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Boca Juniors vira exemplo em alerta do Cruzeiro ao STF sobre as bets

Representante do Cruzeiro no STF alertou para perdas financeiras e empregos

3 nov 2026 - 18h12
(atualizado às 18h12)
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Resumo
Em audiência no STF, o representante do Cruzeiro, José Francisco Cimino, alertou que a restrição a patrocínios de apostas causará grave desequilíbrio esportivo e financeiro aos clubes brasileiros em relação aos rivais sul-americanos, citando o Boca Juniors. Ele destacou que a perda dessa receita, essencial para modalidades como o futebol feminino e equivalente a várias folhas de pagamento, pode gerar até 15 mil demissões, defendendo a regulamentação do setor em vez da proibição severa.

A Medida Provisória que restringe a publicidade e o patrocínio de empresas de apostas pode provocar consequências que ultrapassam o campo financeiro. Essa foi a avaliação de José Francisco Cimino, representante do Cruzeiro durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (3/11).

Foto: Rosinei Coutinho/ STF
Foto: Rosinei Coutinho/ STF
Foto: Rosinei Coutinho/ STF / RTI Esporte

Na manifestação, ele alertou para o risco de desequilíbrio esportivo entre equipes brasileiras e adversários de outros países. Para sustentar o argumento, José Francisco Cimino citou a partida entre Boca Juniors e Vasco, disputada em 20 de outubro, no Maracanã, pela Copa Sul-Americana.

Na ocasião, a equipe argentina entrou em campo com a marca de uma empresa de apostas estampada no uniforme. O exemplo foi utilizado pelo representante do Cruzeiro para demonstrar que clubes sul-americanos podem continuar explorando comercialmente esse mercado, enquanto os brasileiros enfrentam restrições.

"Isso significa, ministro, que a medida provisória ainda vai gerar um enorme desequilíbrio entre o futebol brasileiro e as equipes sul-americanas, especialmente entre os nossos rivais que vão poder contar com o patrocínio das empresas de apostas", defendeu.

Quem é José Francisco Cimino?

A participação de José Francisco Cimino na audiência também tem relação com sua experiência na regulamentação do mercado de apostas no Brasil. Em 2023, ele participou do trabalho conduzido pelo governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, que estruturou as regras para as apostas de quota fixa no país.

Na avaliação do representante do Cruzeiro, a regulamentação daquele período cumpriu o artigo 29 da Lei nº 13.756/2018. Para ele, os problemas enfrentados atualmente pelo setor são consequência dos anos anteriores de omissão e ausência de fiscalização adequada.

José Francisco Cimino também comparou a política brasileira com experiências internacionais. Citou Reino Unido, França, Estados Unidos e Alemanha como países que optaram pela regulamentação e fiscalização das apostas.

Em contraponto, mencionou a China como exemplo de proibição rigorosa. Segundo os números apresentados por ele na audiência, o mercado ilegal de apostas no país movimenta aproximadamente US$ 60 bilhões por ano e alimenta atividades do crime organizado.

Cruzeiro calcula impacto financeiro da medida

Outro ponto central da manifestação foi o efeito econômico da MP sobre os clubes brasileiros. José Francisco Cimino afirmou que o impacto não ficará restrito ao Cruzeiro e poderá atingir diferentes equipes, especialmente aquelas que incorporaram receitas de patrocínio ao planejamento financeiro.

No caso do clube de Belo Horizonte, o representante destacou que o contrato de patrocínio relacionado às apostas correspondia ao equivalente a quatro ou cinco folhas de pagamento de atletas e funcionários do Cruzeiro.

A receita também contribuía para a manutenção do futebol feminino. O alerta ganha relevância porque a equipe feminina do Cruzeiro havia conquistado recentemente a Copa Libertadores da América, resultado que ampliou a importância do investimento na modalidade.

Alerta para perda de empregos no futebol

Cimino também levou ao STF a preocupação com os efeitos sobre os trabalhadores ligados à indústria esportiva. Durante a apresentação, afirmou que a medida pode provocar a perda imediata de quase 7 mil empregos, com possibilidade de o número chegar a 15 mil demissões.

A manifestação do representante celeste colocou em discussão uma consequência que vai além dos contratos comerciais: a capacidade dos clubes de manter estruturas profissionais, equipes e projetos esportivos diante da redução de receitas.

Para José Francisco Cimino, a mudança nas regras precisa considerar os efeitos econômicos e esportivos sobre o futebol brasileiro, sobretudo diante da diferença regulatória em relação aos concorrentes internacionais.

RTI Esporte
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