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Com Pedrinho, Corinthians volta a ter um camisa 10 da base após 12 anos

Último atleta formado pelo clube a usar a mítica camisa foi Lulinha em 2008

19 fev 2020
18h19
atualizado às 18h19
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Quando escolheu Pedrinho para ser o camisa 10 do Corinthians, o técnico Tiago Nunes encerrou uma escrita que durava pouco mais de uma década. Desde 2008, quando Lulinha começou a perder espaço e teve de ceder a camisa para o uruguaio Acosta, o clube não tinha jogador formado nas categorias de base vestindo a mítica camisa.

Pedrinho foi informado que assumiria a camisa 10 quando estava no torneio Pré-Olímpico com a seleção brasileira, disputado em janeiro na Colômbia - o Brasil conseguiu a vaga em Tóquio com boas atuações do corintiano.

A escolha do treinador foi tão importante que motivou Pedrinho a permanecer no clube até a metade do ano. Com negociação adiantada para se transferir para o Benfica, de Portugal, o atleta de 21 anos quis ficar para ajudar o clube usando a camisa famosa. "Ele tinha o sonho de usar a camisa 10", diz o empresário Will Dantas. "Como ele foi formado na base do clube, existe uma identificação grande com o time e a torcida", completa.

A tendência é que o Benfica desembolse 20 milhões de euros (R$ 94 milhões) para ficar com o jogador de maneira definitiva. Pedrinho já ensaiou essa transição - Brasil/Europa -, mas ficou no meio do caminho. Ele teve proposta da China, mas descartou de imediato. Ajax, Borussia e até Barcelona e Real Madrid fizeram sondagens, mas elas não se transformaram em ofertas de papel passado. Seu estafe acredita que 2020 é o ano para deslanchar.

O sonho de defender o Corinthians na Libertadores, usando a camisa 10, durou 28 minutos. Na partida diante do Guarani do Paraguai, ainda pela fase preliminar, Pedrinho foi expulso e o time, eliminado. Restam agora o Campeonato Paulista e algumas partidas da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro.

Se o Corinthians chegar à final do Campeonato Paulista, Pedrinho terá no mínimo mais 10 jogos com a camisa alvinegra. Na conta não está incluída a Copa do Brasil, torneio no qual o Corinthians vai entrar nas oitavas de final. A quinta fase começa em 29 de abril e vai até 27 de maio. Pedrinho vai participar, mas não até o final. O Campeonato Brasileiro começa em maio, mas as rodadas ainda não estão desmembradas pela CBF.

Na primeira partida após a queda na Libertadores, Pedrinho ficou no banco de reservas e só entrou na etapa final. Tiago Nunes preferiu promover a estreia do colombiano Yony Gonzáles. A primeira opção foi tática. "O Yony tem alguns atributos que chamam muito a atenção. Ele tem muita força física. É um jogador de velocidade, que recebe bola no pé e ganha a bola longa. Teríamos que ter um embate físico com a linha do São Paulo. A presença dele foi por isso", disse Nunes.

A ausência do craque também foi uma forma de preservá-lo. Ele deixou a Arena Corinthians chorando após a eliminação e não falou com a imprensa. Pedrinho precisa entender a filosofia de trabalho de Tiago Nunes. Essa adaptação ainda é necessária. O jogador perdeu toda a pré-temporada do Corinthians para atuar a seleção brasileira no Pré-Olímpico e entrou em campo na Libertadores, depois de fazer apenas um treino com Tiago Nunes.

Revelado na Copa São Paulo de 2017, o meia franzino e habilidoso fazia o estádio vibrar quando o sistema de som anunciava seu nome. Hoje, o barulho já não é tão forte. Mas o meia de 20 anos está com cartaz com o novo treinador. Membros da comissão técnica avaliam que o meia é o único do elenco, além do meia Luan, capaz de pensar fora da caixinha.

Tradição

A escolha de Pedrinho como 10 revela outra característica da equipe. Nos últimos anos, o dono dessa camiseta sempre foi uma contratação, alguém fora do clube. Douglas teve duas passagens pelo Corinthians, a primeira entre as temporadas 2008 e 2009 e a segunda de 2012 a 2014. Sob o comando de Mano Menezes, ele foi importante nos títulos da Série B de 2008 e da Copa do Brasil e Campeonato Paulista do ano seguinte. Em sua segunda passagem, ele conquistou mais troféus, como o Mundial, a Libertadores e a Recopa. Atuou 249 vezes e marcou 33 gols.

Bicampeão brasileiro e tricampeão estadual pelo Corinthians, o meia Jadson usou a 10 em duas passagens, entre 2014 e 2015, e desde 2017 até o ano passado. Em 2019, Jadson somou 34 partidas, um gol e quatro assistências. Ao longo de suas duas passagens, ele somou 232 jogos, com 50 gols e 61 assistências. Com a chegada de Nunes, perdeu espaço e busca outro clube. Em sua despedida, afirmou que o adeus não foi aquele que gostaria.

Estadão
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