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CBF usa caso de assédio para fortalecer poder de Del Nero

Diretores da entidade, seguidores do ex-presidente, querem o afastamento definitivo de Rogério Caboclo

7 jul 2021 11h11
| atualizado às 11h13
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Causou estranheza entre federações estaduais o conteúdo da carta da Comissão Fiscal da CBF entregue na segunda-feira (5) à Comissão de Ética do Futebol Brasileiro, no qual seus signatários elogiam a prorrogação por 60 dias do afastamento do presidente Rogério Caboclo. Seus componentes são da confiança de Marco Polo Del Nero, o ex-presidente da confederação que foi banido pela Fifa em 2018 por corrupção e, ainda assim, tenta responder pelo controle do futebol brasileiro, à revelia de clubes e das próprias federações.

Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF, manobra para ter o controle do futebol nacional, mesmo banido pela Fifa
Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF, manobra para ter o controle do futebol nacional, mesmo banido pela Fifa
Foto: Marcello Dias / Futura Press

Caboclo está fora do cargo para se defender da acusação de assédio sexual e moral contra uma funcionária da entidade. Em que pese a gravidade da denúncia, que agora passou a ser investigada também pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, o dirigente está sendo alvo de uma forte campanha interna que visa tão somente fortalecer o nome de Del Nero como mandante da CBF. O documento elaborado pela Comissão Fiscal é mais um capítulo nessa queda de braço e mostra algumas incoerências de quem o avalizou.

O texto destaca, por exemplo, que o futebol brasileiro “não tolera mais o preconceito e a discriminação”. Dias atrás, a CBF foi interpelada judicialmente pelo Grupo Arco-Íris por não ter usado o uniforme de número 24, associado ao veado no jogo do bicho, nos inscritos para a Seleção que disputa a Copa América. “Houve ali uma clama manifestação de homofobia da CBF”, disse o presidente do grupo, Cláudio Nascimento, que promete levar o caso à Fifa.

A Comissão Fiscal aborda ainda “desvios de conduta inaceitáveis”, referindo-se a Caboclo. No entanto, quando Del Nero era investigado e depois punido por não esclarecer o destino de milhões de reais, segundo a Fifa, em transações envolvendo o futebol nacional, a comissão jamais se manifestou. Para bom entendedor, meia palavra basta. A diretoria da CBF, toda fechada com Del Nero, dá sinais claros de que, primeiro, quer o poder, a todo custo. O combate a preconceitos, misoginias, racismo, etc, viria bem depois.

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