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Xarás de finalistas da Libertadores, River e Flamengo lutam para manter rivalidade no Piauí

Equipes de Teresina têm histórias bem diferentes e recorrem ao futebol amador para fazer clássicos com mais frequência

8 nov 2019
10h34
atualizado às 15h16
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Enquanto Flamengo e River Plate sustentam elencos milionários, atletas em suas respectivas seleção e treinadores renomados, e ainda vivem a expectativa de decidir a final da Copa Libertadores no próximo dia 23, em Lima, os dois xarás piauienses da dupla amargam realidades opostas e lutam para perpetuar a antiga rivalidade no Estado. Em Teresina, o clássico local é conhecido como Rivengo. E ele anda tão em baixa que depende de um jogo amador para continuar a mexer com o brio dos atletas e o fervor das duas torcidas.

No Piauí, Esporte Clube Flamengo e River Atlético Clube levam nos nomes e nos uniformes as homenagens a dois dos principais clubes do continente, um brasileiro e outro argentino. Como estão sem calendário de competições oficiais neste segundo semestre, os times e suas respectivas torcidas trocaram a expectativa pelos clássicos locais para transferir apoio aos xarás mais famosos, finalistas da Libertadores de 2019.

"Onde tenha River e times de uniforme tricolor, nós vamos torcer contra. Somos Flamengo, seja no Piauí ou no Rio de Janeiro. Vou até reunir o pessoal na minha casa para a final da Libertadores", disse ao Estado o presidente da Torcida Fiel Rubro-Negra, Raimundo Brito. Do outro lado, quem é do River rebate. "Não dá para torcer contra o River Plate, ainda mais jogando contra o rival Flamengo. Une o útil ao agradável", comentou o presidente da torcida River Chopp, Ciro César Andrade.

Com a grave crise financeira do Flamengo, clássico com o River perdeu a força
Com a grave crise financeira do Flamengo, clássico com o River perdeu a força
Foto: Federação de Futebol do Piauí/Divulgação / Estadão

Mas em vez de só torcer pelos xarás famososo, as duas torcidas também se preocupam em não deixar a rivalidade local morrer no Estado. O River é o maior campeão regional do Piauí e vem sentindo nos últimos anos a ausência do seu maior adversário. O Flamengo vive grave crise financeira, precisou vender a sede e outros imóveis do clube para pagar dívidas. Tem lutado nos últimos anos para não terminar o Estadual como lanterna.

Clássico em 2015, no Albertão, entre River e Flamengo
Clássico em 2015, no Albertão, entre River e Flamengo
Foto: Federação de Futebol do Piauí/Divulgação / Estadão

A solução encontrada pelas torcidas para amenizar a situação foi criar no ano passado um jogo amador, com a formação de equipes nascidas por apoiadores dos dois clubes no Piauí. A sétima edição do encontro será neste sábado, no campo da Vila Bagdá, em Teresina, e com ingredientes interessantes. O retrospecto do confronto está empatado e os times vão entrar em campo ao som do hino da Liga dos Campeões, em jogo com narrador, sorteio de brindes e arrecadação destinada a fins filantrópicos.

Rivengo amador em 2018

"Como o futebol aqui é fraco, a torcida fica parada e sente falta das boas partidas. A gente precisa do clássico na várzea para manter viva a chama da rivalidade entre River e Flamengo", comentou o presidente da River Chopp, Ciro Andrade. "O Flamengo tem enfrentado tantos problemas que a torcida se afastou. A rivalidade tem diminuído", explicou Raimundo Brito, da Fiel Rubro-Negra.

SOBREVIVÊNCIA

Para o jornalista e historiador Severino Filho, autor do livro "Rivengo, o clássico de século", a situação complicada do Flamengo (PI) tem prejudicado bastante a relevância do clássico mais tradicional do Piauí. "O futebol do nosso Estado depende totalmente que os dois rivais estejam bem. Isso incentiva os outros clubes e torcidas da região", diz.

Jogo amador disputado na várzea tenta manter rivalidade viva no Piauí
Jogo amador disputado na várzea tenta manter rivalidade viva no Piauí
Foto: Divulgação/Rivengo da Vila Bagdá / Estadão

A rivalidade entre River e Flamengo no Piauí se intensificou a partir da década de 1960, embora os dois clubes sejam um pouco mais antigos. O time rubro-negro foi fundado em 1937, com inspiração no xará carioca e para se contrapor ao Botafogo, outra equipe de Teresina. O River tem esse nome desde 1946. Na época, os fundadores vieram para São Paulo comprar um jogo de uniformes e levaram camisas idênticas às da equipe argentina.

Mascotes dos dois rivais no Piauí reunidos para promover Rivengo de 2015
Mascotes dos dois rivais no Piauí reunidos para promover Rivengo de 2015
Foto: Federação de Futebol do Piauí/Divulgação / Estadão

"O nome veio em dedicação ao River Plate. A ideia foi bem recebida, até porque Teresina está localizada entre dois rios", comentou o historiador. Severino cita também que no passado alguns jogadores do Flamengo do Rio vestiram a camisa do xará piauiense. Todos eram atacantes: Nélio, Tuta e Edilson Capetinha.

Longe de todos esses capítulos importantes, nomes famosos e cifras milionárias, as torcidas de River e Flamengo se orgulham do passado e esperam que pelo menos o clássico Rivengo possa um dia voltar a mexer tanto com Teresina assim como a final da Libertadores tem agitado a América do Sul.

Estadão
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