NASCAR: Keselowski elogia colaboração da Toyota, mas Hamlin rebate vantagem da fabricante
Em coletiva antes da etapa de Chicagoland, Brad Keselowski elogiou o modelo da Toyota e cobrou uma reação da Ford.
O domínio da Toyota na temporada 2026 da NASCAR Cup Series foi um dos principais assuntos da coletiva de imprensa realizada antes da etapa de Chicagoland Speedway. Durante a entrevista, dois pilotos que também são proprietários de equipe, Brad Keselowski, da RFK Racing, e Denny Hamlin, coproprietário da 23XI Racing, apresentaram visões diferentes sobre o motivo do sucesso da fabricante japonesa.
Keselowski acredita que a Toyota construiu um modelo de colaboração muito mais eficiente entre suas equipes, enquanto Hamlin argumenta que essa cooperação não é imposta pela montadora, mas fruto de alianças firmadas pelas próprias organizações.
Segundo Keselowski, a Toyota percebeu que o antigo modelo de desenvolvimento independente já não fazia sentido após as mudanças implementadas pela NASCAR nos últimos anos, especialmente com a introdução do carro Next Gen e das restrições a testes e desenvolvimento.
"Tenho que dar muito crédito à Toyota. Eles reconheceram que esse impasse não era bom nem para o esporte nem para eles como fabricante.”
O piloto explicou que a fabricante conseguiu criar um ambiente em que suas principais organizações trabalham praticamente como um único programa competitivo.
“Hoje eles têm duas equipes de nível A, em vez de uma equipe A, uma B e uma C.”, disse Brad Keselowski. “Pelo que vi até agora, os outros fabricantes (Ford e Chevrolet) não fizeram isso. E a Toyota está fazendo eles pagarem por isso com resultados na pista.”
Ele ainda afirmou que espera uma reação principalmente da Ford.
"A RFK está fazendo tudo o que precisa para estar preparada caso isso aconteça. Mas ainda não vimos o mesmo nível de colaboração na Ford que vemos na Toyota."
Ainda durante a coletiva de imprensa, ao ser questionado sobre a fala de Brad Keselowski, Denny Hamlin, apresentou uma visão diferente sobre o assunto. Segundo o proprietário da 23XI Racing, a Toyota não obriga suas equipes a compartilharem informações, o diferencial está nas alianças comerciais existentes.
"A Toyota certamente tem um papel nisso, mas não acho que seja tão diferente dos outros fabricantes. Nós simplesmente pagamos uma taxa."
A 23XI Racing mantém uma aliança técnica com a Joe Gibbs Racing, compartilhando informações de engenharia e desenvolvimento, segundo Hamlin, essa parceria foi uma decisão estratégica para acelerar a competitividade da equipe.
"Nós escolhemos nos afiliar à Joe Gibbs Racing porque acreditamos que isso reduziria nossa curva de aprendizado e nos tornaria mais competitivos.", afirmou o piloto. "Ainda pagamos por esse relacionamento, mas hoje ele funciona em duas vias."
Hamlin também afirmou que não acredita que exista uma diferença significativa em relação às alianças mantidas por equipes Ford.
"Provavelmente nosso relacionamento com a Legacy é o mesmo que Penske e RFK têm. Recebemos praticamente a mesma quantidade de informações compartilhadas. A diferença é que escolhemos fazer essa aliança porque era a melhor decisão de negócios."
Durante o julgamento antitruste envolvendo a 23XI Racing e a NASCAR finalizado no início deste ano, um depoimento revelou que esse acordo de cooperação custa aproximadamente 8 milhões de dólares por temporada, valor mencionado como referência para esse tipo de parceria técnica.
As declarações acontecem em um momento em que os resultados reforçam o argumento apresentado por Keselowski. Antes da etapa de Chicagoland, seis pilotos da Toyota ocupavam posições acima da linha de corte para os Playoffs, enquanto a Ford contava com apenas quatro representantes na zona de classificação.
Independentemente da origem dessa vantagem, os resultados da temporada colocam a Toyota como referência na NASCAR em 2026. Enquanto Keselowski defende que Ford e Chevrolet precisam ampliar a colaboração entre suas equipes para reduzir a diferença, Hamlin acredita que o sucesso está diretamente ligado às alianças feitas pelas próprias organizações. Com a reta final da temporada se aproximando, o tema deve seguir em pauta durante as próximas etapas do campeonato.
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