Como chega a Bósnia para a Copa do Mundo
Bósnios garantiu vaga em sua segunda Copa do Mundo após se classificar de forma histórica contra a Itália na repescagem
Sem dúvidas alguma, a classificação da Bósnia em cima da Itália dominou as manchetes e chamou a atenção do mundo inteiro. Entretanto, a segunda vez dos Dragões na Copa do Mundo passou por vários percalços e uma reabilitação que surpreendeu muita gente dentro do continente.
A seleção iniciou o ciclo sob o comando de Faruk Hadžibegić. No meio do ano, troca pelo interino Meho Kodro, que ficou por um mês, até a chegada de Savo Milošević. Entretanto, a falta de constância ficou evidente na equipe, que não conseguiu se encontrar nas Eliminatórias da Euro e fez uma péssima campanha, com apenas nove pontos, na penúltima posição do seu grupo.
Por conta do acesso na Liga das Nações, a Bósnia teve o direito de disputar a repescagem, sem sucesso, sendo eliminada na primeira partida contra a Ucrânia. Após isso, Milošević deixou o cargo e chegou Sergej Barbarez. O novo treinador não conseguiu ajustar a equipe na elite da Liga das Nações, sendo rebaixada com apenas dois pontos.
Porém, nas Eliminatórias da Copa, a seleção mostrou que era outra. Uma vitória na estreia, fora de casa, contra a Romênia animou os ânimos do país por uma classificação para a Copa do Mundo. A disputa seria contra a Áustria, e a derrota para o adversário direto, dentro de casa, e um empate contra o Chipre esfriaram um pouco o embalo. Entretanto, os austríacos tropeçaram contra os romenos, e a definição ficou para a última rodada.
Precisando da vitória em Viena, a Bósnia saiu na frente, mas sofreu o empate e ficou com a vaga na repescagem. No primeiro confronto, perdia até o final para Gales, mas Džeko conseguiu o empate após cobrança de escanteio. Nas penalidades, saiu atrás, mas conseguiu a virada e a classificação, em Cardiff. Na decisão, em casa, contra a Itália, tomou o gol na primeira etapa, mas conseguiu o empate e, nos pênaltis, levou a melhor, garantindo vaga em sua segunda Copa, ocupando a 65ª posição do ranking da Fifa.
O destaque
Principal nome do futebol na Bósnia, o atacante Edin Džeko garantiu a vaga disputar a sua segunda Copa do Mundo. O jogador é o único do elenco que esteve em 2014 que segue atuando na seleção. Ao todo, são 148 jogos com a camisa dos Dragões, desde 2007, com 78 gols marcados. Dentre eles, um fundamental, na semifinal da repescagem, que levou a decisão contra País de Gales para os pênaltis. Outro contra o Irã, no Mundial do Brasil, o seu único pelo torneio.
Agora, o atacante de 40 anos trava um duelo pela sua recuperação para estar em campo na América do Norte. Na partida decisiva contra a Itália, Dzeko sofreu uma lesão no ombro direito no segundo tempo da prorrogação e teve que passar por uma cirurgia. A expectativa é que o jogador só esteja pronto para voltar aos gramados às vésperas da Copa.
O comandante
Quando Sergej Barbarez assumiu o comando da seleção, não havia muita expectativa para um futuro melhor. Afinal, a Bósnia vinha de uma campanha frustrante nas Eliminatórias da Eurocopa e sem a inédita vaga no torneio continental. Já na Liga das Nações, nenhuma vitória e o rebaixamento para a Liga B. Parecia que os Dragões iriam correr por fora por uma vaga na Copa.
Entretanto, Barbarez conseguiu ajustar o time e dar uma cara nova nas Eliminatórias. Afinal, a seleção conseguiu sete vitórias e perdeu apenas uma vez nos 12 jogos da qualificatória europeia. Com isso, o ex-jogador, que defendeu as cores do país durante oito anos, entre 1998 e 2006, pôde realizar o grande sonho de sua carreira.
Inclusive, esse é o primeiro trabalho de Barbarez como treinador. Ele havia sido convidado para assumir o comando da seleção em 2009, logo após a sua aposentadoria. Entretanto, a Federação da República Srpska, uma das federações que constituem a Bósnia, vetou sua contratação. Após isso, o técnico tirou sua licença Uefa e não comandou mais nenhuma equipe, o que torna o feito da repescagem ainda mais impressionante.
Campanha em Copas
A Bósnia disputou a Copa do Mundo apenas uma vez, em 2014. Naquela ocasião, os Dragões superaram a Grécia no saldo de gols e conquistaram a vaga de forma direta. Na estreia, tiveram a honra de jogar em uma Maracanã lotado e perderam para a Argentina por 2 a 1. Na segunda partida, mais uma derrota, desta vez para a Nigéria, por 1 a 0, em Cuiabá, em um duelo marcado por polêmicas. Por fim, na despedida, veio a única vitória, por 3 a 1, em Salvador, com gol de Džeko, Pjanic e Vršajević.
Time-base
Vasilj; Muharemović, Katić e Kolašinac; Mimic, Tahirović, Bajraktarević, Šunjić, Dedić; Demirović e Džeko.
O país
A Bósnia e Herzegovina possui uma história muito fragmentada e marcada por conflitos. O reino foi estabelecido na região em 1377. Porém, 87 anos depois acabou sendo invadida pelo Império Otomano. Depois, no final do século XIX, o Império Austro-Húngaro anexou o seu território. Após a Primeira Guerra Mundial, passou a integrar a Iugoslávia, onde recebeu o status de república plena. Porém, a independência veio apenas em 1992, com o desmembramento do país, seguida da Guerra da Bósnia, que durou até 1995, deixando mais de cem mil mortos.
O país tem uma área de 51.197 km² e uma população de 3.861.912 habitantes. Uma curiosidade é que a Bósnia possui o segundo menor litoral do mundo, com apenas 20 km. Sua capital é Sarajevo e o país ainda se reconstrói economicamente dos efeitos da guerra, tendo o setor de verejo como grande carro-chefe da economia.
Outro detalhe é que a população se divide em três grupos principais: bósnios, sérvios e croatas, além de outras 14 minorias. Cada um dos três possui um representante no governo: Denis Bećirović, Željka Cvijanović e Željko Komšić, respectivamente. Acima deles está Christian Schmidt, que é o alto representante do país.
Celebridades
Mundialmente, a Bósnia possui um grande destaque pelas suas produções no mundo do cinema. Após a guerra, os bósnios passaram a ter diversas premiações em festivais europeus. Além disso, os filmes feitos no país costumam trazer narrativas dramáticas sobre o período dos conflitos e da realidade em Sarajevo.
Um dos principais nomes do cinema bósnio é o do diretor e roteirista Danis Tanovic. Ele dirigiu a produção "Terra de Ninguém", em 2001, que ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme de língua estrangeira, em 2002, além do prêmio de melhor roteiro, no festival de Cannes.
O que esperar da Bósnia
Depois de conquistar a sua segunda classificação para a Copa, os bósnios podem sonhar ainda mais no Mundial. Afinal, estão em uma chave muito equilibrada, com Canadá, Qatar e Suíça, sendo possível imaginar mais vitórias no torneio e até uma inédita classificação no Mundial. A expectativa é que Barbarez consiga manter o esquema de jogo da seleção, que funcionou de forma muito eficaz tanto na defesa como no ataque ao longo das Eliminatórias.
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