Copa do Mundo: seleção do Irã chega ao México, em meio a incertezas sobre visto para os EUA
A seleção do Irã chegou ao México neste domingo (7), onde ficará concentrada para a Copa do Mundo de 2026, depois que os Estados Unidos, um dos três países-sede, se recusaram a conceder vistos a alguns membros de sua comissão técnica.
O avião da "Team Melli", como a equipe iraniana é conhecida, pousou em Tijuana por volta das 5h (9h em Brasília). Após meses de incerteza em torno de sua participação, a seleção iraniana estará no centro da diplomacia desta Copa do Mundo na América do Norte: nunca antes uma nação participante do torneio esteve em guerra com um país anfitrião.
"Deveríamos ter chegado na semana passada, porque uma diferença de fuso horário de 12 horas exige duas semanas de adaptação", disse o técnico da equipe, Amir Ghalenoei, ao desembarcar no aeroporto de Tijuana.
"Normalmente, nessas competições, antes das questões técnicas, as considerações éticas e humanas devem ser respeitadas, e esse não foi o nosso caso", acrescentou.
O Irã foi um dos primeiros países a se classificar para a Copa do Mundo, mas sua participação foi posta em dúvida após os ataques aéreos israelenses e norte-americanos contra o país em 28 de fevereiro. A incerteza em relação à aprovação dos vistos obrigou a seleção nacional a transferir seu centro de treinamento de Tucson, Arizona, para Tijuana. A equipe ficará baseada lá durante todo o torneio.
Desembarque sob forte proteção policial
Os jogadores e a comissão técnica desembarcaram do avião em um aeroporto fortemente protegido, patrulhado por soldados da Guarda Nacional Mexicana, onde um pequeno grupo de torcedores, agitando bandeiras iranianas, os aguardava.
A equipe, que tem dois jogos da fase de grupos em Los Angeles, onde faz sua estreia no dia 15, e um em Seattle, ambas cidades estadunidenses, competirá em circunstâncias bastante incomuns. Permanece a incerteza em relação às permissões de entrada dos jogadores iranianos nos Estados Unidos, com as autoridades iranianas citando procedimentos diferentes.
O governo dos EUA emitiu vistos para os jogadores, mas não para todos os membros da comissão técnica. Cerca de 15 pessoas que acompanhavam a equipe tiveram a entrada negada, incluindo o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, que serviu na Guarda Revolucionária Islâmica, uma organização considerada terrorista por Washington.
Impasse afeta logística do Irã
"Infelizmente, membros importantes da comissão técnica, que desempenham um papel fundamental para a equipe, não receberam vistos", lamentou o jogador Ehsan Hajsafi. Em Tijuana, cidade na fronteira com os Estados Unidos, a segurança foi reforçada antes da chegada da equipe.
Soldados fortemente armados da Guarda Nacional estavam posicionados do lado de fora do estádio onde a Seleção Iraniana treinaria, bem como do lado de fora do hotel onde o elenco ficaria hospedado. Segundo o embaixador iraniano no México, a seleção terá que entrar e sair dos Estados Unidos "no mesmo dia" de seus jogos.
No entanto, o presidente da Federação, Mehdi Taj, mencionou na televisão iraniana neste domingo a possibilidade de entrada no dia anterior às partidas.
"Em que lugar do mundo uma seleção nacional só tem permissão do país anfitrião para entrar um dia antes de suas partidas?", questionou ele em um vídeo transmitido pela agência de notícias oficial IRNA.
Com AFP
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