Cadê o Endrick? Baixa participação defensiva pode explicar cautela de Ancelotti ao abordar atacante
Números aquém do esperado sem a posse de bola ajudam a entender a ausência do jogador no esquema tático do treinador italiano
Críticas recentes dirigidas a Endrick na França, além das análises por sua situação na Seleção Brasileira, apontam para um aspecto técnico do jogador que vai além dos gols: a participação sem bola e a contribuição coletiva, fatores que podem ajudar a explicar o porquê de o atacante ainda ter papel secundário no elenco de Carlo Ancelotti, especialmente na Copa do Mundo de 2026.
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Durante a temporada no Lyon, por exemplo, o atacante de 19 anos chegou a ser criticado publicamente pelo treinador Paulo Fonseca, em abril passado, após ser expulso diante do Nantes, pelo Campeonato Francês.
"Endrick precisa fazer mais para se firmar como uma opção e se destacar. Ele está pagando o preço por ficar muito tempo sem jogar antes de chegar ao Lyon", comentou Fonseca. Paralelamente, jornais franceses, como o tradicional L'Equipe, criticaram a capacidade do atacante de influenciar as partidas.
Tais observações convergem para o mesmo ponto: a exigência por maior envolvimento nas diferentes fases do jogo. E os números ajudam a contextualizar o debate. Embora Endrick mantenha boa média ofensiva, os indicadores defensivos aparecem em patamar modesto para um atacante inserido em sistemas que demandam pressão constante.
Dados do FBref e do Sofascore, sites especializados em estatísticas do futebol, apontam para um baixo volume de desarmes, interceptações e ações de recuperação de posse, além de participação limitada em disputas defensivas.
Em 24 partidas jogadas pelo Lyon na temporada, Endrick registrou 18 desarmes e 4 interceptações. A título de comparação, o atacante Raphinha, com quem Endrick disputa posição na Seleção Brasileira, registrou 30 desarmes e 9 interceptações em 33 partidas jogadas com a camisa do Barcelona.
Nesse quesito, Raphinha acaba sendo priorizado no esquema de Ancelotti não só pela participação na construção ofensiva, mas pela capacidade de oferecer intensidade sem a bola, pressionar a saída adversária e colaborar na recomposição.
Outra comparação, levantada pelo jornal espanhol As, se dá entre Endrick e Matheus Cunha. O periódico considerou que, na formação proposta pelo treinador italiano, o atacante do Manchester United destaca-se pela capacidade de pressionar os zagueiros adversários, fechar linhas de passe e participar da construção, garantindo maior equilíbrio tático.
Vale destacar que a discussão não trata de talento ofensivo, já que Endrick continua sendo visto como um jogador decisivo e de enorme potencial, haja vista a repercussão gerada por sua ausência no empate entre Brasil e Marrocos, no último sábado, 13, na estreia na Copa do Mundo de 2026.
No entanto, em um cenário em que o futebol exige que os atacantes atuem como uma espécie de primeiros defensores, os questionamentos feitos na França e as análises sobre a Seleção convergem para a conclusão de que a pouca participação defensiva e a menor contribuição sem bola são determinantes para que Ancelotti mantenha cautela na utilização do jovem atacante, apesar do reconhecido poder de decisão no terço final do campo.

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