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Amigo de corintiano que jogou bambi em Ceni quer homenagear Sócrates

27 set 2012 - 09h04
(atualizado às 09h55)
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É possível que não sejam apenas onze corintianos em campo quando o Corinthians disputar o Mundial de Clubes em dezembro, no Japão. Um penetra já começou a se planejar para reforçar a equipe brasileira dentro do gramado. O catalão Jaume Marquet i Cot, internacionalmente conhecido como "Jimmy Jump", pretende protagonizar uma invasão parecida com a do amigo que arremessou um bambi de pelúcia no goleiro Rogério Ceni na final de 2005, entre São Paulo e Liverpool, da Inglaterra. Mas para prestar uma homenagem.

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"Gostaria de fazer um tributo ao Corinthians, saltando com uma bandeira do clube e com o punho para o alto, como fazia o Sócrates", avisou Jimmy Jump, explicando que chama as suas invasões ao redor do mundo de "saltos". No jogo que garantiu o título brasileiro de 2011, contra o Palmeiras, o time dirigido por Tite já havia erguido os braços para reverenciar o Doutor que assim comemorava os seus gols na década de 1980, falecido horas antes. "Farei o mesmo na Copa do Mundo de 2014 ou até antes. Talvez no Mundial de Clubes. Sei que os corintianos vão a Tóquio em peso. É a Fiel."Torcedor do Barcelona, Jimmy Jump tem 37 anos e é o mesmo "invasor profissional" de grandes eventos que, entre outros feitos, arremessou uma bandeira do seu time no português Luís Figo na final da Eurocopa de 2004, reverenciou o astro Lionel Messi e provocou o rival Cristiano Ronaldo dentro de campo. Ele também já agiu distante do futebol. Apareceu ao lado do tenista Roger Federer na decisão de Roland Garros de 2009, nadou entre atletas de polo aquático, subiu em palcos de shows de música e até se arriscou no meio da pista do Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1 de 2004. Todos os saltos foram executados "em nome da liberdade".

Uma de suas maiores aparições ocorreu em 2010, ano em que o Corinthians festejou seu centenário de fundação. Presente no Soccer City para o jogo decisivo entre Espanha e Holanda, Jump pulou no gramado e caminhou sorrateiramente até se aproximar da taça da Copa do Mundo, porém foi contido por seguranças antes de tocá-la - ainda conseguiu arremessar um dos gorros vermelhos tradicionais da Catalunha (os barretines) no troféu. Agredido e carregado para fora do gramado enquanto ria para o público, com as calças um pouco arriadas, pagou uma multa de 2.000 rands (cerca de R$ 450) como preço do sucesso de sua iniciativa. Na cela do estádio, de onde saiu após a final, ainda foi tratado como ídolo pelos demais presos, que berravam - e saltavam: "Jump! Jump! Jump!".

Em 2005, Jimmy Jump estava em Yokohama quando o São Paulo conquistou o Mundial de Clubes da Fifa. Precisou se contentar em permanecer nas arquibancadas na ocasião. "Quem invadiu foi o Albert, meu amigo. Ele já estava há uma semana em Tóquio, ao contrário de mim, que fui em outro voo e apareci em cima da hora. O jogo já tinha começado quando cheguei, com muita vigilância. Mas o Albert fez bem a sua aparição, indo até o Rogério Ceni com o bambi", recordou o saltador, que voltou ao Japão para torcer pelo Barcelona contra o Santos, no ano passado. Ao lado de Albert desta vez, ele agitou uma faixa com os distintivos de Barça e Corinthians desenhados com a inscrição "amics per sempre" ("amigos para sempre", na tradução do catalão para o português).

Também nascido na Catalunha, Albert Monte passou partes da infância e da juventude em São Paulo, onde se encantou pelo Corinthians. Sua vida adulta foi dedicada ao mundo. Visitou mais de 50 países com o salário que recebia como funcionário de um cassino virtual espanhol. Sócio da torcida organizada corintiana Camisa 12, o Barcelona (apelido que ganhou no Brasil) gosta de agir com trajes do grupo, um boné enfiado na cabeça e a mensagem "Free Albert" estampada em sua camiseta. As invasões dele invariavelmente fazem referência ao time de coração. A paixão pelo clube é tamanha que o filho de Albert se chama Jordy Corinthians - e foi levado pelo pai para assistir ao seu primeiro jogo no Pacaembu, em 2007, com menos de duas semanas de vida.

