Pressão em Neymar e Maracanazo; veja 15 desafios da Seleção
A quarta-feira marcará o início dos treinos em campo da Seleção Brasileira e a contagem regressiva de 15 dias para a abertura da Copa do Mundo. A organização do Mundial lida com mais problemas a serem solucionados, mas o time de Luiz Felipe Scolari também precisará de ajustes finos e muito trabalho durante a campanha.
Aproveitando a data, o Terra listou 15 desafios que a Seleção Brasileira precisará superar para conquistar o hexacampeonato. Assim com fora de campo o País será testado ao longo de toda a disputa, no futebol a estreia contra a Croácia, no próximo dia 12 de junho, apenas marcará o começo de uma longa jornada repleta de espinhos e armadilhas. Confira:
1 - Não cair no oba-oba
Jogar uma Copa do Mundo em sua própria casa, com o apoio da torcida e grande parte dos holofotes em sua direção inevitavelmente criará um ambiente de empolgação ao redor da Seleção. Deixar se contagiar por este clima pode ser fatal e é de preocupação da comissão técnica. A preparação na Granja Comary foi organizada levando esta questão em consideração.
2 - Manter proximidade com a torcida
O apoio da arquibancada durante a Copa das Confederações foi considerado fundamental para a conquista do título. Manter essa proximidade quando entrar em campo e não se tornar antipática durante a preparação serão desafios que, superados, ajudarão o Brasil na caminhada pelo hexacampeonato.
3 - Saber lidar com protestos
Como avisou Carlos Alberto Parreira a ordem na Seleção Brasileira é manter o foco no futebol e não deixar que os protestos interfiram em campo. O time de Felipão inevitavelmente será vitrine para manifestantes ao longo da campanha e terá que saber lidar com a situação. E se posicionar claramente em momentos de tensão, como aconteceu no auge da efervescência nas ruas durante a Copa das Confederações.
4 - Lidar com momentos de adversidade
É preciso jogar ao menos 630 minutos para se ganhar uma Copa do Mundo. Dificilmente neste longo tempo e campo a Seleção não passará por nenhum momento delicado. Ter os nervos no lugar é requisito básico de equipes campeãs e Felipão sabe disso. Tanto que a psicóloga Regina Brandão tem papel importante na preparação traçada pelo técnico.
5 - Ter todos os jogadores em perfeitas condições físicas
Até o início da Copa a Seleção treinará por 12 dias e realizará dois amistosos. E se chegar a final serão mais 32 dias de maratona. Manter o equilíbrio físico do grupo é tarefa de Paulo Paixão, homem de confiança de Felipão. Estourar um jogador por excesso de treinos pode ser fatal para o sonho de um título. O primeiro desafio de Paixão a partir desta quarta-feira será igualar a condição física do grupo e traçar uma carga de treinos que não desgaste os atletas.
6 - Se preparar para as constantes mudanças de temperaturas
Localizada em uma região serrana do Rio de Janeiro, Teresópolis acolherá os treinos da Seleção em uma época de frio e clima úmido. Situação bem diferente da que o grupo vai encontrar na maioria das sedes em que vai atuar durante a Copa. Logo na primeira fase Fortaleza e Brasília fogem completamente das condições meteorológicas da Granja Comary, para onde o Brasil voltará depois de cada jogo.
7 - Lidar com assédio político
Uma Copa do Mundo em território nacional em ano eleitoral provocará um inevitável assédio político. Felipão já pediu a colaboração de candidatos e atuais governantes, mas dificilmente conseguirá se livrar totalmente da interferência.
8 - Não se abalar com inevitáveis críticas
A repercussão de uma Copa do Mundo é muito grande, ainda mais se disputada no próprio país. Sobrarão corneteiros em todos os setores da sociedade, muitas vezes com críticas que fogem à razão. Bater de frente com elas pode levar ao caminho percorrido por Dunga em 2010, quando a Seleção se enervou com a pressão.
9 - Saber que uma Copa é muito diferente da Copa das Confederações
O Brasil passeou na Copa das Confederações de 2005 e 2009. Nos anos seguintes sofreu fracassos retumbantes na Copa do Mundo. A dificuldade de um Mundial é infinitamente maior do que a do torneio-teste. A conquista de 2013 serve como indicativo, mas não como parâmetro definitivo que a equipe está pronta para a Copa.
10 - Deixar questões pessoais em segundo plano
Perder lugar no time titular não pode significar cara feia. Em um campeonato longo como a Copa do Mundo os interesses do grupo precisam se sobressair sobre os individuais. Sacrifícios precisam ser encarados por todos. O mesmo vale em relação a transferências e especulações do mercado de clubes.
11 - Respeitar e estudar todos os adversários com o mesmo afinco
Soberba em Copas do Mundo costuma ser punida por zebras. Assim foi com a então campeã Argentina na estreia de 1990 contra Camarões, com a França diante de Senegal em 2002... A comissão técnica já tem mapeadas as características de possíveis 16 rivais e promete uma análise profunda de cada adversário. “Não seremos surpreendidos”, disse o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira.
12 - Assimilar possíveis tropeços
A Espanha foi derrotada na estreia da Copa de 2010, mas sagrou-se campeã com seis vitórias nos jogos seguintes. A Itália flertou com a eliminação na primeira fase na campanha do título de 2006. Uma derrota ou empate inesperado na primeira fase não significa que tudo está perdido, por mais negativa que seja a repercussão.
13 - Ter variações táticas e alternativas
Felipão achou um jeito de jogar e um time durante a Copa das Confederações. Mas não se deu por satisfeito. Nos próximos dias o técnico irá testar variações táticas e treinar ao máximo alternativas de jogo. Ficar preso a um esquema ou insistir em uma ideia que não deu certo são ameaças sérias em um torneio que exige rápida reação a adversidades.
14 - Tirar a pressão de Neymar
Neymar é assunto na Seleção até mesmo quando não aparece. Jogador mais badalado, amado, criticado e vigiado do grupo de Felipão, o atacante viverá com os holofotes e a pressão de ter de ser o salvador do Brasil nos momentos difíceis. Mas tem apenas 22 anos. Jogadores mais experientes precisam tirar a carga do jovem atacante.
15 - Esquecer o Maracanazo
A lembrança pela derrota na final de 1950 acompanhará a Seleção na disputa da segunda Copa do Mundo no País. Mas não poderá ser uma carga negativa para o grupo comandado por Felipão. Se chegar à final no Maracanã a Seleção será bombardeada por comparações e precisará responder positivamente à pressão. Na primeira entrevista oficial, os três goleiros já enfrentaram o assunto e falaram sobre Barbosa, até hoje lembrado por falhar no gol que deu o título ao Uruguai. "Aconteceu, e depois se criou uma coisa muito forte. A nossa profissão é realmente ingrata, mas a gente procura esquecer (os erros). Ele era um goleiro que jogou uma Copa do Mundo no Brasil, e isso mostra que era um goleiro formidável", disse Júlio César.