Memes da derrota do Flamengo para o Del Valle serviu de 'marketing gratuito' para marca de sucos
Revés do clube carioca na decisão da Recopa promoveu exposição espontânea da Del Valle; especialistas analisam esse fenômeno
Assim como já havia acontecido nas eliminações diante do Corinthians, pela Copa Libertadores, e São Paulo, na Copa Sul-Americana, o Indepediente Del Valle, do Equador, fez mais uma vez história contra um grande brasileiro, ao vencer o Flamengo na decisão da Recopa, nas penalidades, dentro do estádio do Maracanã.
E como nas outras ocasiões, a marca de sucos Del Valle viralizou nas redes sociais com centenas de memes que faziam alusão às gozações diante de seus adversários ou até mesmo em postagens de personalidades do futebol, caso do atacante Deyverson, do Cuiabá, e do ex-zagueiro Rodrigo, ex-Vasco e São Paulo, que publicaram em suas contas no Instagram fotos com imagem do suco, e até mesmo o apresentador Neto, da TV Bandeirantes, que apareceu segurando uma embalagem da marca.
De acordo com especialistas, essa exposição gratuita pode ter vantagens momentâneas ou mais duradouras dependendo do vencedor e do quanto querem ser explorados.
"Como diria Falcão, não o ex-jogador, mas o cantor, no futebol o resultado não é tudo, mas é 100%. E se o Flamengo, literalmente, 'engolisse' o Del Valle numa partida memorável no Maracanã, e levasse os 70 mil presentes e dezenas de milhões ao êxtase com uma goleada? Certamente a marca de sucos surfaria a onda, porque estaria se conectando positivamente com milhões de flamenguistas num momento altamente positivo. Com a derrota, a marca é lembrada, demonstra força e recall. Mas fica apenas nisso", explica Armênio Neto, especialista em novos negócios do esporte, e que já gerenciou o departamento de marketing do Santos na época do ex-jogador Neymar.
Um fato curioso é que os sucos Del Valle não tem qualquer relação com o Independiente Del Valle. Fundado em 1958, recebeu o 'Del Valle' em razão de a cidade-sede Sangolquí, em Quito, ficar dentro de um vale. Mesmo assim, quando a equipe equatoriana enfrenta os tradicionais times brasileiros, os memes e gozações nas redes sociais são instantâneos. Foi assim, por exemplo, quando o Del Valle eliminou o Corinthians na Copa Libertadores de 2019, e principalmente quando aplicou 5x0 no Flamengo na mesma competição em 2020, além da vitória sobre o São Paulo no final do ano passado, pela Copa Sul-Americana.
"É um gol de placa quando acontece este engajamento sem a necessidade da marca precisar interagir. É natural e muito mais forte, deixando as brincadeiras por parte dos fãs. Agora, para setores de marketing mais arrojados que querem surfar ainda mais nesta onda, é imprescindível que fiquem atentos a estes movimentos, onde as marcas podem deixar ações preparadas na manga para o timing exato, até mesmo para entrar em mercados que não atuam", aponta Renê Salviano, CEO da Heatmap, empresa de marketing esportivo especializada na captação de patrocínios entre clubes, empresas e atletas.
Na mesma proporção, quem também conseguiu marketing espontâneo foi o Red Bull Bragantino, em razão, claro, da marca de enérgeticos produzida pela empresa. Nesta caso, é verdade, existe um case bem sucedido de obtenção da marca a partir da parceria com a empresa Red Bull GmbH, em 2019, que passou a aderir o vermelho junto ao seu tradicional alvinegro.
"A gente costuma dizer que a marca é trazida quase que espontaneamente para a cultura popular do futebol. O efeito é imensurável, e pode ser bem sucedido se seguir o caminho inverso. Já falei algumas vezes sobre isso, mas saindo um pouco do esporte, o canal Porta dos Fundos faz isso muito bem, pois se apropriam de uma marca e sabem trabalhar isso de uma forma que consiga ser atraente para todos, e isso independe de um acordo comercial. Um grande exemplo disso foi com o vídeo do Spoletto [rede de culinária italiana]. Eles sempre trabalharam a marca, independente da negociação comercial", acrescenta Bruno Maia, especialista em inovação e novas tecnologias do esporte e entretenimento e sócio da Feel The Match.