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Dentro da Arena

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Kings League e games: a fórmula que conquistou a nova geração

Felipe Funari aponta salários de até R$ 150 mil, dependência de patrocínio e expansão para a Kings League

4 nov 2026 - 11h03
(atualizado às 11h03)
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Resumo
A fusão entre Fluxo e W7M reflete a busca por escala e sustentabilidade no mercado de eSports, pressionado por aportes globais como os da Arábia Saudita. Com salários entre R$ 5 mil e R$ 150 mil, a organização conta com 140 colaboradores e suporte multidisciplinar. Para diversificar receitas além da publicidade e dos repasses de desenvolvedoras, que somam 85% do faturamento, a equipe investe em produtos, licenciamento e novas frentes, como a Kings League, para expandir sua audiência.
Felipe Funari, CEO do Fluxo W7M
Felipe Funari, CEO do Fluxo W7M
Foto: Terra

Segundo Felipe Funari, CEO da do Fluxo W7M, o mercado de esportes eletrônicos passou por um forte processo de profissionalização na última década. Hoje, a Fluxo W7M conta com mais de 100 colaboradores, incluindo atletas, integrantes de comissão técnica e dezenas de profissionais de áreas administrativas e operacionais.

A preparação dos jogadores vai muito além das horas em frente ao computador. A organização mantém equipes de psicologia, fisioterapia, nutrição e performance para apoiar os atletas, de forma semelhante ao que acontece em clubes de futebol, vôlei ou basquete.

O processo de descoberta de talentos também segue uma lógica parecida com a dos esportes convencionais. Os jogadores são observados em campeonatos amadores, avaliados por olheiros e passam por análises técnicas e psicológicas antes de uma eventual contratação. O trabalho inclui até mesmo conversas com familiares, já que a carreira nos eSports ainda enfrenta resistência e algumas dúvidas por parte dos pais e responsáveis.

Salários variam de R$ 5 mil a R$ 150 mil por mês

A profissionalização também se reflete na remuneração dos atletas. De acordo com Funari, os contratos iniciais giram em torno de R$ 5 mil mensais, enquanto jogadores consagrados e com forte apelo de audiência podem alcançar salários de até R$ 150 mil por mês.

A remuneração varia conforme a modalidade, o desempenho competitivo e a capacidade de engajamento com a comunidade. Atualmente, o Counter-Strike é o jogo que oferece os maiores salários no Brasil, enquanto o League of Legends lidera os vencimentos no cenário internacional.

A organização atua em diversas modalidades competitivas, entre elas:

  • Counter-Strike
  • League of Legends
  • Free Fire
  • Rainbow Six
  • Fortnite
  • EA FC (antigo FIFA)
  • Kings League

No cenário competitivo, o Rainbow Six é uma das principais vitrines da organização. 

Como os times de eSports ganham dinheiro?

Diferentemente do futebol, onde receitas de bilheteria, sócio-torcedor e direitos de transmissão possuem grande peso, os clubes de eSports ainda dependem fortemente da publicidade. Segundo Funari, cerca de 85% das receitas do setor vêm de patrocínios e ações publicitárias; contrapartidas pagas pelas desenvolvedoras dos jogos e direitos de participação em ligas fechadas.

Uma outra fonte importante é o licenciamento digital. As organizações recebem royalties por itens cosméticos vendidos dentro dos jogos, as chamadas skins.

Nesse segmento, a Fluxo W7M se destaca internacionalmente. No Rainbow Six, a organização possui uma das skins mais vendida do mundo, gerando receitas relevantes por meio da comercialização de ativos digitais.

A fusão entre Fluxo e W7M

Um dos pontos centrais da entrevista foi a explicação sobre a fusão entre Fluxo e W7M, concluída no fim de 2025. Segundo Funari, o movimento foi motivado pela necessidade de fortalecer o relacionamento direto com os fãs e construir novas fontes de receita.

Antes da união, o Fluxo possuía grande alcance de audiência e relevância entre os criadores de conteúdo, enquanto a W7M se destacava pela estrutura competitiva e pela organização financeira. A combinação das duas operações buscou unir essas fortalezas e tornar a empresa mais preparada para competir internacionalmente.

Além disso, a consolidação acompanha uma tendência global do setor. Organizações dos Estados Unidos, Europa e América Latina têm realizado movimentos semelhantes para ganhar escala, aumentar receitas e fortalecer suas posições em campeonatos mundiais.

