Com 38 torcedores na Ilha, Fla foi vencido por WO em 87
- Eduardo Amorim
- Direto de Recife
Às 22h do dia 27 de janeiro de 1988 soou a sirene da Ilha do Retiro que era acionada em todas as grandes vitórias do Sport Recife. Apenas 38 torcedores pagaram para assistir àquela partida do quadrangular final do Campeonato Brasileiro, já que o Flamengo tinha deixado claro que não compareceria. O árbitro Ulisses Tavares aguardou pouco mais de 30 minutos, com os jogadores em campo e deu a vitória ao time da casa, por WO.
Na abertura do quadrangular, respeitando a tabela, o Sport havia vencido o segundo lugar do Módulo Verde do Campeonato Brasileiro: Internacional. As duas partidas, que acabaram em WO ficaram praticamente esquecidas na memória dos torcedores. "É que a final foi um jogo duro demais. O Guarani era o vice-campeão de 1986. Passei até mal uma hora, pois sou cardíaco. Mas veio aquele escanteio, (o zagueiro) Marco Antônio subiu e calou a boca de todo mundo!", emociona-se o hoje aposentado Joselino Portela Filho, que trabalhava como locutor de cabine no Estádio da Ilha do Retiro.
Hoje, os três principais jornais de Pernambuco estampam em suas manchetes a indignação dos nordestinos por a CBF estar tentando mudar essa história novamente. O caderno SuperEsportes, do Diário de Pernambuco, traz o título "Indisível", com a foto do capitão Rogério levantando a Taça das Bolinhas, em plena Ilha do Retiro.Um fato interessante é que, em 15 de janeiro de 1988, o Flamengo precisava de unanimidade dos clubes para mudar o regulamento do Campeonato Brasileiro e se tornar o campeão. Dos 29 que compareceram ao Conselho Arbitral, que iria excluir o cruzamento dos dois módulos do regulamento, Sport, Guarani, Fluminense, Vasco e Náutico votaram contra a mudança. O time dos Aflitos é atualmente o principal rival rubro-negro na disputa pelo (também inédito para o time da Ilha do Retiro) hexacampeonato Pernambucano, mas estava do mesmo lado na defesa do primeiro título Brasileiro do clube.