Conmebol convoca reunião e pede informações à Fifa sobre plano controverso: 'Futebol em 1º lugar'
Entidade que rege o futebol sul-americana foi a última confederação continental a se manifestar oficialmente sobre o assunto
Última confederação continental a se manifestar sobre o plano de Gianni Infantino para criar uma empresa, com acionistas minoritários, para administrar as competições da Fifa, a Conmebol não tomou uma posição concreta. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, 31, afirmou que o tema será debatido em uma reunião de seu conselho, após o acesso a informações sobre o projeto, solicitadas à Fifa.
No texto, a confederação sul-americana também diz ter iniciado "um processo de consulta junto às suas Associações Membro", o que inclui a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Até o momento, a entidade máxima do futebol no Brasil não se manifestou oficialmente sobre o assunto.
Embora não tenha se posicionado contra ou a favor, o discurso da Conmebol trouxe elementos semelhantes aos observados nas notas oficiais de federações contrárias à ideia de Infantino, caso da Uefa e da Concacaf. O comunicado mostra sinais de preocupação com a "essência do esporte", mas não chega a fazer críticas contundentes à venda de ações que impactaria inclusive a Copa do Mundo.
"Entendemos que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao esporte e nunca se sobrepor à sua essência. O futebol vem sempre em primeiro lugar", diz um trecho do comunicado.
A proposta de criação da Football Foward Enterprises (FFE), como seria chamada a empresa, gerou indignação entre confederações continentais.
A reação mais contundente veio da Uefa. A entidade que comanda o futebol europeu rejeitou de forma unânime o projeto e anunciou que as associações do continente estão dispostas a boicotar todas as competições organizadas pela Fifa caso a proposta avance sem alterações. Essa posição será mantida enquanto este projeto estiver em discussão.
"Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada", diz a Uefa em comunicado.
Na Concacaf, que reúne as federações da América do Norte, Central e Caribe, o posicionamento também foi de forte oposição. Em comunicado, divulgado nesta quinta-feira, a entidade afirmou que "o futebol deve se manter nas mãos do futebol". "A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar", disse a entidade em comunicado oficial. "Construímos uma organização fundamentada na prestação de serviços, na governança transparente e na gestão responsável do futebol a longo prazo".
A decisão, no entanto, não foi de unanimidade, no caso da Concacaf. Isso porque a Federação Mexicana de Futebol também se manifestou e ficou de avaliar melhor a proposta da Fifa de criar uma empresa para gerenciar os direitos comerciais e operacionais de suas competições (incluindo a Copa do Mundo).
"A Federação Mexicana de Futebol foi notificada pela Fifa em 28 de julho de 2026 a respeito da proposta do presidente, Gianni Infantino, de aumentar a receita do programa Fifa Forward, principal veículo para promover o desenvolvimento positivo do futebol no mundo, com base em um novo modelo financeiro", iniciou o comunicado.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) igualmente demonstrou insatisfação com a condução do processo e alinhou-se à Uefa e à Concacaf em seu rechaço ao processo da Fifa. "Tendo em conta a posição manifestada pela Uefa e Concacaf, além das divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC considera que a FFE (Fifa Forward Enterprise) proposta não pode, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para seguir em frente", destacou esta confederação de 47 membros, 46 deles também membros da Fifa.
Na África, a CAF adotou uma postura mais cautelosa, como a Conmebol. Embora mantenha proximidade institucional com a atual gestão da Fifa, a confederação preferiu não assumir uma posição definitiva neste primeiro momento. Em vez disso, convocou reuniões de seu comitê executivo para avaliar detalhadamente os possíveis efeitos da criação da Fifa Forward Enterprise sobre o futebol africano.
Também optou por uma linha de neutralidade a Confederação de Futebol da Oceania (OFC). A entidade não aderiu ao movimento liderado pela Uefa nem anunciou apoio explícito ao projeto da Fifa. Sua prioridade, neste momento, é consultar as federações filiadas antes de definir um posicionamento oficial sobre o tema.
Leia a nota da Conmebol na íntegra:
A CONMEBOL reafirma que sua prioridade será sempre o futebol: seus valores, seu pessoal e a paixão que o torna o esporte mais popular do mundo.
Entendemos que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao esporte e nunca se sobrepor à sua essência.
O futebol vem sempre em primeiro lugar.
Após tomar conhecimento da proposta apresentada pela FIFA em relação ao projeto FFE, e em conformidade com seus procedimentos institucionais, a CONMEBOL iniciou um processo de consulta junto às suas Associações Membro e convocou uma reunião de seu Conselho com o único propósito de analisar e avaliar a referida proposta com a responsabilidade e o rigor que o assunto exige.
Com esse objetivo, a CONMEBOL solicitou à FIFA informações e esclarecimentos adicionais sobre diversos aspectos relacionados ao escopo, estrutura, governança e possíveis efeitos do projeto FFE.
A CONMEBOL continuará a agir com prudência, responsabilidade e espírito de colaboração, contribuindo para o fortalecimento do futebol mundial exclusivamente por meio de canais institucionais e dos princípios da boa governança.
A CONMEBOL apela à união em toda a família do futebol e a que o futebol seja sempre colocado acima de qualquer outro interesse.
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