Em um dos primeiros saltos de Albert em um campo europeu, na partida entre o Barcelona e o modesto Palamos, ele aproveitou o estádio acanhado da província de Girona para driblar a segurança e correr até o ex-corintiano Sylvinho. Entregou uma camisa alvinegra ao jogador, que gargalhou enquanto o público presente aplaudia entusiasticamente a iniciativa. No mesmo ano do arremesso do bambi de pelúcia, o invasor já havia saudado o atacante argentino Tevez com uma faixa de campeão no Estádio Serra Dourada, durante o jogo que garantiu o quinto título brasileiro à equipe paulistana. "Vamos ali cumprimentar a torcida do Corinthians", sugeriu o catalão.

Carlitos mostrou quase todos os seus dentes desalinhados em um largo sorriso, abraçou o fã e atendeu ao pedido. Ainda em 2005, Ricardo Teixeira, então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), teria presenteado Albert com um ingresso para a semifinal da Copa das Confederações. O corintiano não desperdiçou a chance de pular no gramado e dar uma bandeira de seu time para um assustado Robinho. "Note como são bonitas essas cores", pediu, antes de ser agarrado por policiais.

Albert assegurou que não havia sofrido maus-tratos da segurança alemã naquela invasão na partida entre Alemanha e Brasil, pela Copa das Confederações. Não pagou multa e foi liberado logo após a semifinal, como de hábito. O mesmo não ocorreu no Mundial de Clubes vencido pelo São Paulo. Na época, o corintiano contou que acabou conduzido à delegacia, onde não conseguiu se comunicar com um intérprete espanhol, e permaneceu preso por mais de uma semana em uma cela com outras 15 pessoas. Disse ter conhecido ali membros da Yakuza (facção criminosa japonesa) e aprendido a pedir desculpas ao juiz no idioma local. Jimmy Jump advertiu: "A polícia japonesa é dura. Quando o Barcelona ganhou do Santos no Mundial, também saltei, mas não cheguei a entrar no gramado, correndo e paralisando o jogo. Não me prenderam por causa disso. Aquele era um salto bastante arriscado. Se formos fazer algo neste ano, com o Corinthians, também será perigoso".

Um torcedor do Corinthians ganhou grande destaque no mais recente filme lançado pelo São Paulo. Em "Soberano 2", que conta histórias sobre a conquista do Mundial de Clubes de 2005, a invasão de campo de Albert Monte é retratada como fundamental para a confirmação da vitória por 1 a 0 sobre o Liverpool na decisão.

Segundo os são-paulinos, Albert conseguiu esfriar o ímpeto da equipe inglesa quando pulou no gramado, arremessou um bambi de pelúcia no goleiro Rogério Ceni e deu bastante trabalho aos policiais japoneses ao ser retirado de dentro de um dos gols. O sempre polêmico Marco Aurélio Cunha (foto) chegou a declarar que "tudo acabou como deveria, com o título do São Paulo e a prisão do corintiano".

Albert Monte não apresentou sua versão sobre o episódio no filme do São Paulo. De acordo com os produtores, o corintiano não foi localizado para conceder entrevista. O documentário também não cita o termo "bambi", apelido pejorativo que rivais atribuíram ao clube do Morumbi.

Jimmy Jump contou que o amigo já está na Ásia para se preparar para torcer pelo time do coração em dezembro - e, quem sabe, voltar a invadir o campo de Yokohama. "Por telefone, não conversamos desde as Olimpíadas. Faz tempo que não tenho notícias do Albert. É um viajante, um cara muito louco", definiu o catalão, que aderiu ao bando e começou a partilhar da loucura do companheiro pelo Corinthians. "Louco é pouco", afirmou, repetindo lema da Camisa 12. Quando um brasileiro compra algum produto em seu site (a loja virtual não chega a receber muitos pedidos), o torcedor do Barcelona manda uma mensagem para avisar que é corintiano no Brasil e completa com um "salve o Corinthians". Também não poupa provocações aos clientes palmeirenses.

