Decepção e início de um novo ciclo: torcida e jogadores lamentam eliminação do Brasil
Na saída do MetLife Stadium, os torcedores brasileiros, maioria entre os mais de 80 mil presentes no local, deixaram o estádio profundamente decepcionados com a derrota da Seleção Brasileira neste domingo (5).
Elcio Ramalho, enviado especial da RFI a Nova Jersey,
Tanto os brasileiros que vivem nos Estados Unidos quanto aqueles que vieram do Brasil na esperança de ver a equipe avançar às quartas de final retornam para casa com críticas ao desempenho da seleção.
"Faltou intensidade. Quando a gente vê outras equipes jogando, fica evidente que falta intensidade nessa seleção", diz o torcedor Rubens.
O mineiro Marcos também não gostou da postura dos jogadores em campo. "Eles deveriam ter jogado mais. O sentimento é de decepção. A gente esperava mais. O Ancelotti deveria pegar mais no pé dos jogadores", opina.
Para Andrei Trestivo, brasileiro que mora no estado do Missouri, Carlo Ancelotti, que tem contrato até 2030, deve permanecer no cargo para dar uma nova oportunidade às novas gerações de atletas. "Se ele tiver mais tempo, vai desenvolver uma seleção imbatível", acredita.
Carol não escondeu a decepção, mas manteve a esperança que se renova a cada Copa. "Daqui a quatro anos vamos voltar de novo com a expectativa. A gente achava que o hexa viria, é muita frustração. Mas faz parte, e daqui a quatro anos estaremos de volta."
"Momento de muita dor"
A frustração da torcida potencializou o sentimento de tristeza que tomou conta dos jogadores. Cenas de muita desolação no gramado se seguiram até a saída do estádio.
O atacante Matheus Cunha revelou que o momento é de grande dor. "É uma frustração e uma dor muito grandes, porque emocionalmente é difícil imaginar o quanto seria bonita e orgulhosa a festa. Do fundo do coração, é o que mais dói."
Matheus Cunha foi o atacante derrubado na área no lance que resultou no pênalti para a Seleção Brasileira ainda no início do primeiro tempo. Bruno Guimarães, escolhido por Ancelotti para a cobrança, desperdiçou a oportunidade ao bater fraco, facilitando a defesa do goleiro Nyland, um dos heróis da classificação norueguesa.
Muito abatido por ter desperdiçado a melhor chance do Brasil na partida, Bruno Guimarães falou sobre o lance.
"Fui infeliz no pênalti. Tinha estudado muito o goleiro deles e achei que deveria bater no canto, mas ele pegou. Todo mundo está muito triste, é uma dor muito forte. Ninguém estava esperando por isso", declarou.
O lateral Danilo também ressaltou a tristeza com a eliminação, mas não quis comentar o ciclo conturbado vivido pela seleção até a Copa, marcado por sucessivas trocas de treinadores antes da chegada de Carlo Ancelotti, há pouco mais de um ano.
"É claro que, quando um trabalho é desenvolvido por mais tempo, isso ajuda bastante em todos os sentidos. Agora, o que me cabe é ser um apoiador máximo, porque precisamos olhar para a frente e construir um futuro melhor. Temos muitos jogadores de qualidade. O desejo é que eles consigam fazer aquilo que nós não conseguimos."
Apoio à nova geração
A Seleção Brasileira teve apenas 35% de posse de bola, um número raro para uma equipe tradicionalmente conhecida pelo talento e pela capacidade ofensiva. A estratégia adotada não funcionou, e o Brasil pagou caro por conceder espaços ao gigante Haaland, que decidiu a partida com um gol de cabeça e outro em chute cruzado. Neymar descontou de pênalti, mas tarde demais para uma reação.
Capitão da equipe, Marquinhos reconheceu as falhas, lamentou a falta de eficiência nas oportunidades criadas e pediu paciência da torcida com os jogadores que iniciarão o novo ciclo da seleção. "A gente sabe que o futebol hoje está muito equilibrado. Eu, como capitão, e os mais velhos temos que assumir a responsabilidade para que as próximas gerações tenham tranquilidade para trabalhar", disse ele.
"Um novo ciclo começa a partir de agora. Não sabemos o que vai acontecer, mas peço paciência com os mais jovens e o apoio da torcida desde já, para que eles possam conquistar grandes coisas na próxima Copa."
Em entrevista coletiva, Carlo Ancelotti afirmou que o Brasil não merecia a derrota. Para o treinador, a seleção criou oportunidades suficientes e tinha potencial para chegar à final do torneio.
"Saímos tristes porque a equipe não fez um Mundial espetacular, mas fez um bom Mundial. No jogo de hoje, merecíamos ganhar. Em um momento assim, é preciso entender que uma derrota pode representar o começo de uma nova aventura."
O técnico defendeu que a tristeza pela eliminação precoce deve servir de combustível para a reconstrução da equipe em um novo ciclo, que seguirá sob seu comando até a Copa do Mundo de 2030. "Temos que continuar trabalhando, evoluindo e encontrando novas ideias. Não é o fim. Essa derrota é o início de um novo ciclo", afirmou.
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