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Terra na Copa

Agora narrador, Alex Escobar comemora humor e "Bangu na TV"

4 jun 2014 - 09h19
(atualizado às 09h20)
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Ex-locutor de rádio FM, Escobar farra narração em Copa do Mundo de 2014, após experiências no Campeonato Carioca e no Campeonato Brasileiro
Ex-locutor de rádio FM, Escobar farra narração em Copa do Mundo de 2014, após experiências no Campeonato Carioca e no Campeonato Brasileiro
Foto: Jorge Rodrigues Jorge / Carta Z Notícias

Simpatia é a marca registrada de Alex Escobar. Foi com esse mesmo jeito despretensioso e bem-humorado que o apresentador foi, aos poucos, galgando seu espaço na televisão. De comentarista do SporTV, passando pelo bloco de esportes do Bom Dia Brasil – telejornal matinal da Rede Globo –, até chegar ao comando do Globo Esporte, Escobar participa agora, pela terceira vez, da cobertura de uma Copa do Mundo. Mas em uma nova função. Além de estar à frente do programa Central da Copa ao lado de Tiago Leifert, ele vai narrar cinco jogos do Mundial. "Costumo dizer que, abriu a porta, eu entro. Estou sempre aberto a novidades, gosto muito", empolga-se.

Na verdade, o grande sonho profissional de Escobar era ser locutor de rádio - objetivo que não demorou muito a alcançar. Começou trabalhando nas madrugadas da JB FM, até que se tornou apresentador do Rock Bola, da Rádio Cidade.

"Eu estava lá em Bangu, começando a vida, com as dificuldades que são impostas a quem é de lá. Para mim, ser locutor de rádio estava bom para caramba", recorda ele, que foi nascido e criado no bairro do subúrbio do Rio de Janeiro.

Por isso mesmo, Escobar se surpreende com a trajetória ascendente que vem construindo na Globo. "Atingi meu sonho e depois a vida me deu muito mais. Tive muita sorte e, cada vez que surge uma chance nova, como narrar futebol, além de ser uma alegria enorme, eu fico mais confiante", ressalta.

Esta é a terceira vez que você trabalha em uma Copa do Mundo. O fato de, agora, o Mundial ser sediado no Brasil, muda alguma coisa para você?

Alex Escobar - Essa Copa, para mim, é completamente diferente das outras. Acho que nem tanto por ser no Brasil, é só uma questão pessoal mesmo. A grande diferença é que eu vou, pela primeira vez, narrar. E isso para mim já é completamente diferente. Na primeira Copa, eu estava no SporTV como comentarista de jogo, na última, fui como representante do Bom Dia Brasil, e, dessa vez, vou fazer a Central da Copa como apresentador. Mas tenho de me preparar para narrar cinco jogos, o que é uma grande novidade.

E como foi esse processo de preparação?

Alex Escobar - Eu sou um cara abençoado com relação à fonoaudiologia. A minha preparação foi mais em ficar solto, em entender o ritmo do jogo, dar o tom certo para a partida. São coisas que só a experiência vai trazer. Fiz alguns jogos do Campeonato Carioca e do Campeonato Brasileiro como teste. Assisti a eles depois e percebi que, em alguns momentos, eu poderia ter sido um pouco mais incisivo, em outros, estava falando demais, podia ter dado um tempo. Preciso entender o meu ritmo dentro do ritmo do jogo, mas isso só vem com rodagem mesmo. Estou treinando há quase um ano, fazendo pilotos atrás de pilotos.

Por que você foi escalado para ser o novo narrador da Globo?

Alex Escobar - Eu sempre manifestei meu desejo de trabalhar em jogo de futebol. Antes de ir para a Globo, eu fiquei cinco anos comentando jogo de futebol no SporTV e sentia saudade. Quando está acontecendo um evento esportivo, a história se forma naquele momento e você a conta pela primeira vez para as pessoas que estão assistindo. É gostoso demais! Várias emoções acontecem no meio de um jogo. E é muito claro que os ex-jogadores são os comentaristas de futebol hoje. Essa é a tendência, nem questiono. E acho que essa oportunidade foi uma forma de a direção dizer para mim: "tem uma chance de fazer o que você quer: trabalhar em um evento esportivo como narrador. Topa?". E eu topei.

