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Léo de Deus abriu mão de nadar final em que Brasil levou ouro e recorde

21 dez 2018
07h21
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Leonardo de Deus, o Léo de Deus, como é conhecido, tem 27 anos. Está longe de ser um veterano, como Nicholas Santos, bicampeão mundial aos 38 anos, mas, já conta com vasta experiência na natação. Toda essa bagagem acumulada lhe fez tomar coragem para uma decisão inédita e surpreendente durante o Mundial da China, em Hangzhou, de piscina curta, há uma semana: abdicar de nadar uma final.

Na véspera da seletiva do revezamento 4×200 livre, o time brasileiro tinha Luiz Altamir, Fernando Scheffer e Breno Correia confirmados. Léo de Deus e Leonardo Santos eram os únicos que não tinham os 200 metros livre como suas especialidades, mas o primeiro, mais experiente, seria utilizado na prova valendo medalha, enquanto Santos participaria da seletiva, horas antes.

"Só tinha garoto novo e eu ali, um pouco mais de experiência. A gente sabia que tinha condições de buscar uma medalha nesse revezamento, até porque a gente já vinha falando, a gente tem três atletas que são especialistas na prova de 200 livre, e eu e o Léo Santos, que nadamos outras provas. A gente estava de coringa", explicou Léo de Deus, em seu retorno ao Brasil.

"Eu disse que não estava me sentindo bem naquela competição: 'acho que o Léo Santos vai ser melhor para o Brasil à tarde. Eu nado de manhã'", revelou o atleta da UniSanta sua conversa com a comissão técnica.

A estratégia deu mais que certo. Léo de Deus ajudou o Brasil a se garantir entre os oito finalistas. Depois, curtiu das arquibancadas uma prova histórica, com direito a medalha de ouro e recorde mundial com um quarteto de jovens promessas de 19 a 23 anos apenas.

"Eu tenho duas Olimpíadas, nunca gostei de nadar de manhã, mas, pela primeira vez eu vi a importância de que um atleta coadjuvante pode fazer para o time. Pela primeira vez eu falei 'não tenho que olhar o meu resultado, tenho que olhar para o time'", explicou, sem negar que sua posição não foi das mais confortáveis no ambiente íntimo.

"Para mim foi bem pesado. Tive de abrir mão da vaga, porque a gente sabia que o Léo poderia fazer algo naquele momento. Hoje, com meus 27 anos, tudo que a gente já viveu no esporte… Talvez, em 2012 eu falasse 'não'. Eu ia nadar a final, pelo menos se tivesse bronze eu estaria lá no pódio. Talvez, não fosse isso a gente não estaria com o ouro e o recorde mundial. Foi uma decisão acertada".

Por ter participado do revezamento na fase de classificação, Léo de Deus também recebeu sua medalha de ouro e sua parte da premiação em dinheiro. "Nunca foi tão fácil", brincou.

O ato ganhou notoriedade entre os companheiros, mas agora, Léo de Deus quer focar em seus objetivos pessoais. Para começar, a meta é igualar o feito de uma das lendas na natação brasileira.

"Hoje o único tricampeão é o Xuxa, o Fernando Scherer, na prova dos 50 livre. Então ele é o único tricampeão da natação, da história da natação em pan-americanos. Eu estou buscando essa meta de ser o tricampeão dos 200 borboleta. Eu ganhei em Guadalajara em 2011, em Toronto em 2015, com recorde, e agora em Lima a gente vai buscar esse tricampeonato", avisou.

O objetivo principal, porém, são os Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, em 2020, ano em que Léo de Deus terá 29 anos.

"Lá no Pan-Pacífico fiz a 8ª melhor marca do mundo nos 200 borboleta. São 51 centésimos que estão me distanciando hoje de uma medalha olímpica. A gente não sabe o que vai acontecer, mas melhorei ano passado, nadei para 1min54s89, foi uma melhora que fiquei muito feliz. Vou buscar 1min54s baixo. Está na hora, já tenho duas Olimpíadas", explicou.

O sonho do pódio olímpico está bastante vivo na mente de Léo de Deus, e é a palavra de um ginasta que mantém essa chama acesa, apesar das dificuldades.

"O Diego Hypólito falou para mim: 'Em 2008 eu caí de bunda, em 2012 eu caí de cara, mas em 2016 eu caí de pé e fui medalha de prata. Vai buscar sua medalha em Tóquio'. Ele falou isso para mim e ficou marcado", contou o nadador da UniSanta.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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