Zago fala em vaidade, briga política e covardia como barreiras
O técnico Antônio Carlos Zago enumerou os principais problemas que encontrou para implementar seu trabalho no Palmeiras. Demitido nesta terça-feira após um entrevero com o atacante Robert, o ex-zagueiro salientou as batalhas por poder dentro do Palestra Itália e citou covardia e vaidades como outros empecílios.
"Saio com a sensação de que poderia desenvolver um bom trabalho com a chegada dos reforços prometidos e com a parada para a Copa do Mundo", disse Zago, por meio de sua assessoria de imprensa. "Tenho uma história bonita pelo Palmeiras que não será apagada por uma briga de poder entre dirigentes", acrescentou.
Zago tinha a certeza de que estava respaldado pela diretoria alviverde para implantar seu trabalho no Campeonato Brasileiro, apesar das campanhas ruins no Paulista (11º lugar) e na Copa do Brasil (eliminação nas quartas de final). O treinador, porém, teve sua trajetória encerrada no clube após os boatos de uma briga entre ele e o atacante Robert no ônibus durante o retorno a São Paulo, após o empate por 0 a 0 com o Vasco, no domingo.
"O importante é o rumo que o Palmeiras vai tomar para voltar a brigar por títulos. Há pessoas que trabalham no clube e ficam vazando informações e inventando notícias para desestabilizar o trabalho que está sendo feito", acusou Zago, sem citar nomes, mas negando uma briga com Robert: segundo o treinador, houve apenas uma chamada de atenção.
"Achei covardia o surgimento do boato de que brigamos, como uma forma de pressionar minha saída. Foi tudo muito mal conduzido", reclamou o treinador. "Outros treinadores de renome passaram recentemente pelo time e sofreram pelo mesmo motivo. Não sou a primeira vítima desta briga, mas espero ser o último", prosseguiu.
Antônio Carlos chegou a falar que precisava fazer "reformulação" no elenco durante a pausa para a Copa do Mundo, mas o termo foi vetado pelo vice-presidente Gilberto Cipullo, na semana passada. Outros problemas para a montagem do elenco aconteceram, como a ida do lateral-esquerdo Carlinhos para o Fluminense - o jogador estava prestes a assinar contrato no início da última semana.
Agora, especula-se que o grande sonho palmeirense seja o retorno de Luiz Felipe Scolari, que se desligará o Bunyodkor, do Uzbequistão, no meio do ano. Independentemente de quem será nomeado para o cargo, Zago deixou um aviso ao sucessor.
"Se a vaidade e a batalha política não interferirem, o próximo treinador poderá fazer um bom trabalho. Caso contrário, o Palmeiras continuará brigando contra ele próprio", finalizou Antônio Carlos, que havia assumido o cargo de treinador em fevereiro, após a demissão de Muricy Ramalho.