Alan Ruschel cita "muita revolta" com defesa da Chapecoense na Justiça: "Me entristeceu demais"
Nesta sexta-feira, o jogador Alan Ruschel, atualmente no América-MG, falou sobre a defesa da Chapecoense na Justiça em relação ao acidente aéreo de 2016, que matou 71 pessoas. O lateral esquerdo citou "muita revolta" com a posição de seu ex-time, que teria afirmado que a tragédia beneficiou o jogador.
"Essa semana tive acesso à defesa do clube, que me gerou muita revolta e me entristeceu demais. Alegaram que eu não sou vítima do acidente, que sou um sobrevivente, que o acidente fez bem para mim e me trouxe benefícios. Eles estão sendo levianos e despreparados na condução de um assunto tão importante e delicado como esse", explicou o atleta em seu perfil no Instagram.
"Disseram que minha vida seguiu normal porque eu casei. A intervenção divina não tira responsabilidade alguma da Chapecoense. Deus fez um milagre na minha vida, não escondo isso de ninguém. Mas dizer que a minha vida continuou a mesma… A minha vida jamais será a mesma depois do que aconteceu. Só eu sei os traumas que carrego comigo", acrescentou.
Segundo o UOL Esporte, Ruschel entrou na Justiça contra a Chapecoense em maio de 2021 e pediu o pagamento de pouco mais de R$ 3,3 milhões, referente a danos morais, contestação do seguro e verbas trabalhistas. O atleta questiona o valor da indenização, que seria menor do que o recebido pelas famílias das outras vítimas.
"Tive uma história bonita de vida lá, de conquistas, que jamais será apagada. Infelizmente, o clube não cumpriu com seus acordos e tive que cobrar de uma maneira indesejada, na Justiça. Mas nada menos do que é meu de direito como trabalhador", pontuou Ruschel, que vestiu a camisa da Chape pela última vez no início de 2021.
"Hoje jogo com oito parafusos nas costas. Não quero me vitimizar aqui. Só estou falando a maneira como voltei a jogar, com uma dedicação com o fisioterapeuta quase diária para realizar o meu sonho. Eles falarem que minha vida voltou ao normal é no mínimo um absurdo", concluiu.
O acidente aéreo da Chapecoense ocorreu em 28 de novembro de 2016, quando a equipe viajava para a Colômbia, antes da decisão da Copa Sul-Americana diante do Atlético Nacional.
Entre os seis sobreviventes, estão os jogadores Alan Ruschel, Neto e Jackson Follmann - apenas o primeiro voltou aos gramados. Além deles, o jornalista Rafael Henzel foi resgatado com vida, mas faleceu já em 2019, após um infarto. A comissária de bordo Ximena Suárez e o técnico da aeronave, Erwin Tumiri, também sobreviveram.
Na tarde desta sexta-feira, a Chapecoense publicou uma nota oficial sobre o ocorrido. O clube afirmou que "quaisquer manifestações acerca do assunto serão feitas exclusivamente nos autos do processo".
Confira a nota da Chapecoense na íntegra:
A Associação Chapecoense de Futebol vem a público a fim de manifestar-se acerca da exposição dos argumentos de defesa referente à ação trabalhista proposta pelo atleta Alan Ruschel. Quanto a isso, o Clube reitera que:
- Quaisquer manifestações acerca do assunto serão feitas exclusivamente nos autos do processo. O Clube não comentará nem discutirá argumentos processuais por meio da imprensa ou em redes sociais;
- Independentemente de qualquer situação, a atual gestão do Clube deseja manter diálogo com todas as famílias das vítimas e demais envolvidos na tragédia de 29 de novembro de 2016.