Árbitro da Somália barrado nos EUA ainda pode apitar jogos da Copa?
Omar Abdulkadir Artan teve entrada nos EUA negada e acabou cortado do Mundial
Omar Abdulkadir Artan, de 34 anos, estava prestes a se tornar o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo. No sábado, 6, no entanto, ele foi barrado pelos agentes alfandegários no setor de imigração do aeroporto de Miami, nos EUA. O juiz relatou que ficou 11 horas sendo interrogado e chegou a ser levado a uma cela de retenção antes de ser deportado.
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Na segunda-feira, 9, o Premier da Colúmbia Britânica, David Eby convidou Artan para apitar jogos do Mundial que vão acontecer em Vancouver, no Canadá. A cidade receberá um total de sete jogos na Copa. Apesar da sugestão de Eby, a concretização desse cenário é improvável.
Embora as escalas dos árbitros para todos os jogos da Copa não estejam ainda definidas, não há possibilidade de Omar Artan apitar nenhum jogo fora dos EUA, já que a Fifa o retirou da lista de árbitros do torneio, que também acontece no México.
Artan não poderia atuar nesses países, pois por questões logísticas e de segurança, todos os profissionais de arbitragem precisam permanecer concentrados na base, em Miami, o que inviabilizaria a participação do somali sem acesso aos Estados Unidos.
O árbitro, inclusive, já retornou para a Somália, onde desembarcou nesta quarta-feira, 10, e foi recebido com festa. Em entrevista à Reuters no Aeroporto de Istambul, onde aguardava o voo para Mogadíscio, o árbitro afirmou que encarava a situação com tranquilidade.
"Estou me sentindo muito bem agora. E queria agradecer à Fifa por me apoiar o tempo todo e também ao povo somali. Portanto, sou muito grato à Fifa e à CAF também. É isso que tenho a dizer", disse Artan.
Integrante da lista final de oficiais de arbitragem selecionados pela Fifa para a competição, ele é considerado um dos principais nomes da arbitragem africana e, em 2025, foi eleito o melhor árbitro masculino do continente.
Entenda o caso
Segundo reportagens da imprensa internacional, o árbitro possuía um visto válido para entrar nos Estados Unidos. Ainda assim, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Miami teve a entrada negada após passar por uma inspeção adicional.
Sem citar o nome de Artan, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) informou que um cidadão somali vindo de Istambul foi considerado inadmissível por causa de "preocupações com a verificação de antecedentes". O órgão não detalhou quais seriam essas questões. No ano passado, o governo Trump também impôs uma proibição de viagens a cidadãos de 12 países, entre eles a Somália.
O governo somali afirmou que tentou, sem sucesso, negociar com as autoridades norte-americanas e com a Fifa para viabilizar a entrada do árbitro no país. Em nota, o Ministério do Esporte lamentou o episódio e destacou a importância da trajetória de Artan. "Suas conquistas internacionais são motivo de honra e orgulho para o povo somali", declarou.
A Federação Somali de Futebol, por sua vez, informou que ainda não recebeu uma explicação oficial para a recusa e disse estar trabalhando em conjunto com a Fifa e as autoridades competentes para esclarecer o caso.
De acordo com um porta-voz da entidade máxima do futebol, a Fifa "não está envolvida nos processos de imigração do país anfitrião, incluindo a concessão de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento".

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