'A droga escolhia por mim', diz Casagrande ao relembrar período de dependência química
Antigo centroavante da Seleção falou que teve resistência ao tratamento, mas que hoje em dia vive totalmente livre e ciente de seus limites
Walter Casagrande Jr. relembrou sua luta contra a dependência química, desde um acidente em 2007 até a superação e aprendizado com o tratamento, vivendo hoje em liberdade e consciente de seus limites.
Ex-jogador de futebol e com forte personalidade, Walter Casagrande foi um dos convidados do programa Sem Censura, da TV Brasil, da última quinta-feira, 3. Sempre muito autêntico, o Casão, como é chamado no meio esportivo, bateu um papo com Cissa Guimarães e abriu o jogo sobre dependência química, especialmente sobre um acidente que sofreu em 2007.
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"Eu sofri um acidente, capotei o carro em cima de seis veículos em setembro de 2007. Eu adormeci. [...] Não sei o tempo certo, mas eu já estava 15 dias ou 1 mês me drogando o tempo todo. Não bebia água e não comia nada porque a minha droga de escolha naquele momento era injetável. Eu desmaiava 5h da manhã, acordava 14h, ia para a cozinha, via alguma coisa para comer, a água e seringa. Aí batia aquela dúvida, mas estava totalmente tomado pelo vício, então já não tinha escolha. A droga escolhia por mim, então, eu ia para a droga", disse.
Após o acidente, o ex-jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira foi levado a um hospital e, na sequência, acordou em uma clínica psiquiátrica. Atônito, Casagrande contou que desde então ficou seis meses internado, sem receber visita e convivendo somente com pacientes e a equipe de saúde mental. No início, recordou ele, havia certa resistência ao tratamento.
"Muito revoltado inicialmente com aquela conversa: 'Pô, eu não sou viciado. Eu paro a hora que eu quiser. Eu preciso trabalhar. Estou com saudade da minha mãe'", relembrou, para depois citar uma resposta dada por uma psicóloga. "Quando você estava lá fora não ligava para sua mãe nem pai. Só ia pegar droga e agora você está com saudade? Você está aqui para se tratar, meu amigo. Isso é justificativa para você poder sair."
Por fim, Walter Casagrande observou que nos últimos anos, já recuperado, aprendeu com as lições do passado e que não responsabiliza ninguém pelos erros cometidos. "Hoje eu sou totalmente livre, só que sei até aonde eu posso ir com a minha liberdade. Eu sei a hora de me retirar. Nunca saí com as pessoas e pedi 'por favor, não bebe porque não posso ver'. Aprendi que as pessoas não têm nada a ver com isso, é um problema interno meu. Sou eu que tenho que saber a hora de ir e hoje eu consigo isso".