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De Aragonés à geração atual: "Tiki Taka" da Espanha completa 20 anos em alta

De volta às quartas de final, Fúria vê estilo de jogo dar frutos na Copa e celebra "aniversário" de sua revolução no futebol

8 jul 2026 - 13h58
(atualizado às 14h14)
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Luis Aragonés implementou o método na Espanha há 20 anos –
Luis Aragonés implementou o método na Espanha há 20 anos –
Foto: Paul Gilham / Getty Images / Jogada10

O homem que deu início à revolução do futebol da Espanha não está mais entre nós. Mas Luis Aragonés, falecido em 2014, teria orgulho do que a seleção vem produzindo, sempre fiel ao estilo que ele implementou no país. De volta às quartas de final de uma Copa do Mundo, a Fúria vê o "Tiki-Taka" completar 20 anos e atravessar mais uma geração com seu padrão de jogo admirado - e também odiado - por milhões de fãs.

O termo que se tornou símbolo de posse de bola e articulações com muita movimentação foi criado pelo narrador Andrés Montes, em uma transmissão de jogo durante o Mundial de 2006. No entanto, foi apenas o batismo de uma ideia que já vinha sendo resgatada desde que Aragonés assumiu o comando da Espanha. E o resultado não demorou muito a surgir. Afinal, em 2008, a equipe conquistou a Eurocopa, dominando todos os adversários e sem sofrer gols no mata-mata.

"Nos demos conta de que não tínhamos o físico que outras seleções têm, mas tínhamos uma qualidade técnica excelente no passe e no manuseio da bola. Decidimos buscar os jogadores que melhor tratavam a bola e montamos um meio-campo capaz de monopolizar o jogo. Se temos a posse de bola, o adversário não pode nos atacar", definiu Aragonés, à época.

O método tático foi mantido por Vicente del Bosque, sucessor e campeão do mundo em 2010 e bi da Euro em 2012. Depois, aperfeiçoado por Pep Guardiola no Barcelona, com mais objetividade e maior número de gols, e se espalhou pelo mundo da bola. Mesmo com a decepção nos ciclos seguintes, a Espanha não abriu mão de seu plano. As Copas de 2014, 2018 e 2022 representaram um período de eliminações precoces e um sinal de alerta para o Tiki-Taka.

Luis Aragonés implementou o método na Espanha há 20 anos –
Luis Aragonés implementou o método na Espanha há 20 anos –
Foto: Paul Gilham / Getty Images / Jogada10

Inspiração na Holanda

O estilo, porém, não é exatamente uma ideia original. Bebe da fonte do "futebol total" da Holanda, que tinha o meia-atacante Johan Cruyff como cérebro em campo e Rinus Mitchell como mentor no banco de reservas. A Laranja Mecânica até encantou com seu jogo ágil e sem posições fixas, mas não levou um caneco sequer, deixando a revolução de lado ao longo do período de pragmatismo do futebol de seleções nos anos 1990.

Depois de aposentar as chuteiras, Cruyff não desistiu do projeto e o levou ao Barcelona. Volante daquele time do craque holandês, Guardiola tinha paixão pelo estilo ofensivo e viria a alavancar sua carreira inspirado nele. Assim, além do Barça, foi multicampeão por Bayern de Munique e Manchester City.

Ainda assim, sempre houve muita resistência ao Tiki Taka. Não só por ser chamado de "chato" e com pouca objetividade, mas por ignorar conceitos ofensivos que também foram vitoriosos. O italiano Fabio Capello, por exemplo. deu uma declaração, em 2022, em que estabelecia o fim da tática.

Cruyff em ação pelo Barcelona na década de 1970 –
Cruyff em ação pelo Barcelona na década de 1970 –
Foto: Reprodução / Jogada10

"Neste torneio (Copa de 2022), celebraremos o fim do Tiki-Taka. A Espanha diz adeus ao 'falso 9', uma fórmula que pode funcionar em determinados casos e contextos, mas não pode tornar-se num sistema. A figura do centroavante é fundamental", avaliou, em referência à escalação de Morata como homem de área.

O próprio Guardiola já revelou, em sua autobiografia, que odeia o termo e não compatua com parte pejorativa que o método carrega.

"Eu detesto toda essa passagem de bola só por passar, esse Tiki-Taka. É uma grande besteira e não tem propósito. Você tem que passar a bola com uma intenção clara, com o objetivo de colocar a bola no gol do adversário. Foi o que sempre tentei fazer", esclareceu.

Geração de Yamal e de Rodri

Mesmo com um craque como Lamine Yamal, que vive das jogadas individuais, a Espanha deu nova vida ao estilo e ganhou a Eurocopa de 2024 sob o comando de Luís de la Fuente. Agora, no Mundial, surge como forte candidata e tem a Bélgica, na sexta-feira, às 16h, como próximo desafio. A equipe passou os cinco primeiros jogos sem levar gol, o que garantiu um recorde absoluto de invencibilidade ao goleiro Unai Simón.

Já não há Xavi, Iniesta ou Fàbregas, mas Rodri, Pedri e Olmo têm cumprido o papel como os craques da geração anterior. Aliás, o gol da vitória sobre Portugal é um ótimo exemplo de eficiência do método. A bola percorreu os pés de quase todos os jogadores de ataque, até Fernán Torres recuar e achar Mikel Merino livre para marcar.

A Espanha tem posse superior a 60% em todas as partidas da Copa até aqui. Faz poucos gols, mas ao mesmo tempo não permite que o adversário crie chances. Resta saber se na reta final do torneio, contra França, Argentina e companhia, o plano vai dar certo.

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Jogada10
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