Kings League: a ponte entre os games e o futebol

Outro tema de destaque foi a Kings League, competição criada por Gerard Piqué que mistura futebol, entretenimento, influenciadores e transmissão digital. Para o CEO, o sucesso do torneio está diretamente ligado à forma como ele conversa com o público jovem. Na visão do executivo, a Kings League conseguiu reunir três elementos fundamentais:

  1. Futebol, a maior paixão esportiva do brasileiro;
  2. Influenciadores digitais com forte conexão com a nova geração;
  3. Um formato dinâmico, adaptado aos hábitos de consumo das redes sociais.

Felipe destaca que muitos dos principais nomes ligados à competição vêm justamente do universo gamer. Presidentes como Nobru, Gaules, Coringa e representantes de organizações como Fluxo, LOUD e FURIA ajudaram a transferir para a Kings League uma audiência já acostumada ao consumo de transmissões ao vivo.

Segundo ele, esse movimento explica boa parte do crescimento acelerado da liga e reforça sua convicção de que o modelo representa uma das tendências mais promissoras para o futuro do esporte.

A adaptação dos atletas da Kings League

Apesar das semelhanças em audiência e engajamento, a operação da Kings League é bastante diferente da estrutura dos eSports. Enquanto jogadores eletrônicos podem competir o ano inteiro, os atletas da Kings League disputam uma temporada composta por cerca de 22 semanas ao longo de dois splits.

Por isso, a Fluxo W7M precisou buscar profissionais oriundos do futsal, fut7 e outras modalidades para compor o elenco. De acordo com Funari, a adaptação exigiu novos processos, metodologias e estruturas de treinamento, já que a rotina dos atletas de futebol é completamente diferente da dos jogadores de eSports.

Arábia Saudita virou protagonista dos eSports

Nos últimos anos, o país reuniu 27 modalidades em um grande circuito mundial realizado ao longo de três meses, concentrando campeonatos que anteriormente aconteciam de forma separada. Funari compara o formato a uma espécie de Olimpíada dos eSports, reunindo diversas competições em um único local e atraindo organizações do mundo inteiro.

Além dos torneios, os sauditas criaram um programa global de parceria com apenas 40 organizações. O Brasil possui vagas nessa iniciativa, o que aumentou a disputa entre equipes nacionais por relevância internacional.

Segundo o executivo, a capacidade financeira da região elevou o nível de competitividade global e contribuiu para acelerar movimentos de fusão e consolidação entre organizações de eSports ao redor do mundo.

O futuro dos esportes passa pelo digital

Ao analisar os próximos anos, Felipe Funari defende que a fronteira entre esporte, entretenimento e tecnologia será cada vez menor.

Para ele, iniciativas como a Kings League mostram que o engajamento das novas gerações depende da combinação entre transmissão digital, interação em tempo real, influenciadores e formatos de conteúdo mais dinâmicos.

Nesse cenário, organizações como a Fluxo W7M apostam na convergência entre games, creators e competições esportivas para construir um modelo de negócios mais sustentável e capaz de dialogar com uma audiência jovem que já nasce conectada ao ambiente digital.

O Dentro da Arena é um programa quinzenal que traz entrevistas exclusivas com grandes nomes do esporte e dos negócios. Os episódios serão publicados sempre às terças-feiras, às 11h.

A primeira temporada contará com oito episódios exclusivos, disponíveis no portal Terra, no Spotify e no YouTube.

Calendário da primeira temporada

11/08: Bruno PlayHard (fundador da LOUD)

25/08: Arnon de Mello (Vice-President and Managing Director da NBA Latin America and Canada)

08/09: Vinicius Azevedo (superintendente de Marketing do Corinthians)

22/09: Luiz Martinez (diretor-geral da NFL no Brasil)

06/10: Francisco Mattos (diretor executivo da Fórmula 1 no Brasil)

20/10: Frederico Pena (presidente da Roc Nation Sports Brazil)

04/11: Felipe Funari (sócio-fundador do Fluxo W7M)

17/11: André Rocha (CEO do Red Bull Bragantino)

TerrAI Este conteúdo contou com o apoio de Inteligência Artificial na produção do texto ou na apuração das informações, sob supervisão da equipe de jornalistas do Terra.
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