Companhia aérea oferece US$ 60 para consertar cadeira de rodas de até R$ 60 mil quebrada em voo
Tenista paralímpico Daniel Rodrigues relatou nas redes sociais o ocorrido, continua buscando uma solução com a Latam e competirá com item emprestado enquanto espera
O melhor jogador do tênis em cadeira de rodas do Brasil sem sua cadeira de rodas de competição por culpa de uma companhia aérea. Foi isso que aconteceu com Daniel Rodrigues neste último fim de semana. Através das redes sociais, o atleta informou que durante uma viagem para a Europa para jogar torneios da modalidade sua cadeira foi quebrada pela Latam, empresa responsável pelo voo, e agora busca maneiras de continuar atuando.
"Sai de Belo Horizonte para Guarulhos em um voo da Latam, depois teria um outro voo de São Paulo para Suíça, onde seria o primeiro torneio dos três que vou fazer na na Europa. Quando cheguei em Guarulhos me deparei com minha cadeira quebrada, fui até o guichê da Latam e fiz uma reclamação, porém eles ofereceram apenas 60 dólares para o conserto. Eu não aceitei pois minha cadeira vale muito mais e não tinha conserto quando quebra deste jeito. Neste caso eles falaram que iria me retornar depois para ver o que poderia ser feito. Vou treinar e jogar com uma emprestada, mas não é a mesma coisa", explicou Daniel Rodrigues para a reportagem do Estadão.
E aí @LATAM_BRA ??? Não vão fazer nada? Absurdo a falta de respeito.
Galera, vamos repostar por favor. A mensagem tem q chegar no maior número possível de pessoas. pic.twitter.com/3QBvQ1S1QZ
— Bruno Soares (@BrunoSoares82) July 17, 2023
A cadeira de rodas de um atleta do tênis paralímpico é o equipamento mais caro da modalidade, podendo custar entre R$ 20 e 60 mil. Diferente das cadeiras comuns, a feita para o esporte é um item exclusivo de cada jogador da modalidade pois é feita de maneira específica para cada atleta, levando em consideração o tamando e de acordo com a deficiência de cada atleta. Atual número 21 do mundo em seu esporte, Daniel Rodrigues vive uma das melhores temporadas de sua carreira, com quatro títulos em 2023, e não esconde o quanto a falta de sua cadeira atrapalha seu jogo.
"Isso afeta muito pra mim, principalmente que vinha numa ótima sequência. Esse ano também é o ano dos Jogos Parapan-americanos, em Santiago, e esses torneios já valem pontos para classificação para as Paralimpíadas de Paris 2024. Além de estar muito próximo de poder entrar num torneio Grand Slam", explicou Daniel.
"A Latam entrou em contato, mas à princípio para consertar a cadeira, sendo que ela não tem conserto. Uma advogada que está me ajudando não aceitou e pediu uma cadeira nova, eles ficaram de avaliar", disse o atleta ao Estadão.
O que diz a companhia aérea
Em contato com a reportagem do Estadão, a LATAM explicou que está em contato com o tenista brasileiro para buscar a melhor solução para a questão da cadeira de rodas.
Confederação Brasileira de Tênis se posiciona
A Confederação Brasileira de Tênis (CBT) também se posicionou, através de nota oficial, sobre o ocorrido com Daniel e deixou claro que está à disposição do atleta para prestar auxílio neste momento. Confira abaixo a nota da entidade na íntegra.
Dentro de seus programas e diretrizes, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) sempre auxilia seus atletas. Inclusive nesta viagem, o atleta Daniel Rodrigues tem todas as suas despesas custeadas (hospedagem, transporte aéreo, alimentação, inscrição nos torneios e seguro viagem) pela entidade, como parte das verbas ordinárias provenientes de projetos conveniados junto ao Comitê Paralímpico Brasileiro.
Ressaltamos que todos os atletas que viajam por meio da Confederação possuem seguro viagem coberto pela mesma, entre outros benefícios.
Diante da lamentável situação ocorrida com o atleta Daniel Rodrigues, a CBT prontamente entrou em contato com ele, colocando-se inteiramente à disposição para prestar auxílio.