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Cuca nega participação em caso de estupro ao ser apresentado no Corinthians: "Sou totalmente inocente"

21 abr 2023 - 18h09
(atualizado às 22h12)
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O técnico Cuca, na coletiva de apresentação do Corinthians, negou que tenha participado do caso de abuso sexual em Berna, em 1987. Segundo o técnico, ele é totalmente inocente, alegando que Sandra Pfäffli, a vítima de 13 anos na época, não o reconheceu como um dos autores do crime.

Foto: (Imagem: Reprodução/TV Corinthians) / Gazeta Esportiva

"Esse é um tema delicado, pessoal meu. Faço questão de falar sobre ele e tentar ser o mais aberto possível quanto a isso. Ocorreu há 37 anos, em 1987. Era emprestado do Juventude ao Grêmio, tinha acabado de chegar lá. Tenho uma lembrança muito vaga, faz muito tempo. Tinha 23 anos na época, a gente jogou uma partida e subiu uma menina para o quarto, um quarto duplo. Essa foi minha participação", iniciou Cuca.

"Sou totalmente inocente, não fiz nada. As pessoas falam que houve um estupro, houve um ato sexual a vulnerável, isso foi a pena que foi dada. A gente ouve um monte de coisa, inverdades, que chegam a ofender. Vou fazer 70 anos daqui a pouco, tenho duas filhas. É um tema que eles nem existiam, já era casado, sou até hoje", continuou.

"Respeitei e respeito todas as mulheres, nunca encostei meu dedo indevidamente em nenhuma mulher. Tive duas vezes no São Paulo, no Palmeiras, no Santos, nunca foi me questionado isso em uma coletiva. Não é só o Cuca que não falou do tema, naquele tempo as leis eram as mesmas. Se você comete um estupro, você pega uma pena de anos. Meu erro foi não ter me defendido. Não tinha dinheiro e nem sabia do julgamento. Ficamos na averiguação, eu não estava, a vítima não me reconheceu. Se ela disse que eu não estava e juro por Nossa Senhora que não estava, como posso ser condenado pela internet?", comentou o treinador.

"A mulher tem uma autodefesa maior e quero fazer parte disso, quero ajudar. por isso estou aqui, em um clube que tem diversas torcedoras. O clube que tem a causa do "respeita as minas". Claro que o protesto é cabido dentro do que é passado. Por que eu devo desculpas para a sociedade se não fiz nada? Dois anos e meio fui jogar ali do lado na Espanha e nunca teve consequência nenhuma", finalizou.

Muitos torcedores do Corinthians na internet, especialmente mulheres, se manifestaram fortemente contra a chegada de Cuca. Algumas torcidas organizadas, como Camisa 12, Estopim e Pavilhão 9, publicaram notas de repúdio. A Gaviões da Fiel não se manifestou.

Nesta sexta, os muros do Parque São Jorge amanheceram pichados, com dizeres contrários à chegada de Cuca. Além disso, um grupo de corintianas protestou na frente do CT Dr. Joaquim Grava no período da tarde.

Essa é a primeira vez que Cuca dirige o Corinthians.  Ao longo de sua carreira, o treinador de 59 anos já dirigiu clubes como São Paulo, Palmeiras, Botafogo, Atlético-MG, Grêmio, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro e Santos.

Em sua carreira, Cuca já conquistou uma Copa Libertadores (2013), dois Campeonatos Brasileiros (2016 e 2021), uma Copa do Brasil (2021), quatro Campeonatos Mineiros (2011, 2012, 2013 e 2021) e um Campeonato Carioca (2009).

A estreia de Cuca será no próximo domingo, contra o Goiás, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. A bola rola às 19 horas (de Brasília), no Estádio da Serrinha.

Veja mais falas de Cuca sobre a condenação por abuso sexual:

"Talvez meu principal erro foi nunca falar mais sobre o tema. Sei que no jornal vão descer a lenha falando que o Cuca não falou a verdade. Como eu não falei a verdade? Olhem, busquem as informações. Estou aberto a conversar sobre isso com quem for. Eu não vou parar de trabalhar por conta desse assunto".

"Fale com o Duílio e ele disse que ia ter protesto mesmo. Eu não vou ficar em casa me escondendo, eu não fiz nada, sou inocente. Estou com a minha consciência tranquila. Meu erro foi não ir a julgamento, eu nem sabia que ia ter. Fui saber depois de um ano que teve uma pena. Dois anos depois eu estava jogando na Espanha. Agora vão falar que teve condenamento? Não é verdade isso. Tem 200 mulheres ali, mas no Galo também tinha. Eu não me acovardei, não tenho orgulho de estar passando por isso, com as minhas filhas vendo, se eu pudesse não estar no quarto, eu não estaria, mas estava. As coisas aconteceram e eu não fiz nada".

"Como eu posso ser condenado por 200 mulheres? Pelo o que? É difícil para nós, mas eu não vou desistir. Saí do Galo dentro de uma condição que as mulheres ficaram a favor de mim depois. Você conhece como eu sou. Quero ter total engajamento nessas causas que apoiam as mulheres, eu não sou do mal. Sei que amanhã vai ter comentarista que vai meter o pau de volta, mas eu vou fazer o que? Eu não vou pedir desculpa do que eu não fiz".

"Se eu pudesse fazer alguma coisa diferente, mas não posso. Eu era um menino, ficava no meu cantinho. Eu não vi nada, tinha um jogo e eu não lembro nem com quem era o jogo. Eu estava louco para ir para o jogo. Agora, até com uma dica, espero que as pessoas tomem cuidado com a vida, às vezes uma atitude errada custa muito. E essa atitude custa mais para a vítima, que deixa uma sequela grande, mas para quem faz também fica, às vezes acaba a vida da pessoa em cima disso".

"O próprio Corinthians faz o programa 'Respeita as Minas'. Diversos profissionais podem ajudar essas causas. Hoje eu posso ajudar muito mais, como outros treinadores que também querem abraçar isso. Eu estou aberto, não tenho muito conhecimento de causas, mas se vierem me procurar eu abraço na hora".

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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