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Baroninho vive dilema entre Palmeiras e Flamengo na final da Libertadores: 'Usar as duas camisas'

Ex-ponta-esquerda, que se destacou nos anos 1980, fala sobre sua ligação com os dois clubes finalistas da Libertadores e relembra momentos inesquecíveis de sua trajetória no futebol.

29 nov 2025 - 14h10
(atualizado às 14h10)
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Quando o árbitro argentino Darío Herrera iniciar a disputa da final da Libertadores neste sábado, às 18h, em Lima, capital do Peru, um senhor de 67 anos, morador da Barra da Tijuca, vai experimentar o doce sentimento de dever cumprido. Cria do Palmeiras e integrante da geração do Flamengo que encantou o mundo no ano de 1981, Edílson Guimarães Baroni, o Baroninho, vai se sentir representado tanto por paulistas como por cariocas. "Vou usar uma camisa em cima da outra no dia da decisão."

Jogador aguerrido, dono de um potente chute de perna esquerda, e extremamente solidário nos tempos em que atuava como profissional, o ex-ponta-esquerda sempre nutriu admiração pelos dois finalistas que, no Monumental de Lima, vão buscar o inédito tetracampeonato da mais nobre competição sul-americana. Nascido na cidade de Bauru, Baroninho revelou os motivos que o levaram a se apaixonar pelos dois clubes em conversa com a reportagem do Estadão.

"Sou palmeirense e flamenguista desde criança. Palmeirense por causa do Ademir da Guia e também do Nei (atacante que defendeu a equipe paulista na década de 1970). Como eu jogava na ponta-esquerda e também na meia, sempre admirei os dois em especial. Já o Flamengo, eu sou torcedor por causa do Doval, do Fio Maravilha. Assistia esse pessoal. Depois ainda veio o Geraldo, o Zico e acompanhei a carreira desses craques", comentou com ares de nostalgia.

Claramente dividido na torcida pelos dois times, o ex-jogador vê o Flamengo em vantagem, muito em função dos seguidos tropeços da equipe de Abel Ferreira nesta reta final de Campeonato Brasileiro. "O Palmeiras vai ter de correr muito para ganhar essa decisão. O Flamengo tem um plantel mais forte, até pelas contratações. Já o Palmeiras é o Abel. Tudo vai passar pela cabeça dele. O seu domínio sobre o grupo, sobre o vestiário. Mas, pelo momento, o Flamengo está em vantagem".

Questionado pela reportagem se tinha um favorito, ou se arriscaria um placar para a decisão deste sábado, o ex-atleta, que gostava de usar a camisa 11, foi sincero. "Eu quero ver é um jogaço. São dois grandes times. Você quer um placar? Vou falar então: 1 a 0 Palmeiras, ou 1 a 0 Flamengo", comentou Baroninho reverenciando o fato de ter defendido essas duas camisas .

"Quando comecei a jogar em Bauru, esse era meu sonho. E foi maravilhoso. Fiz um jogo contra o São Paulo (pelo Noroeste) e marquei um gol do meio de campo no Valdir Peres. Surgiram vários clubes interessados: Botafogo, Inter, Grêmio. Quando o presidente do Noroeste falou no Palmeiras, não pensei duas vezes. Disse que era palmeirense e fui embora", declarou.

E foi em 1979, num Maracanã com mais de 100 mil pessoas, que Baroninho deu seu cartão de visitas ao badalado time de Zico, Júnior, Adílio e Carpegiani. Na goleada paulista de 4 a 1, ele "deitou e rolou" em cima dos anfitriões.

"Foi histórico. Até hoje as pessoas falam dessa partida. Participei de três gols. Bati uma falta e o Carlos Alberto marcou. Depois armei uma jogada pela esquerda com o Pedrinho e toquei para ele fazer. No outro gol do Palmeiras, fui na linha de fundo e dei uma cavadinha para o Zé Mário anotar mais um", falou com entusiasmo sobre os lances continuam vivos em sua memória.

Apesar da falta de títulos com a camisa palmeirense, a passagem pelo Parque Antártica foi produtiva. As boas atuações renderam uma mudança do São Paulo para o Rio. Ajudado por Telê Santana, que o indicou ao então técnico flamenguista Dino Sani, Baroninho desembarcou em terras cariocas numa troca envolvendo o experiente zagueiro Luís Pereira. Ali, ele começava a completar o sonho de infância.

"Fui titular em 85% da campanha da Libertadores", comentou o ex-atleta que acabou perdendo a posição na final para o Lico. "Eu me machuquei, ele entrou na vitória de 6 a 0 sobre o Botafogo (no Campeonato Carioca), e não saiu mais. Mas tudo certo. Também era um grande jogador e uma pessoa fantástica".

As lembranças de um confronto histórico com a camisa rubro-negra vêm de uma vitória, na Bolívia, sobre o Jorge Wilstermann. "Fiz o primeiro gol batendo falta e o Adílio marcou o segundo. Ali praticamente selamos a classificação para a final. Foi o primeiro jogo narrado pelo Galvão Bueno na Globo", comentou Baroninho que, na época, dividia com Zico as cobranças de falta no Flamengo.

Paulista com alma carioca

O tipo interiorano e o tom de voz amistoso tem atualmente um jeito carioca de ser. A convite da filha, ele trocou Bauru pelo Rio, reside na Barra e, como não poderia deixar de ser, recolocou o Flamengo em sua rotina. Convidado pelo Flamaster, grupo de ex-jogadores que faz exibições por todo o País, Baroninho voltou a fazer o que mais ama: jogar futebol.

"Estou sempre com eles (companheiros de Flamengo). Antigamente tinha aquela rivalidade de paulista contra carioca e aqui nunca teve nada comigo. O Flamengo abriu uma porta muito grande para mim. E agora me chamaram para brincar no master. Estou muito feliz."

O esquema para assistir a decisão deste sábado já está armado e terá um "ritual", onde a paixão vai estar devidamente registrada. "Vou usar uma em cima da outra. Quero assistir esse jogo em casa com a esposa, a filha e meu genro", afirmou o ex-ponta-esquerda pronto para soltar o grito de campeão, seja qual for o vencedor.

Estadão
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