Jornal: farmácia diz que não foi consultada em julgamento de Cielo
Responsabilizada por contaminar com furosemida as pílulas de cafeína ingeridas pelo nadador brasileiro Cesar Cielo, a farmácia Anna Terra, por meio de sua advogada Rosely Pozzi, afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que não foi consultada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) antes do veredito final do caso de doping, divulgado nessa quinta-feira.
A CAS apenas manteve a advertência dada pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) ao nadador, o que liberou Cielo para disputar o Mundial de Esportes Aquáticos na China. A defesa do atleta responsabiliza a farmácia por uma suposta contaminação cruzada, mas a Anna Terra, localizada em Santa Bárbara D'Oeste, nega a acusação e diz que não foi convocada pela CAS para dar sua versão do caso. Segundo a Folha de S. Paulo, em situações anteriores de atletas flagrados no doping, as farmácias de manipulação acusadas de contaminação foram ouvidas pela entidade julgadora.
Entenda o caso
O velocista Cesar Cielo teve resultado adverso para a substância proibida furosemida em um exame antidoping feito no Troféu Maria Lenk, realizado em maio, no Rio de Janeiro. Além dele, campeão olímpico e mundial, outros três nadadores brasileiros também foram flagrados: Nicholas Santos, Vinícius Waked e Henrique Barbosa.
De acordo com nota da CBDA, divulgada em 1º de julho, os envolvidos declinaram do direito de realização da amostra B e definiram com precisão como o diurético entrou no organismo, o que comprovou que não houve aumento dos seus desempenhos - fato que não ocorreu nesta competição. Desta forma, a entidade optou apenas por uma advertência aos quatro atletas uma vez que não foi identificada culpa ou negligência por parte deles no episódio. O próprio Cielo, em nota oficial divulgada posteriormente, disse que "em nenhum momento fui imprudente ou negligente ou usei de imperícia".
No entanto, a Fina (Federação Internacional de Natação) resolveu recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS) para tomar uma decisão se os quatro deveriam ou não ser punidos pelo uso da substância, seguindo as regras das leis antidoping da Fina. Os nadadores foram ouvidos em 20 de julho, em Sheshan, na China. Em seguida, o tribunal analisou os depoimentos e as provas para anunciar no dia 21 o resultado do julgamento.
A Corte Arbitral do Esporte (CAS) decidiu apenas manter a advertência dada pela CBDA a Cesar Cielo, Nicholas Santos e Henrique Barbosa. Somente Vinícus Waked, que é reincidente em caso de doping, foi punido. Menos badalado do quarteto, o nadador recebeu um ano de gancho. Ele já havia sido suspenso por dois meses em fevereiro de 2010, também por ingerir substância proibida.
Como os resultados dos quatro nadadores desde o Maria Lenk foram anulados, Henrique Barbosa e Nicholas Santos perderam a classificação ao Mundial, pois haviam feito os índices necessários para participar durante a competição no Rio de Janeiro. Cielo já estava classificado antes disso, enquanto Waked não obteve índice. Além do Mundial, Cesar Cielo está liberado para disputar a Olimpíada de Londres, em 2012.
Dos quatro flagrados no exame, apenas Henrique Barbosa não faz parte do P.R.O 2016 (Projeto Rumo ao Ouro), idealizado por Cielo com vistas a Olimpíada do Rio de Janeiro. O nadador é também um dos destaques do Flamengo. No Troféu Maria Lenk, competição na qual os atletas foram flagrados, Cielo foi surpreendido pelo compatriota Bruno Fratus na prova dos 100 m nado livre, uma de suas especialidades, ficando em segundo. No entanto, levou ouro nos 50 m livre, 50 m borboleta e nos revezamentos 4x50 m livre, 4x100 m livre e revezamento 4x100 m medley. Todos os resultados dele e dos outros nadadores flagrados na competição foram cancelados.
Menos conhecido entre os quatro nadadores, Waked, 23 anos, já havia sido suspenso por dois meses ainda neste ano por uso da substância isometepteno. Na época, ele se defendeu alegando que utilizou um remédio para dor de cabeça.