Seleção portuguesa, com Eusébio, era criticado por alguns setores políticos na década de 60
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Em meio a uma situação política de disputas acirradas e troca de acusações devido à crise econômica, que é uma das piores entre os países da União Europeia, a morte do ex-atacante Eusébio foi o único motivo de consenso entre os vários setores da sociedade portuguesa.
Considerado o melhor jogador de futebol da história de Portugal e o grande rival de Pelé como melhor do mundo, Eusébio da Silva Ferreira morreu aos 71 anos na madrugada deste domingo, devido à insuficiência respiratória.
Nascido em Moçambique quando o país era colônia portuguesa, Eusébio foi a grande estrela do Benfica e da seleção portuguesa nas décadas de 1960 e 1970.
O governo português decretou três dias de luto nacional e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou que o ex-atacante era "um gênio do futebol e um exemplo de humildade, um atleta de excelência e um homem generoso e solidário".
Melhor jogador da Copa do Mundo de 1966 morre em Portugal:
Já o líder do Partido Socialista, Antônio José Seguro, disse que "Portugal perdeu hoje um de seus símbolos".
O líder do Partido Comunista, Jerônimo de Sousa, divulgou uma declaração afirmando que "Portugal perdeu aquele que foi o símbolo maior do esporte nacional".
Durante a ditadura, os comunistas costumavam falar que os três Fs - Fátima (o culto a Nossa Senhora de Fátima), o fado e o futebol - eram os responsáveis pela manutenção do regime antidemocrático.
Homenagem dos adversários
Até os principais rivais do Benfica uniram-se no momento da morte do "king" (rei, em inglês), um dos apelidos de Eusébio, que também era chamado de pantera negra.
O Sporting, que até Eusébio começar a jogar tinha o mesmo número de títulos que o Benfica, divulgou nota de pesar afirmando que morreu um dos símbolos do futebol português.
Nos 15 anos em que Eusébio jogou pelo Benfica, o clube conquistou 11 títulos e o Sporting, 4.
O presidente do Futebol Clube do Porto, o atual rival do Benfica, publicou uma nota no site do clube dizendo que "morreu um dos maiores símbolos da modalidade. O maior jogador português de sua geração e, sobretudo, um grande ser humano e um exemplo de fair play".
Também houve mensagens de políticos lamentando a morte do jogador. O presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, afirmou que "hoje é um dia triste para o futebol europeu e mundial".
Mesmo as ex-colônias portuguesas enviaram notas oficiais. Foram enviadas notas de condolências por parte dos governos de Timor Leste e até de Guiné-Bissau.
O país se encontra em conflito diplomático com o governo português depois de o ministro do Interior ter obrigado o embarque para Lisboa num avião da empresa portuguesa TAP que levava 74 sírios com passaportes falsos. Por causa disso, os voos de Bissau para Lisboa foram cancelados.
Em Portugal, todos os telejornais da manhã e da tarde deste domingo iniciaram com a notícia do falecimento daquele que é considerado o maior jogador de futebol da história do país de todos os tempos e exibiram reportagens especiais sobre a vida e as conquistas da grande estrela do Benfica e da seleção portuguesa.
O corpo de Eusébio será velado no Estádio da Luz de Lisboa, onde ele jogou, e o enterro será na tarde desta segunda-feira.
Considerado o maior jogador português de todos os tempos, Eusébio morreu neste domingo em Lisboa, após sofrer uma parada cardiorrespiratória
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Eusébio nasceu em Moçambique, país africano que era antiga colônia portuguesa, filho de pai angolano e mãe moçambicana
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O ex-craque começou a carreira no Sporting Lourenço Marques, filial do Sporting de Lisboa, e chegou a ser indicado ao São Paulo na década de 1960; o clube brasileiro, porém, preferiu não dar andamento às negociações
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Foi defendendo a camisa do Benfica que Eusébio atingiu o auge da carreira esportiva na década de 1960
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Eusébio foi o grande astro da seleção portuguesa na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra
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A equipe liderada pelo "Pantera Negra" conquistou em 1966 o melhor resultado de Portugal em uma Copa do Mundo: o terceiro lugar. Na campanha, os lusitanos passaram pelo Brasil na fase de grupos
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Com dois gols de Eusébio, Portugal derrotou o Brasil por 3 a 1 na última rodada da fase de grupos e eliminou a Seleção da Copa de 1966
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Eusébio foi o artilheiro da Copa de 1966, com nove gols
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A seleção portuguesa, porém, caiu nas semifinais para a Inglaterra, país-sede e que se tornaria a campeã do Mundial de 1966
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Eusébio posa ao lado de Bobby Moore (à esquerda), zagueiro da seleção inglesa campeã do mundo em 1966
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Português exibe a Chuteira de Ouro após marcar 43 gols na temporada 1967/68. Eusébio foi o primeiro jogador a receber o prêmio
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Eusébio ajudou o Benfica a conquistar a sua segunda (e por enquanto última) taça da Copa Europeia, hoje chamada de Liga dos Campeões. Em 1962, ele marcou os dois últimos gols do clube português na vitória por 5 a 3 sobre o Real Madrid
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Eusébio deixou o Benfica em 1975 e encerrou a carreira em 1980
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O maior astro português considerava Garrincha - e não Pelé - o melhor jogador de todos os tempos
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Eusébio era figura presente nas partidas da seleção portugesa. Em 2000 (foto), acompanhou a campanha do país na Eurocopa, até a semifinal
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Eusébio posa para foto ao lado do ex-craque brasileiro Zico
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"Pantera Negra" acompanha o trabalho de Luiz Felipe Scolari à frente da seleção portuguesa; o treinador brasileiro levou Portugal à semifinal da Copa de 2006 pela segunda vez na história do país - a primeira havia sido em 1966, com Eusébio em campo
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Eusébio recebe homenagem ao lado de Cristiano Ronaldo, atual referência do futebol português
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Benfica possui uma estátua de Eusébio nas dependências do Estádio da Luz; o "Pantera Negra" ajudou o clube a vencer 11 vezes o Campeonato Português
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A saúde de Eusébio estava debilitada desde 2012, quando o ídolo português sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) enquanto acompanhava a seleção do país na Eurocopa
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Em setembro de 2013, Brasil e Portugal fizeram amistoso nos Estados Unidos e Eusébio foi homenageado por Pelé e pela CBF
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