Albert deu as primeiras lições sobre o Corinthians para Jimmy Jump em 2002. "Estávamos no mesmo ônibus de torcedores do Barcelona, indo a um clássico contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Vi o Albert com uma bandeira do Corinthians, tatuagens do Corinthians... Fiquei curioso para conhecer esse personagem. É um grande fanático por futebol, assim como eu. Conversamos e ficamos muito amigos. Ele me acompanhou em 2004, na Eurocopa, quando joguei a bandeira do Barça no traidor Figo. Em 2005, estivemos juntos também na Champions", lembrou.

"Nesse meio tempo, o Albert foi me contando muito sobre o Corinthians. Até conheci ex-jogadores do clube que vieram a Barcelona para jogar um torneio de veteranos, como Biro-Biro e Tupãzinho. Sou corintiano. Salve o Corinthians, o campeão dos campeones, o clube más brasileiro! É o time do povo! Foi muito difícil para o Corinthians ganhar a Copa Libertadores. Agora que é o campeão da América, quero fazer um salto como homenagem", reforçou.

Jump gostaria de ter aproveitado a decisão da Libertadores para conhecer o Brasil - e o Pacaembu, principalmente. Ele já havia estado na Argentina um ano antes, quando colocou um dos seus barretines na cabeça de um sorridente atacante Sergio Agüero durante a Copa América e frequentou jogos ao lado de torcedores de La Doce, a organizada do Boca Juniors. Na principal competição latino-americana de clubes, no entanto, o catalão preferiu apoiar a Camisa 12 e o Corinthians.

Ele já até saltou com calças da uniformizada corintiana - justamente em uma partida do Chelsea, time britânico que eliminou o seu Barcelona na última Liga dos Campeões e será um concorrente corintiano pelo título mundial desta temporada. Em Anfield Road, invadiu o campo na vitória do Liverpool de 3 de maio de 2005, por 1 a 0, e só parou de correr ao levar uma rasteira do defensor alemão Robert Huth, que já deixou os Blues e agora está no Stoke City.

"Eu estava com o Albert naquele salto contra o Chelsea. Sou corintiano no seu País. Sei que o meu amigo é da Camisa 12, mas ele também me apresentou ao pessoal dos Gaviões. Gostaríamos de ter saltado juntos na final da Libertadores, mas o Albert não conseguiu um ingresso para eu estar no Pacaembu. Além disso, a viagem seria cara", lembrou.

A falta de dinheiro é um dos problemas enfrentados por Jimmy Jump para propagar, à sua maneira característica, o ideal de liberdade pelos campos de futebol. O invasor profissional, que iniciou a "carreira" de saltador como penetra em festas, no cinema e no metrô enquanto trabalhava como vendedor e tentava atuar em comerciais televisivos, hoje é mais uma vítima da crise financeira espanhola. Ele cogitou se mudar para o Brasil, mas desistiu por não saber falar português, e ainda planeja viver na Alemanha.

"Não disponho de dinheiro. Sei que o Albert tem um patrocinador. Nunca fui capaz de encontrar um para mim", lamentou o catalão, que não consegue fazer publicidade para os seus quase 230.000 fãs de uma rede social.

"Quero ir ao Japão para saltar pelo Corinthians no Mundial, mas as passagens aéreas são caras. Seria importante ter um louco que me ajudasse a transmitir as minhas mensagens de amor, alegria e divertimento com os saltos. Sei que o Brasil tem loucos como eu", sorriu, talvez pensando em Albert Monte.

Com ou sem patrocínio, o candidato a 12º jogador do Corinthians no Japão já descobriu como invadir os corações de uma parte dos torcedores do Brasil. O discurso de Jaume Marquet i Cot salta os olhos daqueles mais loucos do banco, de seus "amics per sempre", conforme alardeado na faixa que ele e Albert ostentaram na última visita ao Japão. "Por favor, não se esqueça de dizer isso aos brasileiros: Jimmy Jump é corintiano, da Fiel, e quer homenagear o Corinthians com o punho para o alto, como o Sócrates", o seguidor do Barcelona fez questão de repetir antes de encerrar esta entrevista.

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Foto: Adriano Lima / Terra
Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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