Errata: Arqueiro paralímpico italiano é colocado em prisão domiciliar por abusos
Matteo Bonacina é acusado de cometer série de crimes entre 2019 e 2024
O arqueiro paralímpico Matteo Bonacina, de 42 anos, foi colocado em prisão domiciliar na última terça-feira (6) sob a suspeita de ter cometido uma série de crimes, incluindo perseguição, abuso psicológico, assédio e violência sexual, contra ao menos cinco atletas e uma treinadora da seleção italiana de tiro com arco.
A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação conduzida pela Promotoria de Roma e pela Polícia Postal italiana.
Segundo informações publicadas inicialmente pelo jornal La Repubblica, Bonacina teria sido alvo de denúncias envolvendo pelo menos cinco atletas e uma treinadora, com supostos episódios ocorridos entre 2019 e 2024 ? e menções a condutas que, segundo a investigação, podem remontar a 2013.
Ainda de acordo com a publicação, o atleta, campeão mundial em 2023, teria adotado um padrão de comportamento abusivo, incluindo mensagens de teor sexual explícito e solicitações consideradas inadequadas a colegas de equipe.
Em 2024, Bonacina teria exigido uma calcinha fio dental vermelha de uma integrante da seleção nacional como amuleto da sorte para os Jogos Paralímpicos de Paris. Já durante a competição, ele teria tentado estuprar outra atleta italiana no quarto de hotel onde estava hospedado e enviado imagens íntimas para outras.
Pelo menos seis pessoas da equipe nacional paralímpica de tiro com arco, incluindo menores de idade, teriam sido vítimas dos abusos cometidos pelo arqueiro.
A investigação teve início após uma denúncia formal encaminhada às autoridades judiciais, posteriormente à suspensão preventiva do atleta de suas atividades esportivas.
Segundo as autoridades locais, as buscas realizadas em equipamentos eletrônicos teriam reunido elementos que apontam para um "padrão de conduta grave, tanto verbal quanto física, contra colegas mulheres, incluindo menores de idade, dentro das instalações esportivas e nas redes sociais, por meio do envio de mensagens, imagens e vídeos de conteúdo sexual explícito".
"Seu comportamento persistiu por vários anos, a partir de 2013, gerando um clima de ansiedade e constante agitação no ambiente esportivo competitivo que frequentava", diz a polícia.
As autoridades também investigam um possível segundo suspeito: o diretor técnico da seleção nacional Guglielmo Donato Fuchsova, acusado de assédio agravado contra pessoas com deficiência.
De acordo com a acusação, Fuchsova "inicialmente agiu com omissão deliberada e, portanto, com comportamento permissivo em relação à conduta de Bonacina, deixando de tomar qualquer providência apesar de sua conduta ilegal".
Em seguida, "ameaçou as atletas, tanto velada quanto explicitamente, com expulsão da equipe e suspensão de sua participação caso não tolerassem e aceitassem o assédio e abuso sexual, silenciando quaisquer protestos ou tentativas de resistência".
Fuchsova chegou ao ponto de argumentar, em relação ao comportamento de Bonacina, que "se ele marcar pontos, nós toleramos" [os abusos].
Nas medidas cautelares contra Bonacina, o juiz destaca "a maneira compulsiva com que o comportamento se manifestou".
Segundo a decisão, "o acusado foi repreendido, confrontado e advertido, mas isso não teve efeito dissuasor sobre sua conduta".
Por fim, o magistrado afirma que isso configura "um quadro de comportamento predatório sexual compulsivo, aparentemente incontrolável e imparável, exercido de forma consistente e reiterada contra um grande número de mulheres, e que nunca cessou, apesar das queixas e contestações".
A Federação Italiana de Tiro com Arco esclareceu que o caso já foi julgado pelos órgãos da Justiça Federal e encerrado com a aplicação da sanção máxima prevista.
Segundo fontes, em maio de 2025 o tribunal federal já havia suspendido o atleta, e dois meses depois ele foi expulso. A sanção foi posteriormente confirmada no verão do mesmo ano.
Bonacina não compete há mais de um ano.
Errata: O título inicial dizia "campeão paralímpico", mas Bonacina não tem nenhuma medalha em Jogos Paralímpicos. O erro foi corrigido. .
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