Após pânico de 2010, Messi ousa assumir liderança argentina
O estádio grita por ele. A torcida visitante lamenta quando ele perde um gol incrível. Até mesmo um rival, o trinitário Ataullah Guerra, se curva e o reverencia depois dos hinos nacionais.
Na verdade, na fria noite de quarta-feira em Buenos Aires, não houve quem não se curvasse para o que representa Lionel Messi. Mesmo que sua atuação tenha sido razoável, a vitória da Argentina por 3 a 0 sobre Trinidad e Tobago mostrou um Messi que reage diferente a essas situações que refletem o brilho das quatro Bolas de Ouro que ele já conquistou.
Um capitão normalmente tímido, daqueles que fazem de tudo para evitar qualquer tipo de exposição, Lionel foi o jogador argentino que mais falou aos jornalistas no Monumental de Nuñez. Tratou de muitas questões, não se incomodou com nenhum tema e admitiu até mesmo desapontamento pelo corte de Ever Banega, um de seus amigos no grupo. Nem sempre foi assim.
A dois dias da estreia contra a Grécia na Copa do Mundo 2010, o então treinador Diego Maradona levou adiante uma ideia: entregar a braçadeira de capitão para Lionel Messi aos 23 anos. Foram dois dias de pânico para ele, contou o colega de quarto Juan Sebastián Verón à biografia de Lionel escrita pelo argentino Leonardo Faccio. Messi se desesperava pela incumbência que teria de falar em público para os companheiros. Estava desconfortável com a função e admitiu o sentimento em um breve discurso que interrompeu abruptamente por pura timidez.
A experiência com agora oito anos de seleção argentina certamente deixa o camisa 10 mais à vontade, mas quem também abriu espaço no vestiário e no coração dos torcedores foi Carlitos Tevez. Jamais chamado por Sabella e fora do elenco desde a Copa América 2011, Tevez representava um peso em todos os sentidos, e Messi já não precisa mais carregá-lo graças à firmeza - ou para muitos teimosia - de seu atual treinador
"Vejo Leo contente e confiante", disse Sabella antes da vitória sobre Trinidad. Quando desembarcou na Argentina para iniciar a preparação para a Copa, Messi chegou a dizer que nesse momento é mais feliz em defender a seleção. Algo minimamente curioso para quem se acusava não amar o próprio país e até mesmo não saber cantar seu hino, mas agora não tem mais concorrentes no coração dos torcedores. É "olé, olé e olé. Messi, Messi", cantaram e vão cantar também no Brasil.
As principais declarações de Lionel Messi após o jogo
3 a 0
"Creio que fizemos uma boa partida, com tranquilidade. Tocamos a bola quando se fecharam atrás, o que pode acontecer na fase de grupos (contra Bósnia, Irã e Nigéria). Acho que terminamos bem".
Cortes
"Foi duro. São companheiros que estiveram em todo o processo. As pessoas sabem que tenho muita amizade com Ever, quero muito bem a ele. É uma decisão do treinador, aconteceu de ficar de fora, mas somos os que estamos e há de se olhar adiante".
Risco de lesão
"Falta muito pouco e se ocorre algo não há tempo de nada. Mas tampouco pode jogar uma partida pensando em se cuidar ou que não aconteça nada".
Jogar em casa
"Faz muito tempo que não jogava aqui por lesões. Estou feliz por como a torcida nos tratou".