Você já havia narrado outros esportes na Globo, como ciclismo, natação e maratona. Sente que a pressão é maior quando se trata de futebol, já que é o esporte mais assistido pelos brasileiros?

Alex Escobar - Sim. É uma responsabilidade enorme, tem uma pressão maior. Minha introdução ao mundo da narração foi através de outros esportes, em eventos do Esporte Espetacular, aos domingos. Mas faltava o futebol, que é a paixão do povo. São 90 minutos de jogo, exige uma preparação, um condicionamento melhor, algo que, no entendimento da direção, onde tem pessoas em que confio muito, aconteceu no Campeonato Carioca.

Como vai ser sua rotina entre apresentar o Central da Copa e narrar alguns jogos?

Alex Escobar - Vai ser bem pesada. Mas aí a gente brinca que é Copa do Mundo, não tem jeito. Eu não vou apresentar o Globo Esporte durante a Copa. Minha rotina vai ser comandar o Central da Copa diariamente e nos dias de jogos. No dia anterior dos jogos que eu vou narrar, por causa de viagem, talvez não dê para fazer. Vou viajar para narrar os jogos in loco. Meu dia a dia vai se resumir a viagens, jogos e Central da Copa.

Mesmo com sua experiência de Copa do Mundo, você chega a ficar nervoso de participar da cobertura de um evento desse porte?

Alex Escobar - Se eu pudesse dizer qual foi a maior bênção que Deus me deu, foi não ter ansiedade. Sou uma pessoa tranquila. Com um evento como esse, por exemplo, eu fico animado. Vou participar de um tremendo de um evento, fico feliz. Não perco o sono - muito pelo contrário, durmo bem. Na verdade, vai de uma confiança muito grande que a empresa me dá. Isso me deixa muito à vontade com o que estou fazendo. Não tem nervosismo.

Você sempre foi assim?

Alex Escobar - Sempre, desde que entrei na TV. Na verdade, eu surfo uma onda que é muito favorável a mim. Se de repente a coisa mudar e precisarem de alguém mais sério e sisudo para apresentar, pode ser que eu me dê mal porque não saberia fazer desse jeito. Na verdade, o rumo que o esporte tomou é muito favorável à minha personalidade. Então, fica fácil. Me sinto muito em casa, fico muito à vontade trabalhando.

De fato, de uns tempos para cá, o jornalismo esportivo ganhou uma linguagem mais informal na Globo. Na sua opinião, qual é o limite entre jornalismo e entretenimento na cobertura do esporte?

Alex Escobar - Eu não tenho a pretensão de ser humorista, mas gosto muito de ser bem-humorado. Acho que são duas coisas bem diferentes. Essa onda me deu a oportunidade de fazer quadros, como, por exemplo, o Cafezinho com Escobar, que é estar na rua com a galera, fazendo graça mesmo. Mas dentro de um contexto, não é gratuito. Quando se fala em entretenimento, às vezes a gente pensa só na graça, mas não é. Entretenimento, o nome já diz, é entreter, prender a atenção das pessoas. E, às vezes, não é só em uma graça - é em uma história bem contada, com boas imagens, com uma trilha adequada. Acho que tudo isso faz parte do que a gente chama de nova linguagem do jornalismo esportivo. Temos de contar a história e contar bem, de uma maneira mais descontraída. Acho que essa é a missão do esporte hoje.

Aliás, de onde veio a ideia para o quadro Cafezinho com Escobar, apresentado no Globo Esporte?

Alex Escobar - Não foi ideia minha e não foi idealizado para ser um quadro. Teve uma rodada com jogos incríveis e, na reunião de pauta, um integrante da nossa equipe, o editor de texto Camilo Pinheiro, falou para mim: "você tem disponibilidade de ir para rua e levar um café, botar uma mesa qualquer e bater um papo com a galera sobre a rodada?". Fui e ficou muito bom. Umas figuras apareceram, ficou engraçado. Decidimos fazer na semana seguinte e acabou virando um quadro.

E como é ter esse contato mais direto com o público?

