Bahia exime Cristóvão de culpa, mas quer time ofensivo em 2014
Com o final do Campeonato Brasileiro, a diretoria do Bahia, eleita no início de setembro, terá a sua primeira oportunidade para começar um trabalho do zero. Neste domingo, após a partida contra o Fluminense, o vice-presidente do clube, Valton Pessoa, confirmou algumas saídas de jogadores e revelou que o clube tentará contratar cinco reforços de qualidade para 2014. Porém, o dirigente deixou em aberto a permanência do técnico Cristóvão Borges no clube.
Nesta semana e na entrevista coletiva após a partida contra o Fluminense, Cristóvão Borges demonstrou vontade de permanecer no Bahia no ano que vem, mas falou que ainda existem algumas diferenças de pensamento entre ele e a diretoria que precisam ser resolvidas antes da formalização de um novo acordo. Valton Pessoa explicou quais são essas diferenças.
"São diferenças de planejamento. Cristóvão não foi escolhido por esta diretoria nem escolheu esta diretoria para trabalhar. Herdamos e demos continuidade ao trabalho. A diretoria tem outros pensamentos, e só agora tivemos a oportunidade de discutir. Por exemplo, o Bahia não tem nenhum membro na comissão técnica dele. Se ele resolver sair, não teríamos nem como ter um técnico interino", declarou.
Além disso, a atual diretoria do clube pretende dar mais atenção às divisões de base. Atualmente, o clube tem alguns jogadores formados no Fazendão entre aqueles do elenco principal, como os laterais Madson e Jussandro, o volante Feijão e o meia Anderson Talisca. Nos últimos anos, o clube também revelou o meia Gabriel, atualmente no Flamengo, e conquistou o título da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2012.
"Queremos que as divisões de base tenham mais integração com o profissional. Jamais queremos interferir no trabalho do treinador, mas o técnico tem que entender a filosofia da diretoria. O Bahia é um clube formador e vencedor, que joga para frente. Essa é a filosofia que queremos reimplantar daqui para frente. Então qualquer técnico que estiver no Bahia tem que entender isso", analisou.
Ao longo do ano, o técnico Cristóvão Borges chegou a ser criticado pela torcida do Bahia por utilizar três volantes com frequência ou por fazer substituições mais cautelosas, com o intuito de segurar alguns resultados. Para Pessoa, Cristóvão não pode ser taxado como "retranqueiro", principalmente porque o técnico teve poucas opções para trabalhar.
"Não podemos exigir que Cristóvão tivesse utilizado mais jogadores da base ou que tentasse montar um time mais ofensivo. Ele chegou no meio do furacão e herdou um elenco de opções reduzidas. Reconhecemos as dificuldades que ele teve esse ano para poder montar um time ofensivo, mas queremos um time mais insinuante para 2014", argumentou Pessoa.
Marquinhos Gabriel sai, e Lucas Fonseca fica, afirma dirigente
Pessoa confirmou ainda a saída do meia-atacante Marquinhos Gabriel, que, de acordo com o dirigente, não quis renovar seu contrato com o Bahia. Outro jogador da mesma posição, Wallyson, é outro que dificilmente permanece no Fazendão. Jussandro e Madson, atletas formados no clube, mas muito criticados por parte da torcida, podem ser emprestados para amadurecer em outros clubes. Por outro lado, o zagueiro Lucas Fonseca tem sua renovação "bastante avançada", nas palavras do dirigente, que é um dos responsáveis por fechar contratações para o Bahia.
No próximo ano, a intençao da diretoria do Bahia é ousada: cortar custos e, ainda assim, montar um time mais competitivo do que o desta temporada. Para isso, o clube, que está em situação financeira delicada, pretende utilizar mais pratas da casa e fomentar o programa sócio-torcedor.
"Qualquer clube que tenha uma receita de TV como o Bahia, com essa divisão desproporcional e equivocadíssima, precisa formar jogadores para competir com clubes mais ricos e poder competir na parte de cima da tabela. Tentamos equilibrar isso formando jogadores e com o programa de sócio-torcedor. Precisamos que os sócios auxiliem, e que alcancemos os 50 mil associados. O planejamento para 2014 começou desde que essa diretoria chegou (em setembro) e já tivemos outras reuniões no fim desta temporada. Queremos trazer quatro ou cinco jogadores de qualidade. Precisamos de qualidade, não quantidade. Depois vamos reformular o elenco, porque precisamos reduzir a folha salarial do clube", finalizou.