Do céu ao inferno: Flamengo dá novo vexame na Libertadores
16 mar2012 - 07h46
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Cirilo Junior
Direto do Rio de Janeiro
Quatro anos depois da acachapante derrota para o América do México por 3 a 0, que decretou a eliminação do Flamengo da Copa Libertadores de 2008, o torcedor rubro-negro voltou a presenciar um vexame da sua equipe jogando no Rio de Janeiro. Novamente, três gols tomados de forma inesperada na mesma competição e outra lembrança em comum daquela noite, no banco de reservas: o técnico Joel Santana.
O bom público (26.830 pagantes) que compareceu ao Estádio do Engenhão parecia estar disposto a uma trégua com o time, após as vaias e xingamentos da partida anterior, na vitória ante o Emelec, do Equador. Ronaldinho, que vem sendo contestado, era incentivado na entrada do campo, assim como Vágner Love e o jovem Muralha.
Mas um jogador que não estava em campo era candidato a ser um dos protagonistas da noite. Adriano era ovacionado, e os gritos de "o Imperador voltou" poderiam indicar para algum desavisado que o atacante que saiu do Corinthians nos últimos dias havia acertado seu retorno à Gávea. Mas a festa para um dos heróis do título brasileiro de 2009 apenas ratificava a vontade que a maioria da torcida rubro-negra demonstra em contar de novo com o problemático jogador.
A escalação ofensiva de Joel Santana, com volantes que sabem sair jogando (Muralha e Luiz Antônio) e dois armadores (Thomás e Botinelli) abastecendo o ataque formado por Ronaldinho e Vágner Love indicava que o Flamengo partiria para cima do time paraguaio. Foi o que aconteceu, só que o time esbarrava na boa retranca armada pelo Olimpia.
O jogo era truncado até que, no final da primeira etapa, Vágner Love fez boa jogada individual e colocou o argentino Botinelli na cara do gol. O gringo abria o marcador e os caminhos do Flamengo na noite.
Na volta do segundo tempo, o Flamengo conseguia encaixar os passes, e um personagem que vinha sendo coadjuvante nos últimos jogos voltou a ser protagonista. Ronaldinho jogava bem novamente, com belos passes e até mesmo arrancadas que lembravam - bem de longe - seus áureos tempos no Barcelona.
No meio, o camisa 10 tinha o auxílio do jovem volante Luiz Antônio, que também se destacava. Numa boa jogada da promessa rubro-negra, Vagner Love saiu na cara do gol, e acabou sofrendo pênalti do goleiro Martín Silva. Ronaldinho bateu bem, e ampliou o placar para 2 a 0.
O time deslanchou na partida, e dominava completamente o Olimpia. Aos 18min, Ronaldinho deu passe magistral, olhando para um lado e tocando para outro, e colocou Luiz Antônio na cara do gol. O volante chutou forte e colocado no canto, fazendo 3 a 0.
O Flamengo seguiu jogando bem e criando boas jogadas, e a liderança isolada do Grupo 2 era uma certeza para todos que estavam no Engenhão. A torcida não parava de festejar. Nem mesmo o gol de falta de Zeballos, que acabara de entrar, parecia abalar essa convicção. Eram 31min do segundo tempo, e o gol parecia ser um lampejo do Olimpia.
Mais do que um esboço de reação do time paraguaio, o gol pareceu iniciar uma pane geral no time do Flamengo. Joel Santana colocou seu xodó, o atacante Negueba, no lugar do meia Thomás. Depois, ele explicaria que tentou usar a velocidade dele para jogar nas costas do lateral do time paraguaio, tentando o contra-ataque.
O tiro acabou saindo pela culatra. O Flamengo não conseguia segurar a bola, e o Olimpia passou a pressionar. Aos 38min, Luis Caballero driblou o zagueiro chileno González e chutou da entrada da área, diminuindo para 3 a 2.
A apreensão tomou conta do Engenhão, e a torcida - que até então apoiava - começou a se impacientar. Como o próprio Joel disse após o jogo, era hora de o Flamengo pegar a bola, "furá-la" e acabar com o jogo. Ficou, no entanto, assistindo a reação do time paraguaio. Cinco minutos depois, o argentino Maxi Biancucchi, ex-Flamengo, fez boa jogada individual e tocou para Marin, que chutou forte para decretar de vez o fim da festa rubro-negra: 3 a 3.
Daí para o fim do jogo, o Flamengo mal acertava uma jogada, e as vaias, a exemplo da semana passada, voltaram a ser uma espécie de trilha sonora no Engenhão. Desta vez, Ronaldinho foi poupado e Negueba e o técnico Joel Santana passaram a ser os grandes alvos dos flamenguistas.
