Kings League e games: a fórmula que conquistou a nova geração
Felipe Funari aponta salários de até R$ 150 mil, dependência de patrocínio e expansão para a Kings League
A fusão entre Fluxo e W7M reflete a busca por escala e sustentabilidade no mercado de eSports, pressionado por aportes globais como os da Arábia Saudita. Com salários entre R$ 5 mil e R$ 150 mil, a organização conta com 140 colaboradores e suporte multidisciplinar. Para diversificar receitas além da publicidade e dos repasses de desenvolvedoras, que somam 85% do faturamento, a equipe investe em produtos, licenciamento e novas frentes, como a Kings League, para expandir sua audiência.
Segundo Felipe Funari, CEO da do Fluxo W7M, o mercado de esportes eletrônicos passou por um forte processo de profissionalização na última década. Hoje, a Fluxo W7M conta com mais de 100 colaboradores, incluindo atletas, integrantes de comissão técnica e dezenas de profissionais de áreas administrativas e operacionais.
A preparação dos jogadores vai muito além das horas em frente ao computador. A organização mantém equipes de psicologia, fisioterapia, nutrição e performance para apoiar os atletas, de forma semelhante ao que acontece em clubes de futebol, vôlei ou basquete.
O processo de descoberta de talentos também segue uma lógica parecida com a dos esportes convencionais. Os jogadores são observados em campeonatos amadores, avaliados por olheiros e passam por análises técnicas e psicológicas antes de uma eventual contratação. O trabalho inclui até mesmo conversas com familiares, já que a carreira nos eSports ainda enfrenta resistência e algumas dúvidas por parte dos pais e responsáveis.
Salários variam de R$ 5 mil a R$ 150 mil por mês
A profissionalização também se reflete na remuneração dos atletas. De acordo com Funari, os contratos iniciais giram em torno de R$ 5 mil mensais, enquanto jogadores consagrados e com forte apelo de audiência podem alcançar salários de até R$ 150 mil por mês.
A remuneração varia conforme a modalidade, o desempenho competitivo e a capacidade de engajamento com a comunidade. Atualmente, o Counter-Strike é o jogo que oferece os maiores salários no Brasil, enquanto o League of Legends lidera os vencimentos no cenário internacional.
A organização atua em diversas modalidades competitivas, entre elas:
- Counter-Strike
- League of Legends
- Free Fire
- Rainbow Six
- Fortnite
- EA FC (antigo FIFA)
- Kings League
No cenário competitivo, o Rainbow Six é uma das principais vitrines da organização.
Como os times de eSports ganham dinheiro?
Diferentemente do futebol, onde receitas de bilheteria, sócio-torcedor e direitos de transmissão possuem grande peso, os clubes de eSports ainda dependem fortemente da publicidade. Segundo Funari, cerca de 85% das receitas do setor vêm de patrocínios e ações publicitárias; contrapartidas pagas pelas desenvolvedoras dos jogos e direitos de participação em ligas fechadas.
Uma outra fonte importante é o licenciamento digital. As organizações recebem royalties por itens cosméticos vendidos dentro dos jogos, as chamadas skins.
Nesse segmento, a Fluxo W7M se destaca internacionalmente. No Rainbow Six, a organização possui uma das skins mais vendida do mundo, gerando receitas relevantes por meio da comercialização de ativos digitais.
A fusão entre Fluxo e W7M
Um dos pontos centrais da entrevista foi a explicação sobre a fusão entre Fluxo e W7M, concluída no fim de 2025. Segundo Funari, o movimento foi motivado pela necessidade de fortalecer o relacionamento direto com os fãs e construir novas fontes de receita.
Antes da união, o Fluxo possuía grande alcance de audiência e relevância entre os criadores de conteúdo, enquanto a W7M se destacava pela estrutura competitiva e pela organização financeira. A combinação das duas operações buscou unir essas fortalezas e tornar a empresa mais preparada para competir internacionalmente.
Além disso, a consolidação acompanha uma tendência global do setor. Organizações dos Estados Unidos, Europa e América Latina têm realizado movimentos semelhantes para ganhar escala, aumentar receitas e fortalecer suas posições em campeonatos mundiais.
