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Ex-detento oferece cortes de cabelo gratuitos durante Copa do Mundo

David Arias realiza trabalho nos arredores do SoFi Stadium, em Inglewood

3 jul 2026 - 23h55
(atualizado em 4/7/2026 às 00h06)
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Um barbeiro chamou atenção na saída do SoFi Stadium, em Inglewood, ao oferecer cortes de cabelo gratuitos aos torcedores que assistiram ao jogo entre Espanha e Áustria, vencido por 3 a 0 pela campeã mundial de 2010.

David Arias realiza trabalho nos arredores do SoFi Stadium, em Inglewood
David Arias realiza trabalho nos arredores do SoFi Stadium, em Inglewood
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Um gesto simples, mas que, para David Arias, tem um significado profundo: transformar a Copa do Mundo em uma oportunidade para falar sobre inclusão, solidariedade e segundas chances.

Em meio ao barulho das trombetas e dos cânticos dos torcedores das duas seleções, entre os atrasados que corriam ofegantes após a viagem interminável que tiveram de enfrentar para chegar ao estádio, depois de pagarem preços exorbitantes, Arias, com suas tesouras e o corpo coberto de tatuagens, surgia no caminho.

Sua presença reflete o bairro que está sediando a Copa, uma região com forte presença afro-americana e latina e com índices de criminalidade e de atuação de gangues muito mais elevados do que os dos bairros mais ricos que ficaram famosos por causa de Hollywood.

"Fiquei na prisão por 11 anos e, quando saí, tinha medo de que ninguém quisesse mais cortar o cabelo comigo. Mas eu estava enganado", disse o barbeiro em entrevista à ANSA, pouco antes do pontapé inicial.

Em seu recomeço, o profissional abriu uma barbearia, e os clientes estão chegando. Desde o início da Copa do Mundo, ele decidiu levar cadeiras, lâminas de barbear e tesouras para os arredores do estádio.

"Quero dizer exatamente isso às pessoas que vêm de todos os países do mundo: todos nós merecemos uma segunda chance. Talvez você me veja assim, cheio de tatuagens, mas, apesar do meu passado, sou uma boa pessoa", disse, em espanhol, enquanto não parava de cortar o cabelo de um cliente.

De origem mexicana, Arias revelou que torce pela seleção brasileira desde criança. "Meu pai sempre me disse que eles têm o melhor time e os jogadores mais fortes. Ao observar os melhores, você também se torna melhor", afirmou.

Enquanto isso, Arias decidiu não viver sua reabilitação sozinho, mas "devolvê-la à comunidade". "O esporte nos une, e eu deixo qualquer pessoa sentar na minha poltrona, sem distinção de cor ou bandeira", concluiu. .

Ansa - Brasil
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