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Terra na Copa

Ainda incompleto, estádio mais caro do País tenta justificar R$ 1,2 bi

Entorno do polêmico Estádio Nacional de Brasília, que abre a Copa das Confederações neste sábado, ainda tem obras que nem foram licitadas. Por isso, há o temor velado de que os custos finais cheguem até R$ 2 bilhões

15 jun 2013 - 09h01
(atualizado às 09h18)
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O Estádio Nacional de Brasília será palco da abertura da Copa das Confederações no próximo dia 15, com partida entre Brasil e Japão. O jogo terá casa lotada, com 70 mil espectadores. A organização, no entanto, seguirá os moldes da Fifa, que requer mais planejamento e antecedência do torcedor. Veja a seguir as principais dicas que os organizadores dão para quem for assistir ao jogo na capital federal.
O Estádio Nacional de Brasília será palco da abertura da Copa das Confederações no próximo dia 15, com partida entre Brasil e Japão. O jogo terá casa lotada, com 70 mil espectadores. A organização, no entanto, seguirá os moldes da Fifa, que requer mais planejamento e antecedência do torcedor. Veja a seguir as principais dicas que os organizadores dão para quem for assistir ao jogo na capital federal.
Foto: Getty Images

Pretensões faraônicas, estouro no orçamento, atrasos e inauguração incompleta. Demolido a marretadas e reconstruído para abrir a Copa das Confederações neste sábado, o Estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha, revive em 2013 a epopéia de sua construção na década de 1970. Desta vez, já há a confirmação de que se superou a quantia de R$ 1,2 bilhão. A convicção de que vai se superar também R$ 1,5 bilhão. E o temor de que, somadas as obras do entorno atrasadas, se alcançarão os R$ 2 bilhões.

Entre urbanismo, paisagismo e a construção de dois túneis sob o eixo monumental, entre outros, acredita-se que ainda irá se somar R$ 305 milhões a R$ 1,2 bilhão já gastos, segundo a Controladoria Geral da União. Estas obras, porém, sequer foram licitadas, o que deixa duas preocupações no ar: a viabilidade de conclusão até a Copa do Mundo de 2014 e a possibilidade de ainda mais investimento. A Terracap, companhia do estado que financia a obra, fala internamente sobre aditivos que inflacionariam o custo final. E pensar que o custo inicial era de R$ 697 milhões...

Com estruturas internas inacabadas, mas que não vão aparecer na televisão, o Estádio Nacional deve mostrar ao mundo o que tem de melhor durante o duelo entre Brasil e Japão, a partir das 16h (de Brasília). As 71 mil cadeiras cor vermelho-paixão, a acústica que favorece a equipe da casa e o caráter de sustentabilidade que marca o projeto idealizado pelo arquiteto Eduardo de Castro Mello. Filho de Ícaro, autor da primeira versão do estádio, nos anos 70. E pai de Vinícius, terceira geração da família e também envolvido no planejamento atual.

O estouro no orçamento e todos os "nãos" ao Estádio Nacional

"Não acredito em nenhum desses estudos sobre custo das obras", diz Eduardo em entrevista ao Terra. Na última quinta-feira, o deputado federal Romário (PSB) divulgou estudo que compara valores gastos nos seis estádios da Copa das Confederações - o de Brasília já chegou a R$ 16.936 por assento. Lidera o ranking e com larga vantagem: o Maracanã vem em segundo com o preço de R$ 12.800 por lugar.  Eduardo de Castro Mello insiste em análises distintas.

MAIOR E MENOR RENDA DA HISTÓRIA
AP

Com R$ 6,9 milhões arrecadados, Santos x Flamengo, abertura do Brasileiro 2013, gerou a maior renda da história do País no confronto entre dois clubes, justamente em Brasília. Era a despedida de Neymar, inclusive. O jogo contrastou com outro momento curioso: Grêmio Brasiliense 2 x 1 Coenge, pelo Estadual do Distrito Federal, registra o menor público na história do Brasil com um pagante.

"Não há orçamentos iguais de todos projetos de estádios. Você não pode comparar laranja com banana. Tem de considerar o entorno, a circulação, estacionamentos. Dá diferença no preço. Se o estádio é de 40 mil lugares, não vai ter o mesmo custo de 72 mil. É comparar um ônibus com um automóvel. Só o certificado de sustentabilidade custa de 3 a 5% da obra. Mas vai dar uma economia de manutenção que é brutal". 