Alex Escobar - Eu adoro esse contato. Acho que é uma oportunidade também para a empresa se fazer presente em todos os lugares do Rio de Janeiro sem ser para falar de buraco na rua, de quem morreu na última noite, de tiroteio... A notícia do subúrbio é essa. As pessoas simplesmente moram lá, não têm acesso a praticamente nada. Quando a gente vai lá, arma a mesa – e eu não aviso para onde vou –, as pessoas se surpreendem e veem uma oportunidade de falar de futebol, de brincar, de mostrar seu bairro de uma forma descontraída. É gratificante demais e aí vai muito do que eu pensava quando cresci e vivi por 21 anos em Bangu.

Como assim?

Alex Escobar - Eu não me via representado de jeito nenhum na televisão. Tudo o que se referia a Bangu era o presídio, a violência, a distância, o calor. Só coisa ruim. Então, quando percebo que a pessoa está orgulhosa e honrada de estarmos ali, é muito gratificante, além de ter servido para me aproximar como personagem do programa às pessoas.

Escobar é ainda responsável pela apresentação do Globo Esporte para a rede, dividindo a função com a apresentadora Cris Dias
Escobar é ainda responsável pela apresentação do Globo Esporte para a rede, dividindo a função com a apresentadora Cris Dias
Foto: Divulgação
Pensa em, assim como Tiago Leifert fez com o The Voice Brasil, se aventurar em outras áreas da televisão?

Alex Escobar - Não faço planos. E já estou dentro de uma grande novidade que é narrar, que estou encarando com uma alegria e com um gás danado. Veio para me renovar mesmo. Não dá para pensar em outra coisa agora.

Aos poucos, você foi ganhando projeção nacional, principalmente por apresentar o Globo Esporte que é exibido para a rede. Ter um alcance maior era algo que você almejava para sua carreira?

Alex Escobar - Não. Aconteceu, simplesmente. Não paro para pensar muito nessas coisas. Vontade de ter um alcance maior, eu até tinha, mas não era algo que me incomodava. Acho que, mais importante do que ser conhecido por muita gente, é ser querido por quem conhece você. Não adianta eu querer me projetar para o Brasil inteiro tendo uma rejeição no Rio de Janeiro. E eu acredito demais que, profissional e pessoalmente, você constrói as vitórias da sua vida no dia a dia. Se você fizer bem o que se propõe todo dia, as oportunidades vão aparecendo na sua vida.

A discussão com Dunga em 2010

Desde que estreou na TV, em 2003, como comentarista do SporTV, Alex Escobar guarda alguns momentos marcantes de sua carreira na memória. Como, por exemplo, a primeira Copa do Mundo em que trabalhou, em 2006, na Alemanha. Na ocasião, ele ficou encarregado de comentar a abertura e alguns jogos, entre eles a final, para o canal a cabo.

"Lembro que, quando cheguei no estádio, em Munique, para comentar a abertura, e realizei onde estava, fiquei muito emocionado. Liguei para o meu pai e falei: 'velho, tem noção? Estou aqui na Copa do Mundo!’. Foi a grande vitória profissional da minha vida", elege.

Foi também durante uma Copa do Mundo, desta vez em 2010, que Escobar protagonizou uma situação difícil de esquecer. Durante uma coletiva de imprensa, ele se envolveu em uma discussão com o então técnico da Seleção Brasileira, Dunga, que se irritou com o jornalista por acreditar que ele havia discordado, através de um movimento com a cabeça, de um de seus comentários. Dunga decidiu soltar alguns palavrões, que vazaram no sistema de som da sala de entrevista.

"Foi uma pancada forte que tomei ali e, com muita tranquilidade eu digo, sem merecer. Todos que trabalham comigo me deram a maior assistência, o que foi muito importante para mim", recorda.

Soltando a voz (para cantar)

A trajetória profissional de Alex Escobar é inusitada. Antes de trabalhar como locutor de rádio, ele foi comissário de bordo e teve uma banda, da qual era vocalista. Mas, hoje em dia, o máximo que o apresentador faz é dar uma canja em shows de amigos. Apesar de sentir saudade de cantar, Escobar descarta a possibilidade de voltar a integrar um grupo musical.

"Quando você vai como convidado de alguém, a crítica é uma. Se eu desafinar, faz parte, eu não sou cantor. Mas se você tem uma banda, vai fazer um show em algum lugar e as pessoas pagam ingresso, elas vão analisar você como cantor. Aí, estou ferrado. Música é muito prática, ensaio, estudo. Não tenho mais condição de fazer isso, então acho que não consigo mais cantar como antes", explica, aos risos

Fonte: TV Press
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