Kings League: a ponte entre os games e o futebol
Outro tema de destaque foi a Kings League, competição criada por Gerard Piqué que mistura futebol, entretenimento, influenciadores e transmissão digital. Para o CEO, o sucesso do torneio está diretamente ligado à forma como ele conversa com o público jovem. Na visão do executivo, a Kings League conseguiu reunir três elementos fundamentais:
- Futebol, a maior paixão esportiva do brasileiro;
- Influenciadores digitais com forte conexão com a nova geração;
- Um formato dinâmico, adaptado aos hábitos de consumo das redes sociais.
Felipe destaca que muitos dos principais nomes ligados à competição vêm justamente do universo gamer. Presidentes como Nobru, Gaules, Coringa e representantes de organizações como Fluxo, LOUD e FURIA ajudaram a transferir para a Kings League uma audiência já acostumada ao consumo de transmissões ao vivo.
Segundo ele, esse movimento explica boa parte do crescimento acelerado da liga e reforça sua convicção de que o modelo representa uma das tendências mais promissoras para o futuro do esporte.
A adaptação dos atletas da Kings League
Apesar das semelhanças em audiência e engajamento, a operação da Kings League é bastante diferente da estrutura dos eSports. Enquanto jogadores eletrônicos podem competir o ano inteiro, os atletas da Kings League disputam uma temporada composta por cerca de 22 semanas ao longo de dois splits.
Por isso, a Fluxo W7M precisou buscar profissionais oriundos do futsal, fut7 e outras modalidades para compor o elenco. De acordo com Funari, a adaptação exigiu novos processos, metodologias e estruturas de treinamento, já que a rotina dos atletas de futebol é completamente diferente da dos jogadores de eSports.
Arábia Saudita virou protagonista dos eSports
Nos últimos anos, o país reuniu 27 modalidades em um grande circuito mundial realizado ao longo de três meses, concentrando campeonatos que anteriormente aconteciam de forma separada. Funari compara o formato a uma espécie de Olimpíada dos eSports, reunindo diversas competições em um único local e atraindo organizações do mundo inteiro.
Além dos torneios, os sauditas criaram um programa global de parceria com apenas 40 organizações. O Brasil possui vagas nessa iniciativa, o que aumentou a disputa entre equipes nacionais por relevância internacional.
Segundo o executivo, a capacidade financeira da região elevou o nível de competitividade global e contribuiu para acelerar movimentos de fusão e consolidação entre organizações de eSports ao redor do mundo.
O futuro dos esportes passa pelo digital
Ao analisar os próximos anos, Felipe Funari defende que a fronteira entre esporte, entretenimento e tecnologia será cada vez menor.
Para ele, iniciativas como a Kings League mostram que o engajamento das novas gerações depende da combinação entre transmissão digital, interação em tempo real, influenciadores e formatos de conteúdo mais dinâmicos.
Nesse cenário, organizações como a Fluxo W7M apostam na convergência entre games, creators e competições esportivas para construir um modelo de negócios mais sustentável e capaz de dialogar com uma audiência jovem que já nasce conectada ao ambiente digital.
O Dentro da Arena é um programa quinzenal que traz entrevistas exclusivas com grandes nomes do esporte e dos negócios. Os episódios serão publicados sempre às terças-feiras, às 11h.
A primeira temporada contará com oito episódios exclusivos, disponíveis no portal Terra, no Spotify e no YouTube.
Calendário da primeira temporada
11/08: Bruno PlayHard (fundador da LOUD)
25/08: Arnon de Mello (Vice-President and Managing Director da NBA Latin America and Canada)
08/09: Vinicius Azevedo (superintendente de Marketing do Corinthians)
22/09: Luiz Martinez (diretor-geral da NFL no Brasil)
06/10: Francisco Mattos (diretor executivo da Fórmula 1 no Brasil)
20/10: Frederico Pena (presidente da Roc Nation Sports Brazil)
04/11: Felipe Funari (sócio-fundador do Fluxo W7M)
17/11: André Rocha (CEO do Red Bull Bragantino)
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