Economizar, no entanto, não é um verbo conjugado no projeto mais elevado entre os 12 da Copa do Mundo de 2014. A alegação de que a captação de energia solar poderia abastecer o estádio e 2 mil casas foi insuficiente. Prova é que o investimento no Estádio Nacional foi desaconselhado pelo Ministério Público-DF, pelo Tribunal de Contas-DF e especialmente pelo governo federal. O BNDES, seguindo essa linha, disse não ao pedido do financiamento. 

Ainda assim, movido pela ambição descabida de receber a abertura da Copa do Mundo de 2014, o governo do Distrito Federal fez por viabilizar. Essa nunca foi uma possibilidade, porém, realmente factível. "Só se pode entender (...) como um gesto de ousadia, uma imaginação de grandeza. Fora disso, Brasília será analisada como desperdício de dinheiro público", afirmou o ministro do Esporte Aldo Rebelo. 

O jeitinho brasileiro que permitiu a Brasília o estádio mais caro do País

Arruda deu início ao suposto sonho por um estádio com mais de 70 mil assentos
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Foto: Da Press / Especial para Terra

É de autoria do ex-governador José Roberto Arruda o sonho encampado de receber a abertura da Copa do Mundo. Coincidência ou não, Arruda foi cassado em 2010 pela Operação Pandora e a identificação do desvio de recursos públicos por empresas contratadas pelo governo. Em meio a esse processo, o Distrito Federal discutia quem poderia aprovar a licitação para o Estádio Nacional.

"Com a saída dele, pouco antes de se decidir como colocar a obra em licitação, houve um atraso. Até se definir quem seria o governador definito, foram cinco provisórios. E nenhum queria assumir a licitação", aponta o arquiteto Eduardo Castro Mello. Coube ao interino Rogério Rosso (PSD) a decisão de bancar o projeto para 72 mil pessoas com recursos da capital federal. O que abriria feridas futuras.

Rosso autorizou a utilização de recursos da Terracap, imobiliária estatal que tem sociedade repartida entre o governo de Brasília (51%) e a União (49%). Foi com base nos terrenos negociados pela companhia que se viabilizou financeiramente a megalomania do estádio mais caro do Brasil. Com o cartaz de "o único sem recursos federais", mas com mais um jeitinho brasileiro.

Agnelo Queiroz deu sequência ao curso e contrariou seu discurso de campanha
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Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Para ter acesso ao dinheiro, Agnelo Queiroz (PT) reviu sua posição de campanha ao governo do estado. Antes contrário ao investimento, virou partidário e não se impos limites. Primeiro demitiu o presidente. E como os conselheiros da Terracap reprovaram o financiamento, também demitiu todos. Entre os sucessores, até um tio de seu chefe de gabinete, Cláudio Monteiro. O Terra tentou entrevistar Cláudio, mas sua assessoria alegou falta de agenda. 

Os números que atormentam e o alívio para Mané Garrincha

Entre idas e vindas, o Estádio Nacional está pronto. Seu projeto inicial previa conclusão para dezembro de 2013, mas foi abreviado para dezembro de 2012 e saiu em 18 de maio de 2013. Tudo para que pudesse receber, ao menos, a abertura e único jogo da Copa das Confederações na capital. Eduardo de Castro Mello afirma que a antecipação não mudou o preço, mas outro especialista discorda.

"Não houve aumento. Todos os dimensionamentos foram mantidos", diz o arquiteto responsável pela obra. Presidente do Sindicato da Arquitetura e Engenharia do Distrito Federal (Sinaenco), Sergio Castejon crê que o acréscimo nos preços para que ficasse pronto meses antes foi inevitável. "Existe o impacto. No orçamento da mão de obra, nos equipamentos, e isso impacta em custos", acredita. 

Castejon fala em tom apreensivo sobre a possibilidade de se chegar aos R$ 2 bilhões. "Isso me pega de surpresa. É um valor que não se pode nem conversar. Em 2007, quando o Brasil foi eleito, previa R$ 2,7 bilhões para todos os estádios. Na Alemanha foram R$ 3,2 bilhões. Na África do Sul, foram R$ 3,7 bilhões. Aqui cada um fica perto de R$ 1 bilhão. Cabe ao Tribunal de Contas da União investigar", pede.

A trajetória de controvérsias no projeto do estádio candango inevitavelmente remete à criação nos anos 70. Emílio Garrastazu Médici, então presidente, queria um palco para 140 mil lugares, mas topou inaugurá-lo às pressas para 42 mil e com obras incompletas que jamais se completaram.

À época, ainda era chamado Estádio Hélio Prates da Silveira. Agora, por um erro de protocolo da organização de Brasília, ficará apenas como Estádio Nacional, diferentemente de como é normalmente chamado. Um alívio para a alma de Mané Garrincha.

Fonte: Terra
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