Opinião: está proibido duvidar da Argentina, forjada no drama; mas só garra pode não bastar contra a Inglaterra
Argentinos vão para a semi após mais um jogo dramático, desta vez contra a Suíça. Inglaterra será primeiro rival de força pelo caminho
Não é totalmente justo dizer que a Argentina chega às semifinais da Copa do Mundo pela quarta vez consecutiva, tentando sua terceira final neste período e a segunda taça seguida, só pegando adversários fracos. Messi e seus colegas, dirigidos pelo paizão Scaloni, têm seus méritos. Mas é correto dizer que o grande rival só vai aparecer agora, a um passo da decisão: a Inglaterra.
Neste sábado, os tricampeões mundiais, que já haviam se complicado contra o estreante Cabo Verde e contra o qualificado Egito, mais uma vez sofreram mais do que precisavam contra uma correta Suíça e só venceram com dois gols no final da prorrogação.
Após abrirem o placar no início do primeiro tempo, os sul-americanos pouco assustaram, e viram os europeus terem mais posse de bola e mais chances de gol na segunda etapa, quando chegaram ao empate e só não viraram porque pararam nas mãos do goleiro Dibu Martinez. A Suíça só se acanhou depois de peder Embolo, expulso, e ter que colocar seus nove homens de linha dentro da área para conter o ímpeto argentino e arrastar o jogo.
Apesar da assistência para MacAllister, o que se viu hoje foi um Messi pouco inspirado. Ainda assim, teve duas chances de ouro na reta final do tempo regulamentar para assegurar a vitória, ambas caprichosamente foram para fora: uma por cima, outra raspando a trave esquerda.
Não falta resiliência aos argentinos, e depois do que se viu nos últimos três jogos, muito menos garra ou coragem ou sorte. E eles têm Messi, que desequilibra qualquer balança. Mas contra a Inglaterra vão precisar de mais.
Na semifinal em Atlanta, na próxima quinta-feira, os dois campeões mundiais se encontram para colocar mais lenha na fogueira em uma rivalidade que ultrapassa os campos e ganha os livros de história, aqueles que contam sobre a Guerra das Malvinas.
Os dois times chegam cansados por jogarem prorrogação, mas com calibragens diferentes. A Argentina tem o Messi de sempre. Mas a Inglaterra chega com Harry Kane e, principalmente, Bellingham, o 10 que fez dois gols na Noruega e despachou Haaland para casa.
Não é como se a Inglaterra tivesse tido os adversários mais difíceis da Copa, mas certamente, na técnica e na tática, foi mais testada do que a Argentina. Os sul-americanos tiveram na mente seus maiores desafios.
Se estatística quiser dizer alguma coisa, espera-se para Atlanta uma partida com muitos gols. Dos quatro semifinalistas, Inglaterra e Argentina foram os times mais vazados, seis vezes cada um, e os argentinos foram os que mais marcaram. Vai ser desfile de craques em campo e clima de Libertadores contra "Wonderwall" nas arquibancadas.
A cada jogo parece que vamos ver a última dança de Messi, mas ele e a Argentina se superam. Não se pode duvidar deles.
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