"Dizem que tem certas coisas que só acontecem ao Botafogo. Mas em matéria de derrotas inexplicáveis, o Flamengo é especialista", dizia um torcedor, na saída do estádio. Na entrevista após o jogo, um atônito Joel tentava passar calma e, sem sucesso, explicar as causas de outra derrota improvável do Flamengo na Libertadores. Foi quando a lembrança de 2008 veio à tona por meio de um repórter que o treinador saiu do sério.
"Não aguento mais isso. Até quando você vai me castigar? Não respondo mais essa pergunta. Vou ficar sendo castigado até agora? Tem que dividir um pouquinho as responsabilidades. Aconteceram muitas coisas naquele jogo que você não sabe. Aqui é outra história, é outro jogo. Relaxamos", afirmou.
A história e o jogo podem ser outros. Mas o que os incrédulos torcedores rubro-negros passaram na noite de ontem não foi muito diferente do vivido há quatro anos, na mesma competição.
Primo de Lionel Messi e ex-Flamengo, Maxi Biancucchi foi um dos principais jogadores do ataque do Olímpia
Após oito jogos, dois gols e algumas polêmicas, Adriano está fora do Corinthians. Aos 30 anos, o centroavante que já foi considerado um dos melhores do mundo procura um clube para jogar. Mas em quais equipes o estilo de Adriano - dentro e fora de campo - se encaixaria melhor? O Terra avalia 15 times que poderiam tirar benefícios de uma tentativa de recuperar o atacante, que acumula atuações apagadas, má forma física e problemas extracampo há dois anos
Foto: Tom Dib / Agência Lance
A opção óbvia para Adriano é o Flamengo, clube em que foi revelado e onde conquistou sua última glória no futebol: o Campeonato Brasileiro de 2009. Na Gávea, o atacante seria recebido de braços abertos por clube e torcida, encontrando um ambiente familiar e amigável - fatores vistos como importantes para o bom desempenho de Adriano em campo. Em forma, poderia jogar na vaga do contestado Deivid, formando um trio ofensivo com Ronaldinho e Vagner Love
Foto: Cleber Mendes / Agência Lance
Se não acertar com o Flamengo, Adriano poderia ser uma aposta do Vasco - o jogador teria que superar a rivalidade entre as torcidas, mas, se recuperasse a boa forma, se encaixaria bem no elenco. O técnico Cristóvão Borges não tem um reserva imediato para o centroavante Alecsandro, e Adriano poderia disputar com ele a vaga de titular, mantendo um bom nível no setor ofensivo da equipe. Além disso, ainda estaria no Rio de Janeiro, onde se diz "feliz"
Foto: Daniel Ramalho / Especial para Terra
O Internacional está muito bem resolvido na posição de centroavante com Leandro Damião, mas as chances de o astro colorado deixar o time no meio do ano já foram admitidas pela diretoria. A equipe gaúcha poderia apostar em Adriano para assumir o posto após uma eventual saída de Damião, usando o tempo que resta até o final da Libertadores para tentar recuperar o atacante, dar a ele ritmo de jogo e deixá-lo preparado para vestir a camisa 9 do Inter
Foto: Reuters
Com um time sem estrelas além do argentino Montillo, o Cruzeiro de Vagner Mancini ainda é uma equipe em formação. A função de centroavante vem sendo feita principalmente por Anselmo Ramon, com Wallyson, Walter e Wellington Paulista na disputa; uma eventual contratação de Adriano acrescentaria um nome forte ao elenco. Além disso, com as variadas opções ofensivas do time, a recuperação da forma de Adriano não seria uma urgência, e ele teria o tempo necessário para se reabiliar
Foto: Washington Alves/Vipcomm / Divulgação
Após excelente campanha na Série B do ano passado, a Portuguesa ainda não se encontrou na atual temporada. Com campanha ruim no Campeonato Paulista, o time sofre para achar o substituto de Edno, que foi o centroavante em 2011 - tentou Ricardo Jesus (atual titular), Vandinho, Rodriguinho, Danilo e o já dispensado Rafael Oliveira. Apostar em Adriano poderia ser a solução, caso o jogador entre em forma e abrace o desafio de manter o time na primeira divisão
Foto: Fernando Borges / Terra
Outro rubro-negro além do Flamengo poderia ser o destino de Adriano no futebol brasileiro: o Sport, assim como a Portuguesa, subiu da Série B e precisa de reforços para encarar a longa temporada e se manter na elite. Jael, Jheimy e Roberson são os postulantes à camisa 9 em 2012, mas a contratação de Adriano daria experiência e qualidade ao setor ofensivo caso o jogador se reabilitasse. Além disso, na calorosa capital pernambucana, o centroavante encontraria ambiente amigável par jogar
