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Operação da Polícia Federal implica piloto da Porsche Cup em esquema bilionário

Investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Receita Federal rendeu a Operação Black Flag, que expediu 15 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão, apontou Rodolfo Toni, da Porsche Cup, como um dos líderes do esquema

12 mai 2021 15h38
| atualizado às 17h17
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O patrocínio da Newen bem grande em carro de Rodolfo Toni
O patrocínio da Newen bem grande em carro de Rodolfo Toni
Foto: Porsche Cup / Grande Prêmio
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A Polícia Federal de Campinas irrompeu na manhã da última terça-feira uma ampla operação contra uma organização criminosa investigada por fraudes, crimes financeiros e lavagem de dinheiro no valor total de R$ 2,5 bilhões. A operação foi batizada de 'Black Flag' e conta com gente do automobilismo nacional envolvida.

Um dos nomes confirmados pelo GRANDE PRÊMIO é do piloto Rodolfo Toni, piloto da Porsche Cup, que contou com familiares para compor o esquema fraudulento.

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Além da PF de Campinas, a operação envolve também a Receita Federal e o Ministério Público Federal. Em entrevista coletiva, os órgãos afirmaram que o objetivo da organização criminosa estabelecida - chamada assim porque tinha objetivo de se valer de crimes de maneira contínua - era fazer com que os responsáveis vivessem uma vida de luxos, chamadas pelos investigadores de "vida de cinema".

Porsche 911 S Carrera foi um dos carros apreendidos (Foto: Receita Federal)

Ao todo, mais de 270 servidores públicos - 220 policiais federais e 50 membros da receita - fizeram parte da ação que cumpriu mandados, além de Campinas, em São Paulo, Valinhos, Indaiatuba e Sumaré, no estado de São Paulo; Fortaleza e Aquiraz, no Ceará; Paraty, no Rio de Janeiro; e Brasília.

Toni está entre os implicados com mandados de prisão. De acordo com o site O Antagonista, o piloto é considerado o líder do grupo que conta ainda com os pais e a esposa de Rodolfo, todos com identidades falsas em um esquema que criava empresas-fantasmas. O nome de Rodolfo, por exemplo, era José Rodolpho da Silva Tonny.

As imagens divulgadas pela Polícia Federal da apreensão feita mostram, dentre outros objetos, dois capacetes que pertencem ao piloto.

Nas primeiras horas da terça-feira, então, a PF saiu para cumprir 15 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão - tudo com a expedição da 1ª Vara Federal de Campinas. Na entrevista coletiva, os investigadores anunciaram ainda que um delegado da PF foi afastado do cargo por 30 dias e passou a ser investigado pelo que foi chamado de "troca de informações".

Toni é empresário e também aparece como presidente da Newen, que é exposta no carro e no capacete do piloto. A empresa é de geração de energia solar cuja composição societária é composta, dentre outros, pela mãe, Maria Luiza Portilho Toni — que está envolvida na operação — e pelos pilotos JP Mauro e Rodrigo Mello, ambos também da Porsche Cup — que não aparecem citados na operação.

Toni foi procurado por telefone através da Newen, que não soube responder ao GRANDE PRÊMIO. Mello, que também é advogado e representa Toni, inicialmente disse que não poderia falar naquele momento sobre o caso. Via assessoria, nesta quarta-feira (12), Mello falou: "A respeito da menção do meu nome em operação policial realizada na data de ontem, venho a público esclarecer que essa notícia é absolutamente infundada e inverídica. Certamente tal menção se deu por um equívoco, motivo pelo qual solicito a divulgação desse esclarecimento nessa importante publicação automobilística."

A PF de Campinas, responsável pela operação, disse ao GRANDE PRÊMIO que ainda não poderia confirmar os nomes dos envolvidos, mas que 11 deles já haviam sido presos, um 12º se entregado voluntariamente e outros três estavam sendo procurados.

De acordo com a PF, R$ 1,2 milhão foi encontrado durante a operação de busca, além de um sem número de itens de valor. Entre eles: 302 peças de joias, 97 relógios, 76 bolsas, 147 garrafas de vinho, dois quadros do pintor Eduardo Kobra, 20 veículos e 27 celulares.

A Porsche Cup, categoria pela qual Toni compete desde o final de 2012, afirmou ao GRANDE PRÊMIO que "assuntos extrapista envolvendo os pilotos da Porsche Cup não são da alçada da categoria. Não temos informações sobre este caso, tampouco competência funcional para nos posicionar sobre o que acontece fora do âmbito esportivo."

De acordo com ao delegado-chefe da PF de Campinas, Edson Geraldo de Souza, as investigações começaram há cerca de dois anos e foi a Receita Federal quem desfraldou a sequência de fraudes a partir de movimentações financeiras suspeitas. Com a abertura do inquérito, a PF passou a investigar e chegou ao que chamou de "complexa rede de pessoas físicas e jurídicas fictícias" e que chegavam a movimentar um valor na casa do R$ 1 bilhão. Na sequência, empresas do ramo da metalurgia eram criadas e assumiam a propriedade do patrimônio financeiro para proteger a organização de possíveis checagens da Receita.

Segundo os investigadores, os beneficiados pelo esquema "levavam vida de cinema: andavam de Ferrari, Porsche, embarcação de R$ 5 milhões", ao passo que as pessoas jurídicas envolvidas "eram um emaranhado entre fantasmas e pessoas jurídicas de fachada".

A organização é bem mais antiga que a investigação, porém: a primeira empresa fantasma foi estabelecida em 2011 e obteve um contrato com o banco de fomento econômico paulista Desenvolve SP e um segundo com a Caixa Econômica Federal, totalizando um valor de R$ 73 milhões. Por se tratarem de instituições financeiras estatais, o registro é público e, segundo os investigadores, foi o que iniciou todo o sistema que se estabeleceu na sequência. O delegado garante, entretanto, que apesar de o Desenvolve SP ter sido alvo de um dos mandados é tratado como vítima.

Maurício Pompeo, auditor da Receita Federal, afirmou que a organização se valia de CPFs falsos, criados sempre com nomes muito semelhantes aos das pessoas reais e usados para abertura de contas e ocultação de patrimônio. "Tem funcionário humilde que movimentou R$ 82 milhões; um motorista, R$ 64 milhões; um vendedor, R$ 60 milhões. Era o modo de distribuir o dinheiro dos bancos públicos e ilícitos tributários". Segundo ele, a empresa promoveu um acréscimo artificial do capital social em cerca de R$ 2 milhões para aparentar saúde financeira. Apenas sob CPFs e CNPJs falsos, o grupo chegou a garantir R$ 5 milhões por pessoa física ou jurídica, além dos laranjas. A Receita afirma que a organização conta com grupo de profissionais dos ramos jurídico e financeiro, bem como falsificadores de documentos.

Além disso, a investigação aponta a criação de uma Offshore de energia solar foi criada no Panamá para justificar a origem do capital. A companhia-mãe da Steelcons/Newen é justamente a Sandylons Investments S.A, estabelecida em Marbella, no Panamá, um dos mais famosos paraísos fiscais do mundo.

As chaves dos carros de luxo apreendidos na Operação Black Flag (Foto: Receita Federal)

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