entra na casa de salsa colombiana Massatto, em Vitacura, bairro nobre de Santiago. “Isso jamais vai ser uma bunda chilena. Isso é uma bunda colombiana”. Entre duas passagens, ela já está na capital chilena há sete anos - acumulou outros quatro vivendo em São Paulo. Felipa conta que “se está usando calça apertada, já se sabe que não é uma chilena”. “Elas são tímidas, e também não têm tanta bunda assim”.

Mais confiantes, e independentes também, colombianas e peruanas são alvo de preconceito, em alguns momentos, do povo chileno - que os veem como uma classe inferior, digamos assim. “Outro dia um cara veio e me perguntou de onde eu era. Quando falei que era peruana, ele mandou: ‘ah, a minha empregada em casa também é peruana’. Logo ele percebeu o que falou, e ficou com tanta vergonha que saiu. Existe isso, mas eu não deixo, não, falo mesmo. Tem chileno que pensa, por exemplo, que colombiana é tudo puta”, diz.

Para fechar esta breve avaliação de um brasileiro sobre o comportamento chileno, Felipa conta a última curiosidade que resume bem tudo o que se falou nesse texto. “Por isso que os reality shows aqui são todos formados por peruanos, colombianos, argentinos e até brasileiros. Botam uns dois chilenos ali só para constar. Se não, não vai ter pegação, não vai acontecer nada”.

Fonte: Terra
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