Foto: W. Correia Neto / Gazeta Press
Se optar por retornar ao futebol europeu, Adriano poderia encontrar um cenário propício para voltar ao bom futebol no Parma. Além de ter brilhado pela equipe italiana entre 2002 e 2004, o jogador encontraria no país um futebol mais lento, onde centroavantes que se movimentam pouco ainda encontram espaço, sobretudo nos times menores. Acostumado às defesas italianas, Adriano poderia suprir a principal carência da equipe, que não tem um camisa 9 de ofício
Foto: Getty Images
Outra opção no Campeonato Italiano é o Catania, clube pequeno que faz boa campanha nesta temporada, e tem um elenco recheado de sul-americanos - são 10 argentinos, um brasileiro e um chileno. Adriano não precisaria chegar com a responsabilidade de jogar bem imediatamente, e poderia "cavar" sua vaga de titular aos poucos. Para isso, porém, precisaria se manter bem psicologicamente e ter paciência
Foto: Getty Images
Na Espanha, um time que poderia oferecer boas condições a Adriano é o Sevilla. Após anos competindo como uma das principais equipes do país, o clube da Andaluzia reformulou parte de seu elenco e faz temporada discreta. Adriano poderia preencher o vácuo da saída de Luís Fabiano e se tornar uma ótima opção de ataque. O espanhol Álvaro Negredo é o dono da camisa 9 e titular absoluto, mas o malinês Frederic Kanouté já tem 34 anos e pode deixar o clube em breve
Foto: AFP
Caso não volte a encontrar sua melhor forma técnica, Adriano teria na Inglaterra uma equipe que se encaixa perfeitamente com o perfil de "centroavante trombador": o Stoke City. O clube, que costuma ficar no meio da tabela, é reconhecido por praticar um futebol "britânico à moda antiga", com muitas bolas longas, força física e ênfase no jogo aéreo. Ao lado de Peter Crouch, Adriano poderia formar uma dupla ideal para o estilo preferido do técnico Tony Pulis
Foto: Getty Images
Uma alternativa bem mais "glamourosa" em solo inglês seria o Chelsea. O clube tentou passar por uma renovação sob o comando de André Villas-Boas, mas os maus resultados causaram a demissão do técnico português. Como Didier Drogba, 34 anos, deve sair no fim da temporada, e Fernando Torres não consegue sair da má fase, Adriano poderia ser uma aposta improvável do bilionário russo Roman Abramovich, dono do clube
Foto: Getty Images
Outra opção para Adriano no mercado europeu poder ser a Alemanha, e o Wolfsburg seria apropriado para o jogador tentar se reabilitar. Ele encontraria a companhia de três brasileiros (Felipe Lopes, Josué e Chris), e poderia tentar repetir o sucesso recente de outro centroavante do País no time alemão: Grafite, que foi à Copa do Mundo de 2010 em seu lugar. Com os atacantes Mandzukic e Helmes no elenco, ele provavelmente começaria como reserva
Foto: AFP
Se Adriano precisa se sentir em um ambiente confortável para jogar bem, o futebol português é uma ótima saída: além da afinidade do idioma, a liga é lotada de brasileiros. No Braga, o atacante encontraria nada menos que 13 compatriotas. Os principais concorrentes pela vaga de centroavante seriam o ex-santista Lima e o veterano Nuno Gomes. Em um campeonato menos competitivo, Adriano teria o tempo necessário para readquirir ritmo e voltar a se destacar
Foto: Getty Images
Um dos times mais ricos do futebol mundial, o Anzhi Makhachkala, da Rússia, seria um destino para o jogador ganhar dinheiro. Com Roberto Carlos como dirigente e outros brasileiros no elenco (Jucilei e João Carlos), Adriano seria uma nova estrela para o elenco que já conta com o camaronês Samuel Eto'o. Na Rússia, porém, o centroavante provavelmente teria que deixar de lado os planos de se recuperar futebolisticamente
Foto: Getty Images
O futebol chinês vem tentando se expandir com a aquisição de jogadores renomados, como Nicolas Anelka, e seria um destino apropriado caso Adriano decidisse deixar em segundo plano o critério técnico na escolha de seu próximo clube. O Guangzhou Evergrande, equipe de Darío Conca, Muriqui e Cléo, poderia ser um destino apropriado, formando um quarteto ofensivo totalmente sul-americano