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Os Libertadores do Corinthians #3 - Vanessa Alsberg: ela nunca esteve sozinha

Torcedora símbolo da classificação corintiana à final da Liberta, em 2012, não costumava ir acompanhada ao estádio

29 jun 2022 - 10h21
(atualizado às 13h35)
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Vanessa foi flagrada em êxtase após classificação do Timão à final da Libertadores em 2012 (Foto: Acervo pessoal)
Vanessa foi flagrada em êxtase após classificação do Timão à final da Libertadores em 2012 (Foto: Acervo pessoal)
Foto: Lance!

Quando o árbitro Leandro Pedro Vuaden apitou o fim do jogo contra o Santos, que colocou o Corinthians na final da Libertadores de 2012, tudo se apagou para Vanessa Alsberg. Parecia que ela estava sozinha no Pacaembu. Mas nunca esteve. Nem ali, muito menos na sua trajetória como torcedora.

Filha de pai palmeirense, ela nunca gostou da cor verde, então se tornou corintiana e foi acolhida pelo Timão.

A primeira vez em que acompanhou o clube alvinegro de perto foi em 2007. Não teria ano pior, o do rebaixamento. Mas também não haveria jogo melhor, uma vitória por 2 a 1 contra o Noroeste, pelo Campeonato Paulista, conquistada com gol aos 48 minutos do segundo tempo, marcado por Daniel Grando. Nada mais Corinthians.

E nada mais importava para aquela garota, então com 18 anos, que mal sabia que aos 23 se tornaria uma das mais emblemáticas representações da Fiel Torcida no ano em que o Timão finalmente conquistaria a América.

Seria loucura alguém que mal tinha começado a frequentar os estádios e via o seu time na segunda visão pensar assim. Mas não tinha problema, ela já era mais uma do bando.

Nos seus primeiros quatro anos de arquibancada, as idas não eram tão frequentes, não por falta de vontade, mas de companhia.

Em 2011, Vanessa decidiu não aguardar mais ninguém. Conheceu o programa de sócios Fiel Torcedor e passou a ir sozinha aos jogos do Timão. Hora ou outra conseguia algum amigo para acompanhá-la, mas não contava com isso. Aprendeu a andar com as próprias pernas. E o combustível era o manto alvinegro que trajava a cada visita ao Pacaembu.

Em 2012, iniciou a odisseia na Libertadores ainda na fase de grupos, onde assistiu as partidas contra Cruz Azul-MEX, Deportivo Táchira-VEN e Nacional-PAR no mesmo setor que as torcidas organizadas.

Vanessa antes de um dos jogos do Timão na fase de grupos da Libertadores (Foto: Acervo Pessoal)
Vanessa antes de um dos jogos do Timão na fase de grupos da Libertadores (Foto: Acervo Pessoal)
Foto: Lance!

A partir das oitavas de final, era mata-mata. Matar ou morrer até para encontrar ingressos. Todo mundo queria. Vanessa conseguiu, mas não onde estava acostumada a ficar.

Entre a superstição e o coração, a torcedora escolheu o segundo e não perdeu a chance de estar no Paca para acompanhar o seu time na odisseia em busca da inédita conquista continental. Foi de Tobogã contra Emelec e Vasco.

Na partida contra os cariocas, Vanessa passou mal assim que entrou no estádio. Ficaria pior quando Alessandro perdeu a bola e deixou Diego Souza cara a cara com o goleiro Cássio. Foi curada com o tapa na bola do Gigante para escanteio. Terminou nos céus, junto com a cabeçada de Paulinho que colocou o Timão na semi da Liberta.

Faltavam quatro passos até o título, mas pela frente o Santos de Neymar.

A procura por ingressos só aumentava, e Alsberg fazia de tudo para estar presente em todos os compromissos do Corinthians em São Paulo. Já não tinha mais preciosismo por lugar ou quem estaria ao seu lado. Ir sozinha ao Pacaembu havia virado religião, e ela, devota, não falhava com os seus preceitos.

Contra o Peixe, o setor definido foi o que deu. Nada de ficar perto das organizadas ou no Tobogã, que havia a adotado. Vanessa ficou no local onde conseguiu ingresso no limite das vendas, ao lado de um torcedor que confidenciou para ela, antes da bola rolar, que estava em um estádio de futebol pela primeira vez. O rapaz não entendia que no habitual das arquibancadas gritar gol antes dá azar e abusou de arriscar não só a sua sorte, mas de toda uma nação.

Mas não tinha zika que fosse forte o suficiente para tirar aquela classificação do Corinthians.

E foi quando aquele jogo acabou, que Vanessa Alsberg cegou. Para ela, nada mais importava. Nenhum daqueles mais de 37 mil torcedores ou quem estava no campo, seja lá por qual motivo. Naquele instante, era ela e ela.

Vanessa subiu em algo que mal sabe o que é, bateu no peito que carregava o escudo corintiano, cantou o hino, comemorou. Era mantra pessoal, como se agradecesse a Deus, ao universo, São Jorge ou todos os santos e forças que um dia existiram, pois a libertação estava mais próxima do que nunca.

Ainda não era o grito de alforria, pois faltava a final, mas era o desabafo de quem venceu mais uma batalha sendo o que mais gosta na vida: Corinthians.

O momento foi tão dela, que nem reparou direito o flash que veio em sua direção. Quando caiu a ficha, pensou ter sido registrada em meio à Fiel. Quando o jornal Diário de S.Paulo foi às bancas no dia seguinte, se tornou a 'garota da capa'. Símbolo de uma classificação inédita e heroica, que colocou o Timão na final da Libertadores.

Vanessa Alsberg foi capa do jornal Diário de S.Paulo, em 2012 (Foto: Acervo Pessoal)
Vanessa Alsberg foi capa do jornal Diário de S.Paulo, em 2012 (Foto: Acervo Pessoal)
Foto: Lance!

- Foi um mix de emoções. A foto que saiu, pegou bem porque estou com o espelho cheio de lágrimas e , ao mesmo tempo, um 'semi sorriso'. Os fotógrafos passavam em baio e não dava para ver eles tirando fotos. Cogitei que tivesse saído em algum lugar. Aí o meu celular começa a pipocar e as pessoas começam a falar que eu estou famosa, porque tinha saído no jornal. Até aí sabia que era um monte de gente na foto, mas as pessoas que me conheciam me reconheceram. Quando eu cheguei na banca, era eu na capa do jornal - disse Vanessa em entrevista ao LANCE!, 10 anos depois do episódio.

A garota da capa, era a garota da Fiel. Ela nunca esteve sozinha, nem quando decidiu contrariar o próprio pai e torcer para o rival, nem quando optou por frequentar os estádios sem companhia e nem naquele 20 de junho de 2012, quando foi solitária ao Pacaembu. Naquele dia, ela estava acompanhada por mais de 37 mil corintianos no estádio e 30 milhões deles em espírito.

Lance!
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