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'Foram 14 anos de tortura': Campeã brasileira de jiu-jitsu denuncia abusos por ex-treinador

Atleta relata violência física e psicológica desde a infância

6 mai 2026 - 18h34
(atualizado às 18h41)
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Brenda Alves afirmou que espera inspirar outras vítimas
Brenda Alves afirmou que espera inspirar outras vítimas
Foto: Reprodução/@blasbjj/Instagram

A campeã brasileira de jiu-jitsu Brenda Alves denunciou ter sido vítima de abusos físicos e psicológicos ao longo de 14 anos pelo ex-treinador Melqui Galvão. O relato foi divulgado pela atleta nesta terça-feira, 5, uma semana após a prisão dele, ocorrida em 28 de abril, sob suspeita de abusos contra outras seis alunas durante treinos.

Segundo Brenda, a relação com o treinador começou quando ela tinha 12 anos. "Foi quando eu conheci o projeto dele", afirmou. De acordo com a atleta, o treinador se aproximou ao perceber sua dedicação e sua realidade familiar. "Ele viu que eu andava uma hora até a academia, conheceu minha mãe, minha família e viu que era uma situação bem difícil, bem humilde", disse.

Melqui Galvão, professor de jiu-jitsu e policial civil, foi preso por suspeita de abuso sexual
Melqui Galvão, professor de jiu-jitsu e policial civil, foi preso por suspeita de abuso sexual
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

Ela relata que recebeu apoio financeiro e estrutura para seguir no esporte, incluindo quimonos, inscrições em campeonatos e bolsa de estudos. No entanto, afirma que o apoio foi usado como forma de controle.

"Chegou o dia que eu tive que pagar por tudo isso, porque ele falou que não era de graça. E paguei, da pior forma possível".

Brenda diz que as situações de violência continuaram ao longo dos anos e que, aos 16, descobriu que outras meninas também eram vítimas. Rumores teriam se espalhado e adultos tomaram conhecimento, incluindo a esposa do treinador, que o questionou.

Para esconder a situação, ela afirma que foi obrigada a manter um relacionamento com outro aluno. "Esse plano era pra não descobrirem que eu também era abusada por ele", contou.

Mesmo após se afastar da academia, a atleta afirma que o ex-treinador continuou exercendo controle e pressão psicológica. "Ele nunca deixou de me controlar. Sempre me coagiu, me mandava mensagem", disse. Segundo ela, após romper definitivamente com o treinador, sofreu retaliações, incluindo a perda de patrocinadores.

"Ele quis punir a gente também. Nesse tempo a gente tinha uma equipe de patrocinadores e ele foi falando com cada um pra esses patrocinadores desligarem a gente, das marcas e tudo".

A atleta também afirma que continuou sendo perseguida e humilhada. Em seu relato, ela menciona que a irmã também foi vítima de estupro.

Em seu aniversário, em fevereiro, ele voltou a tentar coagir a atleta. "Ele me mandou uma foto minha criança pedindo desculpa por não ter sido o pai que eu deveria ter tido. Aquilo foi horrível", afirmou. "Ele continuou me mandando mensagem, me fazendo propostas, que ia me dar uma academia, me fazer ser campeã. Me deu pânico".

Ao resumir o período, ela descreve: "Foram 14 anos de tortura, tortura mental, física. Ele já chegou a me bater". A atleta diz que decidiu tornar o caso público para encorajar outras vítimas a denunciarem. "Quero falar para vocês que eu já fiz a minha denúncia, minha irmã também. Quero encorajar vocês a fazer (o mesmo). Foram 14 anos de muito medo e esse medo acabou".

À TV Globo, a defesa do treinador ressaltou que ele é inocente, disse que ainda não teve acesso completo aos materiais apresentados e ressalta que o cliente está à disposição das autoridades, aguardando o esclarecimento dos fatos.

Fonte: Portal Terra
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