Time da favela México 70 ganha camisa autografada por Chicharito
O Bar do Deca viveu uma manhã gloriosa neste sábado. Reunidos no local que abriga parte de seus troféus, representantes do time de futebol da favela México 70, localizada em São Vicente, receberam da Gazeta Esportiva uma camiseta da seleção autografada pelo astro Chicharito Hernández.
Com milhares de moradores, a comunidade do México 70, uma das maiores da Baixada Santista, foi formada na época do tricampeonato mundial conquistado pela Seleção Brasileira e batizada em homenagem à calorosa acolhida oferecida ao time liderado por Pelé.
No domingo passado, a reportagem visitou o campo do Grêmio Esportivo Unidos 70, equipe que representa a favela há mais de 30 anos. Sem hesitar, os integrantes do time varzeano manifestaram apoio à seleção da América do Norte durante a Copa do Mundo do Brasil.
O México escolheu a cidade de Santos como base e vem treinando no CT Rei Pelé, a poucos quilômetros de São Vicente. A pedido da Gazeta Esportiva, o atacante Chicharito, astro do inglês Manchester United, autografou uma camisa para a comunidade.
"O Chicharito é um craque e mostrou agora que também é uma pessoa humilde", afirmou João Batista dos Santos, o Dandão, técnico do Unidos 70, olhando para a assinatura logo acima do número 14, utilizado pelo atacante no Manchester e na seleção. "A gente agradece de coração e torce para que dê tudo certo na carreira dele", completou.
O souvenir provocou algazarra no Bar do Deca. Animados com a camiseta autografada pelo astro, os mexicanos, como são conhecidos os moradores da favela, gastaram o dedo indicador em inúmeros cliques. Um antigo zagueiro do time parou seu caminhão no meio da rua para ver o uniforme, atrapalhando o trânsito local.
| Foto: Yuri Cortez/AFP |
| PAI E AVÔ JOGARAM COPA |
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No Brasil, o atacante Javier "Chicharito" Hernández Balcázar participa de uma Copa do Mundo pela segunda vez na carreira. A história da família na competição, porém, foi iniciada muito antes. Tomás Balcázar, avô do jogador de 26 anos, disputou a Copa de 1954 e chegou a marcar diante da França. Já Javier Hernández Gutiérrez, pai do atleta, integrou a delegação em 1986, quando o México alcançou as quartas de final, seu recorde. O atacante do Manchester United herdou o apelido do pai, chamado de Chícharo (ervilha) pelos olhos verdes. Desde 2012, ele é embaixador da boa vontade da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) México. |
A alegria sincera, mais facilmente legível no olhar das pessoas simples, encheu o diminuto bar, enfeitado pelas taças conquistadas pelo Unidos 70. "Vamos enquadrar a camiseta e levá-la para o pessoal ver no campo. Depois, ela volta pra cá", explicou o professor Dandão.
O time que representa a favela vicentina preparou uma camiseta especial para retribuir o presente. Com a inscrição México 70 nas costas, a peça tem até o escudo da Federação Paulista de Futebol (FPF) e será encaminhada à delegação da seleção pela reportagem.
Embora seja a maior estrela do elenco, Javier "Chicharito" Hernández Balcázar vem sendo utilizado pelo técnico Miguel Herrera apenas no segundo tempo. Ele entrou nos três jogos da fase de grupos e marcou na vitória por 3 a 1 sobre a Croácia, na Arena Pernambuco.
Com os mesmos sete pontos ganhos do Brasil, o México, inferior no saldo de gols, passou como segundo colocado do Grupo A da Copa do Mundo. Às 13 horas (de Brasília) deste domingo, o time da América do Norte enfrenta a Holanda, no Castelão.
"Estamos felizes, porque o México vem seguindo o seu caminho e torcemos muito por eles. O jogo contra a Holanda vai ser muito equilibrado, talvez com decisão nos pênaltis. Esperamos que o México consiga passar de fase e faça a final contra o Brasil", sonhou Dandão.
*Colaborou Tiago Salazar, de Santos